No mês internacional de combate ao câncer de mama, o Outubro Rosa,
a Secretaria de Saúde alerta para o baixo índice de procura da mamografia pelas
brasilienses. Das 5,4 mil vagas ofertadas por mês na rede pública, apenas 2 mil
são ocupadas.
A fundadora da ONG Recomeçar, Joana Jeker, se curou
de um câncer de mama na rede pública da saúde e hoje apoia mulheres em
tratamento no Hran.
A grande quantidade de vagas disponíveis é
resultado de esforços do governo, que, em julho deste ano, conseguiu zerar a fila de espera para o exame.
O secretário-adjunto de Assistência à Saúde, Daniel
Seabra, ressalta que a rede pública tem condições de mais que dobrar os
atendimentos. “Precisamos incentivar as mulheres a procurar as unidades de
saúde e solicitar a mamografia. A rede está pronta para atender todas que
procurarem.”
Para fazer o exame, é preciso um encaminhamento
médico do ginecologista. A consulta deve ser marcada em um posto de saúde. O
tempo médio entre o atendimento em consultório e a mamografia é de 7 a 10 dias.
Atualmente, nove mamógrafos estão em funcionamento,
nos seguintes hospitais:
- Regional da Asa Norte
- Regional de Ceilândia
- Regional do Gama
- Regional Leste
- Regional de Samambaia
- Regional de Santa Maria
- Regional de Sobradinho
- Regional de Taguatinga
- Materno-Infantil de Brasília
Fundadora da organização não governamental (ONG)
Recomeçar – Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, Joana Jeker, de
41 anos, defende a importância da prevenção periódica.
“A mulher cuida de todo mundo e deixa de cuidar de
si. É preciso se preocupar com a própria saúde. Agora que está começando a
campanha Outubro Rosa, mais do que nunca, é época de falar do assunto”, diz
Joana, que se tratou de um câncer de mama descoberto há 11 anos. Todo o
tratamento foi feito na rede pública.
Ela destaca que, quando o diagnóstico é logo no
começo, o tratamento é menos agressivo e mais eficaz. “Eu não precisei fazer
radioterapia, apenas a quimio”, conta.
Apesar da descoberta precoce, Joana teve de retirar
uma das mamas e passar pela cirurgia de reconstrução. Sem muita informação
sobre o processo, viu nas próprias adversidades uma forma de ajudar outras
mulheres.
Agora, a ONG coordenada por ela atende pacientes em
tratamento no Hospital Regional da Asa Norte. O trabalho de apoio é às terças e
quintas-feiras, no ambulatório da unidade. A média é de cinco atendimentos por
semana, com ajuda emocional e esclarecimentos sobre a mastectomia (retirada parcial
ou total da mama).
“Para a mulher, o diagnóstico de câncer e a perda
da mama são terríveis; a vida fica completamente abalada. Estamos aqui para dar
esse suporte, pois já passamos por isso.”
A ONG também oferece próteses externas de silicone
para quem já fez a mastectomia e não tem condição de pagar pelo produto, com
valor médio de R$ 500.
De acordo com a Secretaria de Saúde, anualmente, a
rede pública faz em média 860 cirurgias plásticas, sendo 660 no Hospital
Regional da Asa Norte e outras 200 distribuídas entre Hospital Regional de
Santa Maria e Hospital Regional de Sobradinho.
Prevenção do câncer de mama faz parte da Estratégia
Saúde da Família
Reforçar a prevenção de câncer de mama é um dos
destaques da Estratégia Saúde da Família.
O objetivo é ter profissionais capazes de dar
continuidade às ações de assistência e prevenção, garantindo que os usuários
tenham a equipe como referência. Assim, casos de câncer de mama, por exemplo,
podem ter diagnóstico precoce, o que amplia as chances de cura.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a
mamografia é o único exame preventivo que apresenta eficácia comprovada na
redução da mortalidade do câncer de mama — quando descoberta precocemente, tem
95% de probabilidade de recuperação.
(Agência Brasília/Foto: Tony
Winston/redação JAL)



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