Autoridades
brasileiras acreditam que ele buscava outro refúgio; defesa diz não ter
conhecimento sobre detenção
O italiano
Cesare Battisti foi detido nesta quarta-feira na cidade de Corumbá,
que fica na fronteira do Brasil com a Bolívia. Segundo autoridades com acesso
ao caso, o italiano que é condenado à prisão perpétua em seu país e
vive em refúgio no Brasil, estaria tentando fugir para a Bolívia. Ele teria
sido preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) numa blitz sob uma suposta
tentativa de evasão de divisas.
Autoridades
brasileiras acreditam que ele iria tentar se refugiar na Bolívia uma vez que o
governo italiano pediu formalmente ao Brasil que anule o refúgio dado a
Battisti e o devolva para cumprir a pena em seu país de origem.
A
defesa de Battisti disse que ainda não tem informação sobre sua detenção.
Procurado, o advogado Igor Santana declarou que desconhecia a prisão.
—
Não estou sabendo, mas não há justificativa para prisão — comentou.
A defesa do italiano entrou com um pedido de habeas corpus na
última quinta-feira (28), no Supremo Tribunal Federal (STF), para impedir uma
possível extradição. Ele recebeu asilo no Brasil após decisão do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.
O
pedido sigiloso feito pelo governo da Itália para que o presidente Michel Temer
reveja a decisão de Lula, teria recebido sinal verde de dois ministros
brasileiros, segundo integrantes do governo:Torquato Jardim (Justiça), primeiro
a analisar o pedido do governo estrangeiro; e Aloysio Nunes Ferreira (Relações
Exteriores), por considerar o ato como um gesto importante diplomaticamente.
A
defesa do italiano, que soube do pedido, chegou a afirmar que o
prazo para rever a decisão já está esgotado.
—
Certamente está prescrito. Não faz sentido falar em extradição de novo, a não
ser que queira deturpar o ordenamento jurídico brasileiro. E isso parece que
atualmente é o esporte predileto lá em Brasília — afirmou Igor Tamasauskas, um
dos advogados de Battisti.
Em
2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição, mas disse que a
última palavra seria do presidente. Assim, em 2010, Lula autorizou a
permanência de Battisti no Brasil. Na época, a defesa do italiano já alegava
que os supostos crimes tinham prescrito.
O
então ministro Cezar Peluso discordou. Segundo ele, a prescrição ocorreria em
2013, fazendo apenas a ressalva de que o tempo em que ficou preso no Brasil
esperando uma decisão sobre sua extradição interrompeu esse prazo.
No
ano passado, diante de notícias de que o governo italiano poderia pedir
novamente a extradição, a defesa apresentou no STF um habeas corpus preventivo,
negado agora em setembro.
O
relator, ministro Luiz Fux, disse que não havia motivo concreto que
justificasse o pedido. Mas também destacou que o presidente da República tem
poder para tomar decisões relacionadas à presença de estrangeiros no país.
(O Globo/Foto: Givaldo Barbosa /redação JAL)



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