Bolsonaro fala de chantagem e retaliação na derrubada do voto impresso
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| Foto Gustavo Alcântara |
Em
interação com apoiadores na manhã desta quarta-feira (11/8), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou pela primeira vez a
derrota imposta pela Câmara dos Deputados na noite de terça-feira (10/8), que rejeitou a proposta de emenda à Constituição (PEC)
que estabeleceria a adoção do voto impresso.
O chefe do Executivo
nacional sinalizou que parlamentares preferiram votar pela manutenção da urna
eletrônica por “chantagem” e medo de “retaliação”. “Quero
agradecer à metade do Parlamento que votou favorável ao voto impresso. Parte da
outra metade que votou contra entendo que votou chantageada. Outra parte que se
absteve, dessa parte alguns ali também não votaram com medo de retaliação”,
afirmou. “Então, com problemas essas pessoas resolveram votar lá com o ministro
lá, presidente do TSE”, prosseguiu.
Bolsonaro
também indicou que o resultado das eleições de 2022 pode ser questionado.
“Hoje, sinalizamos para uma eleição que… Não é que está dividida. Uma eleição
onde não vai se confiar no resultado das apurações.”
Segundo Bolsonaro, a conclusão é de que metade do Parlamento
quer “eleições limpas, democráticas”. “A outra metade, não é que não queiram…
Ali tem gente que foi pressionada, ficou preocupada em, ao votar conosco, ser
retaliada. Um recado para todo mundo: a maioria da população está conosco, está
com a verdade. Então, pessoal, se nós vivemos numa democracia, se está difícil
lutar enquanto tem liberdade, depois que vocês perderem a liberdade vai ser
impossível lutar”, discursou.
O presidente fez referência ao presidente do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, que atuou em defesa do
sistema eletrônico de votações. O titular do Planalto tem subido o tom contra o
ministro, a quem já acusou de mentir e chantagear parlamentares.
Com 218 votos contrários, 229 a favor e 1 abstenção, a Câmara
rejeitou na noite dessa terça-feira (10/8) a PEC do Voto Impresso. Para ser aprovada, a matéria precisava de, no
mínimo, 308 votos favoráveis. O projeto é fortemente defendido pelo governo.
Agora,
o texto será arquivado, e o formato atual de votação e apuração deve ser
mantido nas eleições de 2022.
Para
tentar reverter votos em plenário, a autora da PEC, deputada Bia Kicis (PSL-DF), pediu
que seus colegas parlamentares não encarassem a proposta como um desejo pessoal
do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e sim do eleitor brasileiro. A fala
da congressista reconheceu que a defesa do voto impresso feita pelo presidente
só prejudicou o andamento da matéria.
“O rumo do debate foi completamente desvirtuado”, reclamou a
deputada. “Essa não é a PEC do presidente Bolsonaro. Essa não é a minha PEC.
Por isso eu gostaria de despolitizar essa discussão”, propôs.
(Metrópoles)
www.jornalaguaslindas.com.br
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