O assassinato de Hussam Abu Harbeed, comandante armado da Jihad Islâmica para o norte de Gaza, provavelmente gerou uma resposta feroz
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| Foto Muhmud Hams/AFP |
Israel matou um comandante militante
palestino em pesados ataques aéreos na Faixa de Gaza nesta segunda-feira, 17, e
grupos islâmicos renovaram os ataques com foguetes contra cidades israelenses,
apesar dos crescentes apelos internacionais por um cessar-fogo. O assassinato
de Hussam Abu Harbeed, comandante armado da Jihad Islâmica para o norte de
Gaza, provavelmente gerou uma resposta feroz do grupo militante que está
lutando ao lado do Hamas, o movimento islâmico que controla o enclave costeiro.
Quando as hostilidades mais violentas
na região em anos entraram na segunda semana, o secretário de Estado dos EUA,
Antony Blinken, pediu a todos os lados que protegessem os civis e disse que
Washington está trabalhando intensamente nos bastidores para deter o conflito.
Mas em Nova York, a terceira reunião
virtual do Conselho de Segurança da ONU terminou sem avanços depois que os EUA
se opuseram à adoção de uma declaração pela terceira vez em uma semana, segundo
fontes diplomáticas. Uma nova reunião do Conselho de Segurança a portas
fechadas está marcada para terça-feira, disseram diplomatas.
O presidente dos EUA, Joe Biden, foi
acusado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de ter mãos ensanguentadas
por seu apoio a Israel no conflito na Faixa de Gaza.
Autoridades de Saúde de Gaza
registraram o número de palestinos mortos desde que as hostilidades começaram
em 201, incluindo 58 crianças e 34 mulheres.
Dez pessoas foram mortas em Israel,
incluindo duas crianças. A polícia disse que um homem israelense também morreu
no hospital nesta segunda-feira, depois de ser atacado e ferido em Lod na
semana passada por manifestantes árabes, quando os confrontos eclodiram em
comunidades mistas de judeus e árabes em Israel, disse a polícia.
Os
militares israelenses disseram em um comunicado que Harbeed esteve “por trás de
vários ataques terroristas de mísseis antitanque contra civis israelenses”, e
um general israelense disse que seu país poderia continuar a luta “para
sempre”.
Grupos militantes em Gaza também não
deram nenhum sinal de que o fim dos combates era iminente. Logo após a morte de
Harbeed, a Jihad Islâmica afirmou que havia disparado foguetes na cidade
costeira israelense de Ashdod, e a polícia israelense disse que três pessoas
ficaram levemente feridas.
Pelo menos três palestinos também
foram mortos por um ataque aéreo israelense a um carro na Cidade de Gaza nesta
segunda-feira, disseram os médicos, após uma noite de pesados ataques aéreos
israelenses. Os militares israelenses disseram que militantes de Gaza
dispararam cerca de 60 foguetes contra cidades israelenses durante a noite,
contra 120 e 200 nas duas noites anteriores.
Outro palestino foi morto em um ataque
aéreo à cidade de Jabalya, disseram os médicos. “Meus filhos não conseguiram
dormir a noite toda, mesmo depois que a onda de bombardeios intensos parou”,
disse Umm Naeem, de 50 anos, mãe de cinco filhos, enquanto comprava pão na
Cidade de Gaza após os últimos ataques aéreos israelenses. “O que está
acontecendo conosco é demais, mas Jerusalém merece todos os sacrifícios.”
Israel bombardeou o que seus militares
disseram ser 15 km de túneis subterrâneos usados pelo Hamas depois que
militantes palestinos dispararam foguetes de Gaza contra as cidades israelenses
de Beersheba e Ashkelon.
Nove residências pertencentes a
comandantes de alto escalão do Hamas em Gaza também foram atingidas.
“Temos de continuar a guerra até que
haja um cessar-fogo de longo prazo, um que não seja temporário”, disse Osher
Bugam, um residente da cidade costeira de Israel de Ashkelon, depois que um
foguete disparado de Gaza atingiu uma sinagoga no local.
A Secretaria-Geral da Organização dos
Estados Americanos(OEA) descreveu nesta segunda-feira o movimento islâmico
Hamas como uma “organização terrorista”, e invocou o direito de “legítima
defesa” de Israel contra as ações contra este grupo.
“Os recentes ataques lançados pelo
Hamas contra a população civil israelense, sem dúvida, constituem ataques de
natureza terrorista. Sua violência e os objetivos que buscam têm claramente
essa característica”, informou o gabinete de Luis Almagro em um comunicado.
O comunicado acusou o Hamas de
“agressão terrorista ilimitada” e de “semear o terror sobre pessoas inocentes,
sejam elas israelenses ou palestinas”. Além disso, repudiou e condenou o que
chamou de “uso imoral e indigno de crianças e mulheres como escudos humanos”,
assim como “a militarização de áreas residenciais”. “O início de ataques desta
natureza contra um país com um claro objetivo terrorista contra sua população
civil torna essencial a invocação do princípio da legítima defesa por parte de
Israel”, ressaltou.
O Hamas começou a disparar foguetes
contra Israel em 10 de maio depois que tropas israelenses entraram na Esplanada
das Mesquitas em Jerusalém – sagrada para muçulmanos e judeus – em meio à
escalada de tensões sobre medidas para desalojar famílias palestinas de um
bairro em Jerusalém Oriental.
O disparo de foguetes por parte dos
militantes palestinos desencadeou em uma grande ofensiva aérea israelense na
Faixa de Gaza, um estreito enclave palestino do qual o Exército israelense se
retirou em 2005 antes de impor um bloqueio, reforçado depois que o Hamas
assumiu o poder, em 2007.
O Hamas é considerado
uma “organização terrorista” por Israel, assim como pelos Estados Unidos e pela
União Europeia. Chefiada desde 2015 pelo uruguaio Almagro, a Secretaria-Geral
da OEA é o órgão central da organização regional integrada pelos 35 países do
continente americano.
A classificação do Hamas como uma
“organização terrorista” pode ter consequências políticas, acarretando
eventualmente a uma votação dos países da OEA sobre uma resolução da
organização nesse mesmo sentido.
COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
(Estadão) www.jornalaguaslindas.com.br



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