“É uma interferência, sim, desse ministro (Barroso) junto ao Senado, para me atingir. Agora, repito: a temperatura está subindo e a população está em uma situação cada vez mais complicada”, afirmou
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| Foto Fábio R. Pozzebom |
O presidente Jair Bolsonaro voltou a
dizer que a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís
Roberto Barroso, para que fosse aberta a CPI da Covid no Senado foi
“interferência” junto ao Legislativo, com o objetivo de atingi-lo. Hoje, o
plenário do STF decidirá se referenda ou não a determinação de Barroso,
cumprida ontem pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
“É uma interferência, sim, desse
ministro (Barroso) junto ao Senado, para me atingir. Agora, repito: a
temperatura está subindo e a população está em uma situação cada vez mais
complicada”, afirmou. “Há alguma notícia de desvio da minha parte? Uma que seja
(dizendo que) desviei R$ 1? Zero. O autor da proposta de CPI, Randolfe
Rodrigues (Rede-AP), (disse servir para) ‘apurar as omissões do presidente’. É
fazer palanque. Eu não vou interferir, nem posso, nem iria interferir no Senado
Federal”, disse Bolsonaro na manhã desta quarta-feira, 14, para apoiadores no
Palácio da Alvorada.
O presidente também cobrou que CPI
sirva para investigar governadores e prefeitos. “Por que investigar omissões
minhas e não de quem pegou dinheiro na ponta da linha?”, argumentou. “Mandamos
recursos e fizeram hospitais de campanha maravilhosos”, disse. “Não são todos
(os governadores). É uma minoria, mas fizeram a festa”, completou. O presidente
do Senado apensou os dois requerimentos de CPI num só, ou seja, uniu as
demandas e definiu o escopo das investigações sobre as ações e omissões do
governo federal, com destaque para a crise em Manaus, no início do ano, e
repasses a Estados e municípios. A apuração sobre os repasses atendeu, em
parte, a um apelo do presidente, e o requerimento específico para isso foi
elaborado no início da semana.
Bolsonaro afirmou também que aguarda
“uma sinalização do povo” para “tomar providências” a respeito das consequências
econômicas causadas pela pandemia da covid-19, entre elas o aumento da fome e
da miséria. Ao comentar a atuação do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro disse
que não quer brigar com ninguém, mas, segundo ele, “estamos na iminência de ter
um problema sério no Brasil”.
No domingo, 11, o senador Jorge Kajuru
(Cidadania-GO) divulgou conversa telefônica gravada com Bolsonaro. O presidente
pediu para que fossem protocolados pedidos de impeachment contra ministros do
STF e ampliado o escopo da CPI para que incluísse governadores e prefeitos.
Nesta manhã, Bolsonaro disse que Kajuru o procurou para informá-lo sobre a
divulgação do áudio e o presidente relatou que não respondeu nada. “Fiquei
quieto. O cara me gravou. Vou falar o que com ele? Fiquei quieto e desliguei o
telefone”.
(J.Br)
www.jornalaguaslindas.com.br
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