A seis dias do julgamento em
segunda instância que poderá torná-lo inelegível, o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (18/1) que pretende sair candidato à
Presidência “aconteça o que acontecer”. Em discurso durante ato de artistas e
intelectuais em seu apoio, em São Paulo, o petista voltou a acusar seus
adversários de querem criminalizar o PT. “Quero que o PT me indique à
Presidência. Se não for como candidato, serei como cabo eleitoral. Se o PT
quiser, estarei como candidato à Presidência, aconteça o que acontecer”, disse.
Condenado
em primeira instância no âmbito da Lava Jato, Lula terá recurso julgado pelo
Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no dia 24, em Porto Alegre, no
caso do tríplex do Guarujá (SP). Segundo a Justiça, o apartamento teve a
reforma paga pela empreiteira OAS, que recebeu em troca vantagens indevidas. Se
tiver a condenação confirmada, Lula poderá ficar inelegível pela lei da Ficha
Limpa. Sobre o julgamento, Lula disse estar “tranquilo” e “com a consciência
limpa”. “Mesmo se acontecer a condenação, vocês verão que eu continuarei
tranquilo A minha tranquilidade vai infernizar a vida deles.”
Participaram
do ato de apoio a Lula, entre outros nomes, os músicos Odair José, Thaíde, Ana
Cañas, Raquel Virgínia, Assucena Assucena e Edgar Scandurra, os atores Celso
Frateschi e Aílton Graça, a cineasta Laís Bodanzky, os urbanistas Raquel Rolnik
e Nabil Bonduki, o jurista Fábio Konder Comparato, o escritor Raduan Nassar e a
mulher do falecido educador Paulo Freire, Nita Freire.
Repetindo o discurso de terça-feira, quando
participou de ato semelhante no Rio, Lula disse que o PT está sob ataque.
“Venho falando desde 2014 que eles querem criminalizar o PT. Como não podiam
mais dar um golpe, venderam a ideia que o Brasil tinha uma doença, e essa
doença era o PT. Falaram tanto que anestesiaram a sociedade”, disse o
ex-presidente a uma plateia que lotou o salão da Casa de Portugal, no bairro da
Liberdade, região central de São Paulo. A derrocada de Dilma Rousseff, segundo
ele, foi uma “cirurgia” feita depois dessa anestesia.
Lula disse ainda que o partido não soube reagir a
esse ataque de início, mas que agora está se recuperando. Citou como exemplo o
enfrentamento da reforma trabalhista, a qual criticou, afirmando que ela vai
“tirar do trabalhador mais pobre”.
Além dos artistas, participaram do ato diversos
políticos, entre eles a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), o
ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ex-chanceler Celso Amorim, o ex-senador
Aloizio Mercadante, os ex-ministros Alexandre Padilha (Saúde), Eleonora
Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres) e Paulo Vannuchi (Direito
Humanos) e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme
Boulos.
“Neste momento não há dúvidas que defender Lula é
defender a democracia no Brasil”, disse Boulos, que é cotado para concorrer à
Presidência pelo PSOL. “O papel de quem é de esquerda, concorde ou não com o
presidente Lula, é defender seu direito de participar dessa eleição.”
(Metrópoles/Foto reprodução/redação JAL)



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.