O filho da vítima, o cabeleireiro Mauri Nunes, falou logo em
seguida. Ele disse que ficou sabendo da morte do pai quase 48 horas depois do
crime
Da redação do JAL
O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha (foto) foi
condenado a 25 anos de reclusão pelo homicídio duplamente qualificado do
fotógrafo Mauro Ferreira Nunes, de 51 anos, em 28 de março de 2014, na capital.
O julgamento, presidido pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, foi realizado nesta
quarta-feira (11), no 1° Tribunal do Júri.
De acordo com a sentença lida pelo magistrado, o Conselho de
Sentença, formado por quatro homens e três mulheres, ao votar a série de
quesitos, reconheceu a materialidade das lesões sofridas pela vítima e a sua consequente
letalidade, atribuindo a autoria do fato a Tiago Henrique. Além disso, os
jurados reconhecerem a presença das qualificadoras de motivo torpe e da
surpresa.
Sobre a culpabilidade, o juiz considerou que Tiago escolheu
a vítima aleatoriamente e por ela estar desprevenida. Ele destacou ainda que o
laudo de insanidade mental afirmou que o acusado possui frieza emocional e
tendência a manipulação, além de personalidade antissocial.
O juiz frisou ainda que as consequências penais foram
gravíssimas. “A vítima era arrimo de família, cuidava da mãe e filho que
residam consigo, o que causou um inquestionável abalo em seus familiares.
Ademais, o crime causou grande sensação de vulnerabilidade e insegurança na
sociedade goiana já que conviveu, por vários meses, com a figura de um
motoqueiro que cometia homicídios na cidade”, salientou.
Debates
O promotor de Justiça Rodrigo Félix Bueno citou o laudo da
Polícia Técnico-Científica e leu a carta enviada por Tiago em que ele
comunicava o desaparecimento de armas da empresa em que trabalhava. “Ele tenta
enganar a todos desde sempre, enganar a empresa, polícia, os jurados. Tentou
enganar também a junta médica que fez os exames de sanidade mental”, afirmou.
Ainda de acordo com a acusação, Tiago é uma pessoa má.
“Existe o bem e o mal. E ele é do mal. Entreguem uma arma a ele e comprovem”,
afirmou. Aos presentes, Rodrigo Félix salientou que não cansará de trabalhar
nos processos para que a sociedade tenha uma resposta para estes crimes”,
disse.
Já para a defesa, o laudo feito pela junta médica que está
anexado aos autos é incompleto. “Não ficou comprovado que Tiago é um
psicopata”, afirmou Hérick de Souza, advogado de defesa. Ele reforçou a tese de
que o vigilante tem alguma deficiência mental. “Se ele for condenado, a pena
deve ser adequada ao crime que ele cometeu e que vocês levem em consideração a
fragilidade do laudo e a possibilidade de que ele seja doente”, destacou.
Testemunhas
Duas testemunhas foram ouvidas. A primeira foi uma mulher
que presenciou todo o crime. Ela trabalhava na loja em que o fotógrafo foi
morto. “Eu o vi chegando e me chamou a atenção porque ele era bem aparentado,
alto e bonito. “Aí ele entrou, olhou para mim e pediu o celular do Mauro.
Quando ele disse que não tinha, Tiago atirou”, contou. “Eu fiquei esperando que
ele fizesse algo comigo, mas apenas pegou o capacete e foi embora sem correr”,
finalizou.
O filho da vítima, o cabeleireiro Mauri Nunes, falou logo em
seguida. Ele disse que ficou sabendo da morte do pai quase 48 horas depois do
crime. “Meu pai era trabalhador, não tinha inimizade com ninguém. Minha vida
foi destruída”, disse.
Ao ser interrogado, Tiago ficou em silêncio. Mas, ao ser
questionado se queria se pronunciar, disse que falaria só sobre o caso do
fotógrafo, mas depois das perguntas de praxe, se recusou a responder as
perguntas específicas do juiz. Com isso, o magistrado pediu que o vigilante
retornasse a seu lugar novamente.
Fonte : Centro de Comunicação Social do TJGO



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