Em menos de 24 horas, grupos empresariais divulgam documentos com ideias opostas. Primeiro texto criticava STF por "cercear a liberdade"
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| Foto: André Borges |
Em racha
interno, empresários de Minas Gerais lançaram um segundo manifesto. Agora, o grupo saiu em
defesa da democracia e reclamou da instabilidade política entre os Poderes.
O novo documento é
capitaneado pela Associação Comercial Empresarial de Minas (ACMinas). A
entidade defende a reconstrução do Brasil a partir da união de todos os
cidadãos, entidades e instituições. A peça já conta com mais de 200 assinaturas
de empresários e executivos mineiros.
Íntegra do “Segundo Manifesto dos Mineiros ao Povo
Brasileiro” “As mudanças estruturais que o
Estado Brasileiro necessita (e que o Povo Brasileiro reclama) exigem das
lideranças, todas, e daqueles que ocupam cargos e funções nas estruturas
produtivas e fornecedoras de serviço e de conhecimento (tanto públicas quanto
privadas) uma urgente tomada de posição.
A ruptura pelas armas, pela
confrontação física nas ruas, é sinônimo de anarquia, que é antônimo de tudo
quanto possa compreender uma caminhada serena, cidadã e construtiva. A
democracia não pode ser ameaçada, antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada. O
que se pretende provocar é outro tipo de ruptura: a ruptura através das ideias
e da mudança de comportamentos em todas as dimensões da vida.
O objetivo é construir (na
verdade, reconstruir) um projeto de Nação para o Brasil, dando sentido novo ao
que seja patriotismo, de modo a fazer do povo brasileiro uma gente mais feliz e
colocando o Brasil como Nação altiva, livre e democrática no concerto das
Nações.
O país necessita
de uma verdadeira “reforma do Estado” (reforma continente) nela compreendendo
as reformas internas necessárias, sobressaindo: a reforma político-eleitoral, a
reforma administrativa, a reforma do sistema de educação (só a educação
transforma as pessoas), a reforma do sistema de segurança, a reforma orçamental
e econômica, a reforma do sistema tributário (são reformas de conteúdo).
Já se revelou, e faz tempo,
equivocada uma maneira de governar onde os Municípios e os Estados são reféns
permanentes do que pensa e do que deseja o governo central sediado em Brasília.
Esse centralismo que aumenta as desigualdades, já impôs atraso e miséria a toda
a Nação Brasileira.
Vive-se um século XXI que já vai
alto e os problemas da gente brasileira continuam, na base, praticamente os
mesmos: analfabetismo, esquecimento, ausência de infraestrutura básica (como
água e esgoto, por exemplo), além do agravamento de uma escalada criminosa
crescente, em vários sentidos (de balas perdidas, assaltos e discriminações).
É preciso valorizar, e se
necessário for criar um novo capitalismo que valorize a inteligência humana, um
capitalismo humanizado, porque o centro da vida é a Pessoa Humana.
É quase ulceroso falar, no
Brasil, em reforma constitucional, mas é imperativo reconhecer que a
Constituição de 1988 já cumpriu o seu papel histórico de assegurar a democracia
e de valorizar a cidadania. Quanto ao demais, o que dela se recolhe é um texto
antônimo de si mesmo, na medida em que oferece, para uma mesma pergunta, como
resposta, sempre um sim e um não. Não se desconhece a delicadeza do tema e as
dificuldades a serem encontradas no seu enfrentamento.
É preciso extirpar das leis todo
tipo odioso de privilégio que cria castas e diferenças entre as pessoas em
função de seus fazeres e de suas responsabilidades. É situação, afinal, que não
faz de Pessoa alguma, figura diferente e privilegiada em relação aos demais. É
preciso repristinar esta verdade: perante o Estado todos os cidadãos são
cidadãos comuns.
É preciso pôr fim à vida
estamental do aparelho do Estado que, no Brasil, desde sempre, é uma presa
capturada por grupos de pessoas que se autoprivilegiam e conduzem a vida das
pessoas segundo seus interesses pessoais, secundando os legítimos interesses do
Povo e da Sociedade Brasileira.
É preciso criar mecanismos
eficientes de erradicação e de controle da erva daninha da corrupção, banindo
da vida pública aqueles que se servem do Estado para, criminosamente, atender a
interesses menores e que não correspondam às obrigações do cargo e das funções
que exerçam. Tais medidas devem alcançar, por igual, aqueles que ocupem
posições de destaque em todos os poderes do Estado: Executivo, Legislativo,
Judiciário e Instituições agregadas.
É preciso criar mecanismo a
permitir que as instituições representativas da Sociedade Civil tenham voz
ativa junto aos poderes constituídos, fazendo as vezes daquele ‘Poder
Moderador’ criado na França pelo pensador Benjamin Constant, de modo a nunca
mais permitir arranjos que, atendendo a interesses outros, não correspondam aos
anseios da Sociedade e do Povo Brasileiro.
O Brasil se insere dentre os
países do mundo que já viveram todas as experiências de governos e mandonismos:
o Brasil colônia deu lugar ao Brasil império; que deu lugar ao Brasil
república, a velha e a nova; experimentou, por mais de uma vez, as ditaduras; conheceu, em voo de pássaro, a
experiência do parlamentarismo, antes de chegar à nova república. Portanto, a
experiência para reescrever o Brasil quem a possui somos nós próprios: os
Brasileiros.
Esse passado inspirador retém
matéria prima suficiente para que possamos, de mãos dadas, construir um futuro
promissor para o Brasil-nação. A respeito, é relevante trazer a texto a
constatação de que instituições brasileiras sérias e comprometidas existem e são
inúmeras, como ilhas, no entanto. O propósito deste Manifesto está em propiciar
a ligação de todas essas ilhas, dando-nos as mãos. Se todas essas ilhas derem
as mãos, a partir de propósitos comuns, construiremos um grande
Brasil-arquipélago.
Dessa construção, (na verdade,
reconstrução), sobressairá fortalecido o respeito à integridade das pessoas e
suas diferenças e nascerá uma sociedade mais tolerante. É preciso plantar e
implantar definitivamente uma política que reconheça o valor do meio ambiente.
As mudanças estruturais e
estruturantes que este Manifesto suscita – e que por certo serão aprimoradas –
caminharão através de um ‘GRANDE PACTO PELO BRASIL’. Esta é a pregação maior
com a qual se pretende plantar e colher um Brasil que tenha futuro.
Registro final:
Não se adota neste texto por equívoco, como título, a expressão ‘SEGUNDO
MANIFESTO DOS MINEIROS’. A iniciativa compreende um alertar a Gente Mineira e a
Gente Brasileira, chamando a atenção para aquele corajoso e desprendido ato
praticado por um grupo de pró-Homens conseguiu.”
Reação O
documento é uma reação a outro texto divulgado por empresário ligados ao presidente Jair Bolsonaro (sem
partido). O documento afirma que a luta é pela “segurança jurídica e
institucional” e contra o “cerceamento à liberdade de expressão”. “Nas
últimas semanas, assistimos a uma sequência de posicionamentos do Poder
Judiciário, que acabam por tangenciar, de forma perigosa, o cerceamento à
liberdade de expressão no País”, diz o manifesto. O primeiro documento ainda
trazia: “É preciso deixar claro: a defesa dos direitos individuais é o único
caminho para construir um futuro de desenvolvimento e prosperidade para o Brasil.
É fundamental garantir que todos os brasileiros tenham assegurado seu direito à
liberdade de expressão. Não queremos que hoje aqueles que celebram eventuais
censuras sejam os censurados de amanhã”.
Fonte: Metrópoles
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