Todos pediram ao presidente da Casa um
encaminhamento definitivo
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| Foto: Pro Legislativo |
Durante
a sessão deliberativa desta terça-feira (24), os senadores manifestaram suas
opiniões sobre o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal (STF). Todos pediram do presidente da Casa, Rodrigo
Pacheco, um encaminhamento definitivo, seja para levar o pedido a votação ou
para arquivá-lo.
A
denúncia de crime de responsabilidade contra Moraes foi apresentado na última
sexta-feira (20) pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. O documento é
assinado pessoalmente por ele, sem a chancela da Advocacia-Geral da União
(AGU).
O
senador Lasier Martins (Podemos-RS) iniciou a discussão ao pedir que Pacheco
encaminhe a tramitação do documento. Ele disse que o Senado está assistindo a
um “sério impasse” entre os poderes Executivo e Judiciário, e que cabe aos
senadores, como representantes eleitos da população, encontrarem uma solução. — Não
estamos entrando no mérito [da denúncia]. [Mas] caberá cumprirmos esse rito,
não só para darmos satisfação ao povo brasileiro, mas para cumprir um dever de
mediação. Nós não podemos nos omitir — disse ele. O senador Plínio Valério (PSDB-AM)
também defendeu que a decisão seja analisada pelos senadores, destacando que o
voto é o “alimento” do parlamento. Ele afirmou que o pedido é legítimo, pois a
deposição de ministros do STF está prevista na Constituição, e que o Senado não
pode “fugir” ao ser provocado sobre o tema. — Não há clima para passar o
impeachment, mas que se coloque isso em votação. A lei permite o impeachment de
ministro do Supremo e só o Senado pode fazer isso. Se a sua assessoria julgar
que os preceitos legais foram todos satisfeitos, traga [a matéria], porque nós
precisamos votar.
Plínio
também lembrou que Alexandre de Moraes já foi alvo de pedidos de impeachment
anteriormente, um deles inclusive assinado por senadores como Eduardo Girão
(Podemos-CE), que também se manifestou favoravelmente à votação. Girão disse
que, na época do seu pedido, coletou apoios de cerca de três milhões de
pessoas.
Ao
contrário dos colegas, Girão discutiu o mérito da denúncia e afirmou que Moraes
cometeu “abusos” que justificam o impeachment. — Nós
temos apoio popular com relação a isso, e é importante para que se freiem
certos abusos, certa escalada autoritária que a gente percebe hoje nos tribunais
superiores.
O
senador Luiz do Carmo (MDB-GO) fez críticas semelhantes. Ele afirmou que o STF
está “avançando aonde não deve” e também disse conhecer cidadãos que vivem “com
medo” do tribunal. “Esdrúxulo”.
Por outro lado, senadores que se opõem à votação do pedido de impeachment classificaram-no como “inoportuno” e como uma tentativa de ameaçar as instituições do país. Um deles foi o presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), que chamou o documento de “esdrúxulo” e pediu o seu arquivamento.— Quanto
mais rápido Vossa Excelência tomar essa decisão, será mais um problema que a
gente ultrapassa e que sai da mídia — declarou ele, dirigindo-se ao presidente
Rodrigo Pacheco.
O
vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também defendeu o arquivamento
imediato, destacando que o país tem “outras prioridades”. Ele argumentou que o
pedido é inadequado, pois solicita a deposição do ministro com base em
critérios que, segundo Randolfe, não têm suporte na lei. — O
pedido, ao que nos consta, é totalmente inadequado e fere o princípio básico
elementar da separação dos poderes e do respeito às decisões judiciais, visto
que é pautado em uma decisão judicial.
Já
Humberto Costa (PT-PE) considerou a atitude de Bolsonaro “inaceitável” e
conflitante com a normalidade institucional do país. — Não
pode um presidente da República que atua permanentemente para constituir
conflitos em nosso país, que ameaça o Estado de Direito, querer promover o
impeachment de um integrante do Supremo que tem defendido esse Estado de Direito,
e que tem cumprido o seu dever.
Os
senadores Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) e Flávio Arns (Podemos-PR) afirmaram
ser necessário, neste momento, “defender a democracia”, e que essa atitude não
é compatível com o andamento do pedido de impeachment do ministro Alexandre de
Moraes.
Agência
Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
(Agência
Senado) www.jornalaguaslindas.com.br
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