90 dias para recuperar um patrimônio cultural de Brasília, esse é o desafio de Gilberto Rios, novo interventor da Fundação Brasileira de Teatro
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| Divulgação |
Com muita vontade de resgatar e honrar
a grande história de Dulcina de Moraes, de dar vida ao espaço fundado pela
atriz e entregar à população brasiliense toda a grandiosidade do patrimônio
cultural que resiste na Faculdade Dulcina de Moraes. É assim que o diretor
teatral e jornalista Gilberto Rios chega para assumir a presidência da Fundação
Brasileira de Teatro em uma “gestão desafio” de 90 dias, que ele clama para que
seja participativa e chama por voluntários. Só assim, segundo Gilberto, será
possível reerguer o espaço com um legado tão importante para os artistas do
Distrito Federal e do Brasil.
Em qual contexto o senhor chega à
presidência da Fundação Brasileira de Teatro?
Chego
num cenário de caos. Estamos perto da falência. Tem salvação e solução? Tem! Eu
devo apresentar algumas ao promotor e com certeza algumas orientações devem vir
do Ministério Público também. Mas é nesse contexto que eu chego: um total
descaso com um dos maiores patrimônios do teatro mundial. Dulcina de Moraes é a
primeira dama do teatro brasileiro e eu fico feliz em poder colaborar com esse
processo de retomada da Faculdade Dulcina de Moraes. Quais são as expectativas para o
trabalho?
As
expectativas são grandes. Nós temos um grupo que nunca esteve à frente do
Dulcina que chama-se Herdeiros de Dulcina, formado por todos aqueles que
tiveram aula com ela, algum contato direto. Eu tive a sorte de além de
trabalhar com ela, de ter sido secretário, diretor executivo e aluno. Minha
ligação espiritual com ela é muito grande. E a minha expectativa é também da
mesma proporção […] as expectativas são grandes porque a partir do momento que
meu nome foi colocado lá, muita gente se colocou à disposição pra me ajudar. A
expectativa é de muito trabalho, de quebrar a quarta parede e trazer todos para
dentro. De
imediato, qual será a ação a ser desenvolvida na Fundação?
Várias
ações precisam ser desenvolvidas. Eu preciso de colaboradores, de voluntários,
de pessoas que querem fazer esse trabalho social. Voluntários para cuidarem da
biblioteca, secretaria, RH, rádio, ouvidoria… A primeira ação é recompor tudo
isso, organizar a casa e trazer a dignidade da Dulcina de volta. Preciso de
pessoas capacitadas para contribuírem. Alunos, ex-alunos, aposentados, pessoas
sensíveis à causa. As portas estão abertas Todos que quiserem ajudar serão
bem-vindos. Qual é a prioridade hoje?
Tudo.
Reestabelecer a energia, sentar com a Neoenergia e chegar a um acordo para
zerar as dívidas — algo que Dulcina de Moraes nunca teve em vida — , pagar as
contas e fazer as coisas dentro da legalidade. Mas a prioridade mesmo é a
colaboração de profissionais de todas as áreas para me ajudar. Temos muita
vontade e expertise para transformar o local. O senhor pode adiantar algum projeto que
pretende desenvolver na Fundação e Faculdade Dulcina de Moraes?
O
primeiro projeto é trazer a originalidade para a faculdade, aquilo que Dulcina
pensou para a instituição. Vou fazer um curso de requalificação com os
professores com a essência daquilo que Dulcina pensou, trazer o projeto
original e resgatar muitas coisas para transformar essa faculdade naquilo que
Dulcina queria: uma escola stanislavskiana. Para a fundação, convidei André
Amaro para ser o diretor voluntário do complexo do teatro. Muitos amigos estão
se juntando para preservar a memória de Dulcina de Moraes. Teremos também
alguns cursos livres com TVs comunitárias. A ideia é dar vida àquele espaço e
lembrar que essa faculdade formou muitos arte-educadores que estão na cena
cultural hoje. Como a Fundação vai atuar sob sua
liderança?
Com
a participação da sociedade, da classe de artistas, empresários, e de todos
aqueles que veem a importância da cultura como um instrumento poderoso de
transformacão da sociedade. Só será possível salvar o projeto com a
participação popular. Com a mesma liderança que dulcina exerceu em relação ao
teatro brasileiro, nós vamos recuperar e reconquistar o nosso espaço — que
nunca deveríamos ter nos ausentado. Como
preservar a história do teatro brasileiro e incentivar seu desenvolvimento?
Por
meio da Academia. Temos no nosso quadro de professores um Doutor voluntário que
pertence ao patrimônio e eu quero muito preservar o patrimônio. Se a gente não
preservar a nossa memória, o que a gente vai entregar de legado para os nossos
filhos e netos? Uma cidade como Brasília que tem uma população jovem
impressionante, com uma veia artística muito forte, precisa estar ciente disso.
Nós temos dois teatros ali dentro da faculdade, um de 530 lugares e um de
teatro de bolso maravilhoso. Precisamos entregar isso pra sociedade brasiliense
e retomar as manifestações artísticas pós-pandemia assim que possível.
(J.Br)
www.jornalaguaslindas.com.br
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