O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás realiza almoço com cerca de 50 prefeitos em ato político em que pretende receber o apoio para se cacifar a ser vice do governador Ronaldo Caiado em 2022
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| Sagres 730 |
Se a regra lógica da política se valer – Lissauer estará fora do
páreo, antes mesmo de começar.
“Ninguém é candidato
a vice de qualquer cargo”, essa é a regra normal dos pleitos eleitorais. É o que eles
chamam de queimar a largada. Mesmo porque Lissauer não preenche muitos outros
quesitos para ser candidato a vice-governador. O principal deles: confiança e
partido. Ora, por mais que o deputado de segundo mandato tenha uma ampla
maioria de apoios políticos, com prefeitos e deputados o elevando ao grau
postulado, não existe hoje em Goiás um partido sequer que banque o projeto
individual de Lissauer.
O individualismo destacado aqui é que a vida e confiabilidade
partidária é fundamental para se alcançar o poder e não existe um partido
sequer, pequeno que seja, que confie a Lissauer o prestígio de ser vice
governador e governar Goiás.
Ao contrário: forças políticas e partidárias movimentam,
inclusive, para destroná-lo na Assembleia Legislativa, orquestrando um
movimento sólido para que 2023 não exista resquícios de Lissauer na Alego.
Explico: o efeito Helder Valin tende a ser inverso com Lissauer que “não deve
eleger seu sucessor na Alego”, mesmo estando fora.
Outro ponto de não partida e decolagem de Lissauer, é que ele,
apesar dos números, não possui apoio dos líderes goianos. São eles Adib Elias,
Renato de Castro, Lincoln Tejota, Paulo Vitor e tantos outros que construíram a
base de Caiado, a duros passos internos, alguns sendo expulsos de seus partidos
e outros sendo criticado pelo seus ex-aliados.
Ora, a tentativa de imersão de Lissauer no PSD não lhe dá nenhuma
garantia. O presidente Vilmar Rocha não o colocará na vice de Caiado. Isso é um
fato consumado. O atual partido de Lissauer, o PSB, não possui alinhamento
partidário com o DEM, sendo impedido, inclusive nacionalmente de coligar com o
partido do governador. No MDB, Lissauer ocuparia o final da fila, esbarrando em
Daniel, Gustavo Mendanha ou qualquer outro emedebista histórico – e até em seu
mais que adversário, mas inimigo, ex-deputado federal Heuler Cruvinel. Apesar
da gama de prefeitos – que retribuem as emendas ofertada por Lissauer e pagas
pelo próprio Caiado – os partidos políticos não fazem-se presentes nessa
jornada.
Eleitoralmente, o governador Ronaldo Caiado já possui o apoio do
prefeito Paulo do Vale e, a presença de Lissauer, descompassaria os outros
lados da moeda.
Movimentações como essa de Lissauer nesse sábado, enfraquece seu
próprio discurso, de ser um deputado federal com base sólida e estar ali pronto
para qualquer desafio. Até Flávia Morais, que possui partido (PDT) e voto,
possui base mais sólida para candidatura a vice (apesar que não cogita tal
possibilidade).
No compasso que se caminha, Lissauer se diminui, deixa de lado a
implantação da política consistente em busca de um cenário que coloca um ponto
de interrogação se suas crendenciais para chegar ao executivo.
Lider do governo, deputado estadual Bruno Peixoto (MDB) deixou o
camarote para se movimentar contra a sucessão na Alego em 2023 e tem recebido
apoios internos, que não tem se agradado do fato de Lissauer movimenta-se em
duas casas, executivo e legislativo. “Não vamos eleger o candidato de Lissauer
em 2023”, diz um deputado da base de Caiado. Outro político experiente que
colocou uma porta na pretensão de Lissauer é Adib Elias: que pretende
participar efetivamente da escolha da vice. O Podemos, partido de Zé Nelto
possui consistência e não alinha com Lissauer.
Outros deputados não esquecem que Lissauer colocou uma barreira
nos candidatos do governador à presidência da Assembleia e questionam o grau de
confiança do rio-verdense. Lincon Tejota, mais discreto, organizou um jantar,
três dias antes, com a presença de 31 prefeitos na Nativas Gril, não para pedir
apoio para continuar na vice, mas para reforçar o apoio à base de Caiado.
Lissauer joga de
muitos lados, e isso não é unanimidade. Nos bastidores, Lissauer não
contemporiza, mas apoia a oposição do governador fortalecendo os projetos de
Claudio Meirelles e Lêda Borges (quem ajudou na eleição em Valparaíso contra o
projeto de Caiado), fazendo da Assembleia um palco vivo de discussões e
apontamento de defeitos do governo estadual.
Assim, a história estará registrada. Um presidente da Alego probo,
honesto, com votos, articulado, mas que caminha na contramão inversa da ordem
política – utilizando-se da própria máquina para maquinar a suas pretensões
política pessoais.
(HE) www.jornalaguaslindas.com.br
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