A cidade está sob ataque de forças do grupo fundamentalista Taleban, em combates que deixaram ao menos 40 mortos e 118 feridos
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| Foto Reuters |
O Exército do Afeganistão pediu que os
200 mil moradores de Lashkar Gah, capital da província de Helmand (sudoeste do
país), deixem suas casas. A cidade está sob ataque de forças do grupo
fundamentalista Taleban, em combates que deixaram ao menos 40 mortos e 118
feridos da segunda (2) para a terça (3), segundo estimativa das Nações Unidas.
Em mensagem para os moradores da
cidade, o general Sami Sadat disse que “não deixará nenhum taleban vivo”, “mas
se você ficar deslocado de sua casa por alguns dias, por favor nos perdoe”. Ao
serviço afegão da britânica BBC, Sadat afirmou que seus militares perderam
espaço para as forças do Taleban desde a ofensiva do fim de semana, mas que ele
duvida da capacidade dos insurgentes de manter sua posição por muito tempo.
O Taleban comandou o país por meio de
um regime brutal de 1996 a 2001, quando foi desalojado do poder pela invasão
liderada pelos Estados Unidos -a ação militar foi tomada porque o governo
afegão abrigava no país a rede Al Qaeda, que promoveu os ataques de 11 de
Setembro. Desde que os americanos começaram a bater em retirada, porém, o grupo
radical passou a avançar e está ganhando terreno.
A decisão do presidente Joe Biden
ocorreu em abril, e o plano é evacuar todas as tropas até 31 de agosto. Os
outros países que apoiam a missão americana, a maioria da Otan (aliança militar
ocidental) fizeram o mesmo.
No maior ataque coordenado em anos, os
talebans passaram do controle de vilarejos e pontos de fronteira para o assalto
a cidades. Estão sob fogo Kandahar (sul), Herat (oeste) e Lashkar Gah.
Ponto estratégico desde sua fundação
no século 9º, como seu nome em persa indica (“quartel de exército”), a capital
desta província de 1,5 milhão de habitantes é central para o controle dos
extensos campos de papoulas, que fornecem ópio para a produção de heroína.
Cerca de 40% da matéria-prima mundial
para a droga sai da região, o que garante fonte de financiamento importante
para quem os controlar. Militarmente, é um corredor entre o Irã e Kandahar,
antigo coração do movimento taleban.
Durante os 20 anos da guerra dos EUA,
havia duas enormes bases ocidentais lá, uma americana (Camp Leatherneck) e
outra britânica (Camp Bastion), que apoiaram alguns dos mais sangrentos embates
com os insurgentes. Ambos os locais foram repassados ao Afeganistão em 2014.
Durante seu governo purista islâmico,
o Taleban proibiu a produção da papoula, mas o pragmatismo após ser chutado do
poder afrouxou sua posição e hoje boa parte dos campos gera divisas para o
grupo. O ataque taleban fez com que o governo central em Cabul culpasse
diretamente os americanos pela “saída repentina”, como disse na segunda o
presidente Ashraf Ghani.
Pelo acordo de paz entre EUA e
Taleban, firmado por Donald Trump e ratificado por Biden, os talebans sentariam
à mesa com Ghani para dividir poder. Isso já os restringiu antes: em novembro,
eles haviam tomado o leste de Lashkar Gah, mas recuaram quando os EUA pararam
de fazer ataques aéreos na área.
Só que o grupo alega que os americanos
romperam o acordo ao não deixar o país em maio, como havia sido acertado
inicialmente. Sob essa desculpa, avançam em diversas frentes. Ghani afirma que
seu governo terá condições de resistir, amparado no amplo reequipamento das
Forças Armadas sob orientação e ajuda americana, e que em seis meses a situação
estará estabilizada. Falta combinar com o Taleban agora.
Nesta terça, uma forte explosão
seguida de tiros foi registrada em Cabul. De acordo com as primeiras
informações das agências internacionais de notícias, oficiais de segurança
disseram que a explosão parecia ter sido causada por um carro-bomba na área
conhecida como “zona verde”, região da capital afegã que abriga edifícios do
governo e embaixadas estrangeiras.
As autoridades suspeitaram que o alvo
seria a casa de Bismillah Khan, ministro da Defesa afegão. Em uma rede social,
ele disse estar bem e pediu que seus seguidores não se preocupem. Nenhum grupo
reinvindicou a autoria do suposto ataque, e não houve relatos imediados de
mortos ou feridos.
Minutos após a explosão, centenas de
civis saíram às ruas da capital, aos gritos de “Allahu Akbar (Deus é o maior),
para expressar seu apoio às forças do governo afegão e oposição ao Taleban.
(FolhaPress)
www.jornalaguaslindas.com.br
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