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“Vivemos um milagre” dizem os pais sobre seu filho que perdeu braço em ataque de jacaré

Criança, de um ano e oito meses, teve antebraço amputado após ataque em Porangatu, no norte de Goiás; ele deixou hospital esta semana

Arquivo Pessoal Valdelice Andrade

Mais do que apenas lamentar o episódio em que o pequeno Hudson Filho foi atacado por um jacaré e precisou ter o braço amputado devido à gravidade do ferimento, a família do bebê de apenas um ano e oito meses acredita que é mais importante celebrar sua recuperação: “Foi um milagre de Deus!”, comemora o pai, Hudson Rangel Hilário, de 44 anos.

 

O bebê foi atacado por uma fêmea de jacaré no último dia 23/6, quando passeava com a babá às margens da Lagoa Grande, em Porangatu, região norte de Goiás. A mulher teve que praticamente arrancar a criança da boca do animal para cessar o ataque.

 

O menino precisou ser transferido de helicóptero para Goiânia, onde ficou internado no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage (Hugol). Depois de ter o antebraço amputado, receber cuidados e se recuperar, o bebê recebeu alta médica nesta quinta-feira (8/7). A mãe do menino, Valdelice Andrade, publicou imagens do momento da saída da unidade de saúde nas redes sociais.

 

O pai do garoto, Hudson Rangel, contou que a família viveu um milagre. Segundo ele, o menino está clinicamente bem, continua enérgico e já está se adaptando à realização das atividades com o braço esquerdo. “Antes do acontecimento ele era destro, mas agora já está fazendo tudo com o braço esquerdo. Graças a Deus está levando as coisas de forma muito natural. Não houve nenhuma intercorrência, vivemos um milagre”, relata.

 

De acordo com Hudson Hilário, o filho e a família receberam tratamentos excelentes por todas as unidades de saúde que passaram. Segundo ele, não foi possível salvar o antebraço da criança em razão da contaminação do ferimento e da grande perda de sangue. Ele afirma que foi necessária transfusão em dois momentos: durante o translado de Porangatu para Goiânia e também durante a cirurgia.

 

“Nós recebemos um tratamento de excelência. As equipes nos trataram muito bem, fomos muito bem atendidos e, por enquanto, vamos ficar em Goiânia. Nossa família toda veio para cá acompanhar a situação. Ainda temos que voltar ao hospital a cada cinco dias para a troca do curativo, mas, em breve, voltaremos para Porangatu”, disse ele.

 

Após a cicatrização da cirurgia, a criança será submetida a sessões de fisioterapia para a recuperação dos movimentos do braço. “Ele vai ter que reaprender a mexer o braço”, disse o pai. Otimista, ele informou que futuramente, o filho poderá usar uma prótese de mão, caso necessário.

“Precisamos ver como será a cicatrização. Se Deus quiser vai ser tudo bem. Talvez pode precisar de uma plástica reparadora para colocação da prótese, caso ele queira. Se ele não quiser, vamos ver como vai ficar”, afirmou Hudson Rangel.

 

Conforme explicação de Hudson, os avós e tios do menino se deslocaram de Porangatu para Goiânia, para dar suporte e apoio aos pais do menino. O núcleo familiar é numeroso, composto pelos pais, Hudson e Valdelice, e quatro filhos: Lara, Júlia e Alice, e o pequeno Hudson Filho, popularmente conhecido como “a rapa do tacho”, expressão popular em Goiás para definir o filho mais novo.

 

Questionado sobre o apoio dado à babá da criança, Hudson ressaltou que a relação da família com a mulher extrapola o âmbito profissional. “Nós temos uma relação familiar. Ela trabalha conosco há mais de dez anos, é madrinha de uma das minhas filhas. Nós estamos em contato com ela diariamente”, disse ela.

 

A babá, que desvencilhou o menino da boca do jacaré, precisou ser medicada no dia do fato, pois ficou em estado de choque. De acordo com o pai do garoto, a família está oferecendo acompanhamento psicológico para a funcionária, que já voltou a trabalhar.

 

À época, por meio de nota, a Prefeitura de Porangatu lamentou o incidente e afirmou que, embora a espécie do réptil não apresente riscos aos humanos, é importante tomar cuidados e se afastar dos animais. Conforme a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente (Semma), placas informativas foram solicitadas em maio deste ano para notificar turistas sobre cuidados com o passeio no local. A praia da lagoa foi fechada ao público e telas de proteção de pessoas foram instaladas no local.

 

“No planejamento ambiental e no plano de governo, será feita a revitalização da Lagoa, na qual está incluída a logística do manejo de capivaras e jacarés”, diz o informe.

 

Ao portal local de Porangatu, da jornalista Sheilismar Ribeiro (SR), o médico veterinário Sebastião Júnior explicou que o jacaré pode atacar quando está chocando, para se alimentar e também para se defender. “Quando a fêmea está chocando, ela fica com os hormônios exacerbados e ataca para proteger os ovos e os filhotes. É necessário uma cerca de contenção ou a remoção desses animais e em casos mais extremos até o abate para evitar mais acidentes”, pontuou o profissional.

De acordo com o veterinário, ele já atendeu seis casos de cachorros que foram atacados por jacarés e, outros três de capivaras. No entanto, esse é o primeiro caso registrado na cidade de ataque a humanos, situação que chocou a população do município, já que consideravam o convívio harmônico entre moradores e animais.

 

A Polícia Militar de Goiás informou que matou a tiros o jacaré que atacou um bebê de um ano e oito meses, na Lagoa Grande, em Porangatu, no norte do estado. Segundo a corporação, um tio da criança foi atacado quando buscava os pertences do sobrinho que ficaram no lago e gritou por socorro. Uma viatura da PM passava por perto e desferiu tiros contra o animal.

 

“Quando recolhia os objetos, o homem foi atacado pelo jacaré e, ao pedir socorro, foi atendido pela equipe do 3° Batalhão de Polícia Militar que realizava patrulhamento pelo local e realizou o abate do animal”, diz um trecho da ocorrência policial. O jacaré foi morto na noite do dia 24/6.

 

 

(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br

 

 



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