A reunião com ele não constou na agenda oficial da Presidência, mas Beatrix publicou uma foto do encontro na segunda-feira
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| Reprodução Instagram |
O presidente
Jair Bolsonaro minimizou nesta quinta-feira (29) as críticas que recebeu por
ter se reunido no Palácio do Planalto, fora da agenda, com a deputada
ultradireitista alemã Beatrix von Storch, vice-líder do partido populista AfD
(Alternativa para Alemanha) e neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro
das Finanças na Alemanha nazista. “Não posso receber essa deputada? Foi eleita
democraticamente na Alemanha”, disse. Ele sugeriu a apoiadores que não sabia do
parentesco da deputada e disse que é errado julgar uma pessoa por erros de seus
antepassados.
“Semana passada tinha um
deputado chileno e uma deputada alemã visitando lá a Presidência. Poxa, tratei,
conversei, bati um papo. Vai que a deputada alemã é neta de um ex-ministro do
Hitler. Pô, me arrebentaram na imprensa. A gente não pode ligar um pai a um
filho. Muitas vezes, né, um fez uma coisa errada, ligar ao outro”, disse ele.
As declarações foram divulgadas por uma página bolsonarista no YouTube.
A ultradireitista esteve com
Bolsonaro no último dia 22. A reunião com ele não constou na agenda oficial da
Presidência, mas Beatrix publicou uma foto do encontro na segunda-feira (26).
Na imagem, também aparece o marido da alemã, Sven Von Storch. “Agora, se eu for
ver a ficha de cada um que for atendido, primeiro que vai demorar horas para
atender. Igual recebi aqui o deputado Luis Miranda (DEM-DF)”, disse Bolsonaro.
Miranda e seu irmão, o
servidor do Ministério da Saúde, tiveram reunião com Bolsonaro em 20 de março,
quando alertaram o presidente sobre possíveis irregularidades na compra da
Covaxin. Ao publicar a imagem com Bolsonaro, Beatrix afirmou, em um texto, que
ficou impressionada com a “clara compreensão” do mandatário brasileiro dos
“problemas na Europa e dos desafios políticos” atuais.
“Numa época em que a
esquerda está empurrando sua ideologia em nível global através de suas redes e
organizações internacionais, nós, conservadores, também precisamos trabalhar
mais juntos e defender nossos valores conservadores em nível internacional”,
disse.
A congressista esteve em
Brasília na semana passada. Na ocasião, ela manteve encontros com os deputados
Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), que compartilharam fotos das
agendas em suas redes sociais -e foram criticados pelo histórico xenófobo e
anti-imigração de Beatrix, que já foi investigada por incitação ao ódio contra
muçulmanos.
No mesmo dia do encontro com
Bolsonaro, a deputada este com o ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e
Inovações). A reunião foi registrada na agenda oficial do ministro e em imagens
publicadas no perfil da pasta no Flickr.
O encontro da vice-líder do
partido AfD com Bolsonaro foi intermediado pelo deputado estadual por São Paulo
Gil Diniz (sem partido), como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da Folha de
S.Paulo. Em 2018, a polícia alemã pediu que Beatrix fosse investigada após
postagens suas em redes sociais. À época, ela questionou a decisão da polícia
da cidade de Colônia de publicar mensagens em árabe, como parte de uma campanha
multilíngue.
A parlamentar disse: “O que
diabos está acontecendo de errado neste país? (…) Estão querendo agradar os
bárbaros, os muçulmanos e essa horda de homens estupradores?”. O Twitter e o
Facebook removeram as postagens, classificadas de discurso de ódio.
O parentesco e as bandeiras
xenofóbicas que ela propõe foram ressaltados nas redes sociais após as
publicações de Eduardo Bolsonaro e Kicis. Em resposta a uma das publicações de
Bia Kicis sobre a visita de Beatrix, o Museu do Holocausto relembrou a
trajetória da deputada alemã. “É evidente a preocupação e a inquietude que esta
aproximação entre tal figura parlamentar brasileira e Beatrix von Storch
representam para os esforços de construção de uma memória coletiva do
Holocausto no Brasil e para nossa própria democracia”.
O Instituto Brasil-Israel
(IBI) emitiu uma nota em repúdio sobre encontro de Bolsonaro com a alemã. “Ao
contrário de uma união dos conservadores do mundo para defender os valores
cristãos e a família, como sugeriu Bia Kicis, esses encontros estão mais para
união de políticos de extrema-direita irrelevantes no cenário global. Um abraço
de náufragos”, afirma o Instituto Brasil-Israel em nota, que é assinada pelo
coordenador-executivo do IBI, Rafael Kruchin.
Abertamente anti-imigração e
com um histórico de posturas xenófobas, o partido AfD é o primeiro com
representação no Parlamento a ser colocado sob investigação do Escritório
Federal de Proteção à Constituição (BfV, na sigla alemã), por suspeita de
extremismo e, em último caso, risco à democracia.
O conjunto dos
posicionamentos da legenda faz com que a AfD não seja bem vista por grande
parte da comunidade internacional. Foram poucos os encontros internacionais da
sigla -líderes da legenda já se reuniram com o ditador de Belarus, Aleksandr
Lukachenko; com o presidente russo, Vladimir Putin; e com o ditador sírio,
Bashar al-Assad, segundo informações do canal alemão Deutsche Welle.
A American Jewish Comittee,
organização tida como expoente da comunidade judaica nos Estados Unidos,
manifestou preocupação após o encontro. Em suas redes sociais, a AJC escreveu
que se junta à Conib (Confederação Israelita do Brasil) ao expressar
preocupação com a visita de Beatrix e que a plataforma racista e xenofóbica do
AfD não tem lugar no Brasil. (J.Br) www.jornalaguaslindas.com.br |



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