A família foi feita refém das 20h30 desta quinta até a meia noite. Segundo Simone, ao sair da chácara, o suspeito pediu desculpas
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| Foto Arquivo Pessoal |
A vítima de
um dos assaltos com restrição de liberdade ocorridos nesta semana no Incra 9,
em Ceilândia, disse em entrevista ao Metrópoles que o suspeito afirmou não estar com
Cleonice Marques, 43 anos. A mulher foi levada da chácara onde morava com o
marido e os dois filhos, mortos durante o crime, na madrugada de quarta-feira
(9/6).
Simone Silvo e Silva, 29, o
marido Joberson Sousa de Jesus, 29 e os três filhos, de 10, 6 e 3 anos, foram a
terceira família que passaram momentos de terror na região. O crime aconteceu
na chácara Apaloza, nesta quinta-feira (10/6).
A família foi feita refém
das 20h30 desta quinta até a meia noite. Segundo Simone, ao sair da chácara, o
suspeito pediu desculpa. “Ele disse ‘vocês me perdoam gente'”. A mulher afirma
que o homem estava sóbrio e ciente de tudo que fazia.
Durante o assalto, o bandido
contou que a polícia estava perdendo tempo o procurando, que ele não estava com
Cleonice Marques. “Ele disse que não assaltou a casa sozinho. Só matou o
pessoal porque eles reagiram, mas não estava com a Cleonice”, afirmou Simone.
A Polícia Civil do Distrito
Federal (PCDF) acredita que o criminoso que fez a família de Simone refém é o
mesmo que matou Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21,
e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15, marido e filhos de Cleonice. Ela foi levada
logo após o crime. O suspeito foi identificado como Lázaro Barbosa de Sousa, 32
anos.
Joberson contou ao Metrópoles que
a família fechou a casa para dormir, mas a luz acabou às 20h30. “Nós achamos
estranho, a luz acabou só aqui. Quando a luz voltou nós ficamos mais
tranquilos”.
O caseiro relatou que o
homem chutou a porta e entrou dentro da casa para roubar a família. “Procurou
dinheiro, arma e queria que eu fizesse comida pra ele, fez a gente beber
cerveja com ele também”. Simone conta que o homem chegou bem nervoso, mas
quando viu que a família estava assustada e que iria colaborar, se acalmou.
Segundo Simone, o assaltante seria mesmo Lázaro Barbosa.
“É pesado demais passar por
isso. Muito angustiante. Todo momento nós achávamos que seria nosso último
suspiro”, conta Simone. Lázaro também teria amarrado e rendido os filhos do
casal.
Jobson contou, emocionado,
que a família fez o possível para que saíssem vivos do lugar, mas que nunca
irão esquecer o ocorrido. “Se a gente é adulto e esse episódio não sai da nossa
cabeça, imagina como isso tá na cabeça das crianças. Eles nem querem ficar aqui
em casa mais”, contou o pai.
Na manhã da quinta-feira
(10/6), a segunda família foi feita refém e obrigada a cozinhar para o
criminoso. Segundo Sílvia Campos de Oliveira, 40, o assaltante falou que teria
participado do triplo homicídio na Fazenda Vidal,
na madrugada de quarta (9/6). Ela disse que o homem tem os mesmos traços de
Lázaro.
“Ele
perguntou se eu estava acompanhando o caso do triplo homicídio. E, depois,
disse: ‘Aquele crime lá eu tava junto, mas não foi só eu'”, contou a mulher ao Metrópoles.
Sílvia completou: “Falou que, se a gente reagisse, faria o mesmo que fez com a
outra família, que ele matou no Incra. Mandou a gente não fugir”.
Em frases desconexas, o
suspeito acrescentou que mataria todo mundo caso acontecesse algo com a filha
dele. Ele levou dois celulares, biscoito, pão, um casaco e dinheiro. Segundo a
testemunha, o homem fritou um ovo para comer durante a madrugada e, antes de
deixar a casa, pediu que Sílvia colocasse um prato de comida para ele. Segundo o
capitão Rafael Cunha, da Polícia Militar do DF (PMDF), que esteve na propriedade invadida nesta quinta,
há fortes indícios de que o homem seja Lázaro Barbosa. Ele teria chegado por
volta das 4h, e a família foi liberada às 15h. O suspeito
fugiu. Helicópteros da polícia sobrevoam o local. De acordo com a PM, o
fugitivo está vestido com uma calça preta, um moletom preto com chapéu aba
larga (tipo de pescador). Uma das hipóteses para o
triplo homicídio ocorrido na Fazenda Vidal, na
madrugada de quarta-feira, é de que Lázaro tenha invadido a
casa para roubar os pertences da família. No entanto, ao ver que Cleonice
Marques, 43, mulher de Vidal, pedia socorro pelo telefone, ele matou pai e
filhos e se apressou em deixar o local do crime, levando-a como refém.
Cleonice ainda está
desaparecida. Foi solicitado o apoio de helicóptero e cães farejadores para
procurá-la. A Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS) presta apoio
às investigações. O triplo homicídio chocou o Distrito Federal. Os corpos estavam em um
quarto, um deles sobre a cama, e os outros dois no chão. As vítimas foram
encontradas com marcas de tiro e facadas. Cleonice conseguiu ligar
para a família pedindo socorro ao ver que a porta da sua casa estava sendo
arrombada. Eles chegaram rapidamente ao local, 10 minutos depois. No entanto,
Cleonice já havia sido levada. Cláudio Vidal ainda estava vivo.
Antes de morrer, Cláudio
Vidal disse ao cunhado que a esposa havia sido levada por quem invadiu a casa
deles: “Age rápido porque
levaram a Cleonice”. A polícia informou que os celulares das vítimas
estavam em casa. Porções de dinheiro também foram encontradas. Não há indícios
de que algo foi levado da residência. A família morava e era dona de uma
floricultura no local.
O irmão de Cleonice, Ivan
Amorim, 60, contou ao Metrópoles que a família não vai desistir de
procurá-la. “Vamos encontrá-la. Estamos com muita esperança. Esse homem não
pode ter ido muito longe com a Cleonice a pé. Vamos encontrar”, disse,
emocionado. Familiares
e amigos das vítimas acreditam na hipótese de assalto. Segundo Edivaldo Gomes,
amigo da família, as vítimas não tinham inimizade com ninguém e mantinham boas
relações com os clientes da floricultura e com os vizinhos. Familiares
informaram que irão aguardar notícias sobre a localização de Cleonice Marques
de Andrade para marcar o enterro do marido e dois filhos. (Metrópoles)
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