Em seu serviço para o Planalto, Very Well cumprimentou todos os presidentes do Brasil de Jango a Dilma Rousseff
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| Foto arquivo pessoal |
Vítima de um ataque cardíaco, José
Henrique Nazareth, conhecido como “Very Well” pelos colegas, morreu aos 86 anos
de idade. Very Well foi um dos mais ilustres servidores no Palácio do Planalto,
já tendo cumprimentado e testemunhado a história de todos os presidentes da
república entre os anos de 1961 a 2013, anos em que esteve sempre à serviço da
presidência.
Seu filho Leonardo Faro, de 49 anos,
conta que Very Well nasceu em Brasópolis, pequeno município no sul de Minas
Gerais. Partiu ainda jovem para o Rio de Janeiro a fim de “desvendar a capital
e seguir seu sonho de ser servidor público”. Em 1960, a capital foi transferida
para Brasília, onde Very Well se estabeleceu na recém construída cidade do
Cruzeiro. “O Cruzeiro era na época um bairro de servidores, e ele gostou muito
de lá. Era um lugar pacato e pequeno, ele viveu por lá a vida inteira”, conta
Leonardo.
Seu primeiro cargo na presidência foi
como assessor de gabinete de João Goulart, o presidente preferido entre todos
os que ele conheceu. “Eles dois tinham um contato muito próximo, e acabou
gostando muito dele tanto como presidente quanto como pessoa. (…) Também
gostava muito da Primeira Dama Theresa Goulart. Ele sempre falava que ela era
muito bonita, muito simpática”, narra seu filho.
Very Well passou então a adotar o
ritual de cumprimentar todos os presidentes com quem trabalhou no Planalto. Em
2013, no dia de sua despedida antes de se aposentar, cumprimentou pela última
vez um chefe de Estado. Desta vez, pela primeira e única vez na vida
cumprimentava uma mulher a ocupar o cargo, a presidente Dilma Rousseff.
Very Well assumiu diversas funções ao
longo de sua carreira do Planalto, mas foi no Comitê de Imprensa que encontrou
sua paixão enquanto servidor. “Foi do querido Very Well aquela que talvez seja
a melhor definição da nossa função de repórteres. Uma vez, ele foi entrevistado
e disse que éramos ‘cães de Lázaro’, o dia inteiro ali no Palácio do Planalto à
espera de uma migalha. (…) Conhecer caras como o querido Very é uma daquelas
coisas que fazem a experiência da vida valer a pena”, relembra o jornalista
Rudolfo Lago.
Seu bom humor e a postura descontraída
à serviço do comitê fez com que José conquistasse a admiração tanto dos colegas
quanto dos jornalistas empenhados em cobrir a presidência. “Foi dos jornalistas
com quem conviveu que nasceu o apelido “Very Well”. “Tinha muitas autoridades
internacionais no palácio, e ele sempre chamava para tomar café antes da
audiência. Como ele chamava sempre em inglês, os jornalistas criaram um apelido
em inglês que lembrava da sua alegria”, explica Leonardo Faro.
Quando se aposentou em 2013, Very Well
passou a se dedicar a cuidar de sua família. “Sempre muito otimista, nunca
reclamava. Alegre, adorava ouvir música. Sempre gostava de dançar, estava
sempre sorrindo”, conta Leonardo. A religião também sempre teve um papel
central na sua vida, frequentando constantemente a Igreja de Nossa Senhora das
Dores.
Sua saúde só começou a se deteriorar a
partir da última quarta-feira (5), quando precisou passar por uma cirurgia de
emergência por conta de um ataque cardíaco. “Cinco dias depois, apenas 30% do
coração dele ainda funcionava. Ele ficou muito fraco, precisou ser entubado mas
sofreu uma parada cardíaca no mesmo dia. O coração dele não aguentou”, narra
seu filho. A data de 13 de maio marcou uma coincidência enorme em sua morte,
pois é o mesmo dia da comemoração de Nossa Senhora de Fátima, à quem Very Well
era devoto.
(J.Br)
www.jornalaguaslindas.com.br
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