Em reunião nesta tarde, a cúpula do governo liderado por Binyamin Netanyahu aprovou a suspensão dos ataques
![]() |
| Foto reprodução Internet |
Depois de 11 dias e mais de 240
mortes, o atual conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas chegou ao fim
-ao menos momentaneamente. Os dois lados apoiaram um cessar-fogo a partir desta
sexta (21).
Em reunião nesta tarde, a cúpula do
governo liderado por Binyamin Netanyahu aprovou a suspensão dos ataques, e o
Hamas afirma ter acertado uma trégua “mútua e simultânea”, com início às 2h
desta sexta.
Esse é o maior conflito na região em
sete anos. Até o momento, os bombardeios israelenses provocaram a morte de ao
menos 232 pessoas, incluindo 65 crianças e 39 mulheres em Gaza, segundo
autoridades médicas locais. Os ataques também deixaram mais de 1.900 feridos,
destruíram estradas, prédios e outras estruturas, o que agravou a escassez de
alimentos, água potável e remédios, aumentou o risco de disseminação de Covid e
outras doenças e forçou mais de 52 mil palestinos a deixarem suas casas.
Do lado israelense, as autoridades
contabilizaram 12 mortos, incluindo duas crianças, e 336 feridos. O país possui
um avançado sistema de defesa contra mísseis e foguetes que, segundo os números
oficiais, interceptou quase 90% dos cerca de 4.000 projéteis disparados de Gaza
e minimizou os danos do conflito.
Apesar das conversas pelo cessar-fogo
-mediadas pelo Egito e pela ONU-, os ataques dos dois lados continuaram nesta
quinta, com Israel mantendo bombardeios a alvos na Faixa de Gaza, enquanto o
Hamas seguiu disparando foguetes contra cidades israelenses. Os ataques haviam sido
interrompidos por cerca de oito horas, mas, na madrugada, Israel deu início a
uma nova sequência de ataques aéreos em Gaza, visando o que os militares
disseram ser uma unidade para estocar armas na casa de um oficial do Hamas,
além de estruturas militares nas residências de outros comandantes do grupo
islâmico.
Do lado israelense, os moradores
começaram o dia sem o som habitual das sirenes de alertas, mas elas voltaram a
soar no sul do país, embora nenhum dano ou vítima tenha sido relatado pelas
autoridades.
Os avanços das negociações de paz
aconteceram depois que o presidente americano, Joe Biden, aumentou a pressão
sobre o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, pelo fim do conflito.
Pressionado internamente por seu
próprio partido, que o acusava de falta de firmeza com Israel, Biden telefonou
na quarta (19) para o primeiro-ministro e pediu a diminuição imediata da
violência -os EUA são os principais aliados de Israel e tradicionalmente apoiam
o parceiro nas ações militares contra palestinos.
Netanyahu, por sua vez, disse apreciar
o apoio de Biden ao direito de defesa de Israel, mas indicou que continuaria
com a operação contra o Hamas. Yair Lapid, cotado para ser o próximo premiê de
Israel após o fracasso do atual premiê em articular maioria no Parlamento,
disse que o governo israelense deve atender aos apelos dos EUA devido à
coordenação necessária com Washington em outros aspectos no futuro.
“Israel não pode ignorar tal pedido.
Enfrentamos desafios muito maiores do que Gaza -o Irã, o acordo nuclear, as
tensões na Síria e o fortalecimento do Hizbullah. Tudo isso exigirá estreita
coordenação com os americanos”, disse o político, de acordo com o site
israelense Ynet News.
Pesquisa divulgada pela imprensa local
afirma que 72% dos israelenses dizem apoiar a continuidade do conflito,
enquanto 24% querem um cessar-fogo. O levantamento ouviu 684 pessoas e tem
margem de erro de 4,3%. Moussa Abu Marzouk, membro do braço político do Hamas,
disse na quarta acreditar que os esforços para o fim do conflito serão bem-sucedidos
e que esperava um acerto até o fim da semana.
Nesta quinta, o Conselho de Direitos
Humanos da ONU anunciou que fará uma sessão especial no próximo dia 27 para
abordar a situação nos territórios palestinos e em Jerusalém. Os governos de
Egito e Alemanha, além dos Estados Unidos e da Autoridade Palestina -que é
rival do Hamas-, elogiaram os avanços das negociações e já tinham indicado que
os sinais por uma trégua eram encorajadores.
Embora encerre a fase de hostilidades
entre Israel e Gaza, é improvável que qualquer cessar-fogo aborde as questões
fundamentais dos conflitos entre israelenses e palestinos -o que inclui, entre
outros pontos, a criação de um Estado palestino, a presença de colonos judeus
na Cisjordânia e a divisão de Jerusalém.
Civis de ambos os lados estão exaustos
em meio a medo e tristeza. “As pessoas em Gaza e em Israel precisam
urgentemente de um descanso das hostilidades ininterruptas”, disse Fabrizio
Carboni, diretor regional para o Oriente Médio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Segundo diretores regionais da OMS
(Organização Mundial da Saúde), a gravidade das lesões dos feridos palestinos
está sobrecarregando um sistema de saúde que lidava com cenários de
precariedade. Além disso, o fechamento dos pontos de passagem de Gaza para
pacientes e equipes de saúde e as restrições à entrada de suprimentos médicos
estão piorando a crise.
A entidade fez um apelo para levantar
US$ 7 milhões (R$ 37,05 milhões) para financiar a entrega de suprimentos a
hospitais palestinos pelos próximos seis meses. A ONG Médicos Sem Fronteiras
também fez relatos semelhantes, alertando inclusive para a falta de bolsas de
sangue para transfusões.
Um comboio da ONU com ajuda
humanitária, incluindo 10 mil doses de vacinas contra o coronavírus, estava pronto
para entrar em Gaza assim que recebesse permissão, disse Rik Peeperkorn,
diretor da OMS para Cisjordânia e Gaza.
“Até que haja um
cessar-fogo acordado, todas as partes no conflito devem concordar com uma pausa
humanitária para garantir o acesso.”
De acordo com o ministro das Relações
Exteriores de Israel, Gabi Ashkenazi, no entanto, o Hamas é que estaria
deliberadamente impedindo a entrada de ajuda de Israel no território palestino.
O Hamas começou a disparar foguetes
contra Israel no dia 10 em retaliação ao que chamou de abusos dos direitos
israelenses contra palestinos em Jerusalém durante o mês do ramadã, sagrado
para os muçulmanos. Os ataques ocorreram após uma série de confrontos entre as
forças de segurança israelense e grupos palestinos na mesquita de
Al-Aqsa e a uma decisão judicial em
primeira instância que pode expulsar famílias palestinas de um bairro de
Jerusalém Oriental alvo de disputas desde que foi anexado por Israel, em 1967.
Em resposta, as Forças Armadas israelenses passaram a bombardear Gaza.
A sequência de violência entre Hamas e
Israel é a mais grave desde 2014. O último grande confronto durou 51 dias e
devastou a Faixa de Gaza, provocando as mortes de pelo menos 2.251 palestinos,
a maioria civis, e de 74 israelenses, quase todos soldados.
O conflito atual também serviu de
combustível para acirrar as hostilidades internas em cidades israelenses que
antes eram vistas como símbolos da convivência entre árabes e judeus. Houve
centenas de prisões, e autoridades locais decretaram estados de emergência e
toques de recolher. Além disso, houve sinais de revolta contra Israel na
população árabe nos vizinhos Líbano e Jordânia, o que aumentou os temores de
que o conflito desestabilizasse todo o Oriente Médio -o que não aconteceu.
(FolhaPress) www.jornalaguaslindas.com.br
|



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.