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Nos Estados Unidos policial que matou George Floyd é condenado por homicídio

Derek Chauvin pressionou o joelho contra o pescoço do ex-segurança, causando sua morte por asfixia em 25 de maio do ano passado

Foto Folha PE

Um júri em Minneapolis, nos Estados Unidos, considerou culpado, nesta terça-feira (20/4), o policial Derek Chauvin, de 44 anos. Ele foi responsável pela morte do ex-segurança negro George Floyd, em 25 de maio do ano passado em Minneapolis, após o policial branco permanecer por quase 10 minutos ajoelhado em seu pescoço.

 

Logo após o veredicto, Chauvin foi algemado no tribunal e levado sob custódia pelo Gabinete do Xerife do Condado de Hennepin. O juiz Peter Cahill disse que “daqui a oito semanas teremos uma sentença”.

 

Após três semanas de julgamento, em que os jurados ouviram mais de 40 testemunhas e revisitaram as imagens e a voz estremecida de Floyd afirmando que não conseguia respirar, os argumentos finais foram apresentados ao júri nessa segunda-feira (19/4). O júri é composto por sete mulheres e cinco homens, sendo seis brancos, quatro negros e duas pessoas multirraciais.

 

Sob as acusações de assassinato e homicídio culposo, Chauvin poderia receber até 40 anos de prisão. O júri também poderia optar por condenar ou absolver o policial de todas ou algumas destas acusações.

 

Chauvin se declarou inocente de todas as acusações e renunciou ao seu direito de testemunhar perante os jurados. O advogado de defesa, Eric Nelson, reiterou que ele havia se comportado como qualquer “policial razoável”, argumentando que ele seguiu seu treinamento de 19 anos na força.

 

A defesa também alegou que Floyd teria usado drogas antes da ação e que isso teria levado à sua morte. Foram encontrados traços de metanfetamina e de fentanil (um tipo de opioide) no corpo de Floyd, e a namorada dele confirmou que o casal era usuário de drogas. Médicos chamados pelas acusações afirmam, porém, que não há indícios de que Floyd tenha tido uma overdose.

 

A morte de Floyd e a revolta pela matança de pessoas negras nos EUA ficou marcada pelo movimento mundial Black Lives Matter. Com a condenação de Chauvin, o veredicto pode trazer um alívio ao povo. Já em caso de uma absolvição, uma nova onda de protestos poderia tomar o território americano.

 

A torre onde fica a sala do tribunal foi cercada por arame farpado, empresas próximas fecharam suas janelas com tábuas e as escolas públicas vão ter aulas remotas a partir desta quarta-feira (21/4). Soldados da Guarda Nacional foram enviados, enquanto veículos militares circulam pela cidade.

 

O julgamento foi transmitido ao vivo, algo incomum nos EUA, e mostra a importância do caso em um país onde homens negros têm cerca de uma chance em 1 mil de serem mortos pela polícia, segundo uma pesquisa da academia nacional de ciências dos EUA do ano passado.

 

Os quase nove minutos em que George Floyd, de 46 anos, implorou pela própria vida jamais sairão da cabeça de muitas pessoas que viram o vídeo de seu assassinato em frente a uma loja em Minneapolis, no estado de Minnesota. As imagens gravadas em 25 de maio de 2020 mostram Derek Chauvin ajoelhado no pescoço de Floyd, algemado e totalmente imobilizado no chão.

 

Os eventos que levaram a essa cena fatal começaram cerca de meia hora antes. De acordo com relatos de várias testemunhas, vídeos e declarações oficiais de autoridades ao longo dos últimos meses, uma confusão começou com uma denúncia de uso de nota falsa de 20 dólares.

 

Um relatório policial feito na noite de 25 de maio aponta que Floyd havia comprado um maço de cigarros na mercearia Cup Foods, local onde o afroamericano costumava ir.


George Floyd resistiu ativamente a ser algemado, mas sem sucesso. Detido, ele se tornou complacente e pediu desculpas repetidas vezes – como mostraram as imagens das câmeras do corpo dos policiais –, enquanto outro policial dava voz de prisão por “passar moeda falsificada”.

 

Quando os policiais tentaram colocar Floyd na viatura, ocorreu a luta entre os dois. Por volta das 20h14, George Floyd “enrijeceu, caiu no chão e disse aos policiais que estava claustrofóbico”, de acordo com o relatório.

 

Neste momento, Derek Chauvin chega ao local. Ele e outros policiais se envolvem na tentativa de colocar o homem na viatura. Às 20h19, Chauvin puxou George Floyd.

 

Chauvin colocou o joelho esquerdo entre a cabeça e o pescoço dele. E assim foi por quase nove minutos. As transcrições das imagens da câmera corporal dos policiais Lane e J Alexander Kueng mostram Floyd implorando mais de 20 vezes que não conseguia respirar porque estava contido. Ele também estava implorando por sua mãe e dizendo “por favor, por favor, por favor”.


Quando engasgou, Floyd ainda disse: “Você vai me matar, cara”. O ex-policial Chauvin retrucou: “Então pare de falar, pare de gritar. É preciso muito oxigênio para falar”.

 

 

 

 

 

(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br

 

 



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