Senador divulgou gravação de conversa feita com o presidente Jair Bolsonaro. Parlamentar diz "não ter medo de morrer"
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| Foto CB |
O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) vem recebendo ameaças, em redes sociais,
após divulgar, no domingo (11/4) e na segunda-feira (12/4), trechos de uma
conversa com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sobre a instalação da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) da Covid-19.
As ameaças
partem de apoiadores do chefe do Executivo federal, que criticou Kajuru por ter
gravado o telefonema. “Olha a que ponto que chegamos no Brasil”, provocou
Bolsonaro, no Palácio do Alvorada.
Em
prints cedidos pela assessoria de Kajuru, bolsonaristas aparecem afirmando que
o parlamentar goiano vai conhecer o “gabinete do ódio” e que o povo vai tirá-lo
do poder “à força”. Em outras postagens, alguns internautas garantem que Kajuru
“não terá paz”.
“Cajuru sem vergonha… Ao
invés de ficar quase cego e com essa cara de bosta mal cagada, devia ter
morrido esse filho da puta, capacho do outro bandido chamado Datena [sic]”,
escreveu um deles. Kajuru disse, no entanto, ter sido autorizado pelo presidente Jair
Bolsonaro a gravar e divulgar a conversa. Alegando que “não
tem medo de morrer”, o parlamentar garantiu que não cometeu nenhum crime ao
divulgar o áudio, e lembrou que divulgou uma conversa entre os dois, não apenas
com falas do chefe do Executivo.
“Se os bolsonaristas continuarem me atacando, é uma coisa
gratuita. Se o presidente me autorizou [a divulgar o áudio] eu vou fazer o quê?
Que erro eu cometi? Qual crime eu cometi? Advogados já falaram que eu não
cometi crime nenhum. Eu apresentei uma gravação com os dois falando. Eu não
apresentei uma gravação sacana com o presidente falando. O motivo da conversa está
claro, eu liguei para ele para pedir coerência e que ele não colocasse todo
mundo [senadores] no mesmo balaio, como ele estava xingando de canalhada”,
explica.
“Tem
gente me ameaçando, claro, mas eu não tenho medo de nada, não. Morrer para mim
é como antes de nascer. Se alguém quiser me matar por causa disso, pode matar,
não tem problema nenhum”, completa o senador. Conselho de ética
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ),
filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, protocolou na
segunda-feira (12/4), no Conselho de Ética do Senado, um pedido de investigação
contra Jorge Kajuru.
Para
Flávio, Kajuru teria quebrado o decoro parlamentar ao gravar e divulgar nas
redes sociais a conversa telefônica com o presidente na qual Bolsonaro tenta
convencer o senador a voltar as investigações da CPI da Covid-19 para
governadores e prefeitos, tirando o foco proposto inicialmente, sobre o governo
federal.
“Representei no Conselho de Ética do Senado contra o
senador por sua postura imoral, não só de gravar uma conversa particular com o
Presidente da República, bem como de dar publicidade a isso, tudo sem o
consentimento ou a autorização de Bolsonaro”, disse o senador fluminense, em
vídeo distribuído por sua assessoria. Kajuru
disse que riu da atitude de Flávio, já que não é ele que está sendo investigado
pelo esquema de rachadinhas.
(Metrópoles) www.jornalaguaslindas.com.br
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