Sem saber que estava sendo gravado, ministro da Economia afirmou também que programa foi “desastre” que enriqueceu meia dúzia de empresários
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| Foto Flávio Vieira |
O
ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou diversas vezes o Fundo de Financiamento
Estudantil (Fies), durante reunião com outros ministros, nessa terça-feira
(27/4). No encontro, sem saber que estava sendo gravado, segundo o Estadão, o chefe da pasta ainda afirmou que o governo
federal deu bolsas em universidades para “todo mundo”, e que até a quem não
tinha a “menor capacidade” e “não sabia ler nem escrever” entrou na graduação
por esse caminho.
Na ocasião, Guedes afirmou
ainda que o filho do seu porteiro teria sido beneficiado mesmo após zerar o
vestibular, ainda que o programa tenha exigências de nota mínima para aprovar o
financiamento. “O porteiro do meu prédio, uma vez, virou para mim e falou
assim: ‘Seu Paulo, eu estou muito preocupado’. O que houve? ‘Meu filho passou
na universidade privada’. Ué, mas está triste por quê? ‘Ele tirou zero na
prova. Tirou zero em todas as provas e eu recebi um negócio dizendo: Parabéns,
seu filho tirou…'”, disse.
As falas de Guedes foram
feitas em reunião do Conselho de Saúde Suplementar (Consu), da qual
participaram, além do ministro da Economia, os titulares da Saúde, Marcelo
Queiroga; da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos; e da Justiça, Anderson Torres.
Ainda acompanharam o debate representantes do Ministério Público Federal (MPF)
e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No mesmo
encontro, Guedes avaliou que o Fies foi um “desastre” que “enriqueceu meia
dúzia de empresários”. Só foi alertado que a reunião estava sendo gravada após
mais de 40 minutos de debate. “Só não manda para o ar, por favor”, teria dito
Guedes. As críticas de Guedes se
estenderam. O ministro sustentou que percebeu a deficiência da rede pública de
ensino e passou a investir, décadas atrás, na educação privada. “Acho que vai
acontecer a mesma coisa na saúde”, disse Guedes.
Guedes chegou a dizer que
uma solução para garantir o acesso da população aos serviços de saúde seria a
entrega de “vouchers”. “Você é pobre? Você está doente? Está aqui seu voucher.
Vai no Einsten, se você quiser”, declarou o ministro, em referência ao Hospital
Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
O chefe da pasta seguiu
alegando que as universidades estão em estado “caótico”: “Paulo Freire,
ensinando sexo para criança de 5 anos. Todo mundo… maconha, bebida, droga.
Dentro da universidade. Estado caótico. Eu prevejo o mesmo fenômeno para a
saúde”. Ao saber
que estava sendo gravado, o ministro alegou que as críticas se referiam apenas
a algumas universidades. Ele afirmou ainda que estudou em escolas públicas e
disse ser a “prova viva” de que, com “algum investimento”, uma pessoa pode sair
da classe média baixa e ter “sucesso na vida profissional”. (Metrópoles)
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