Centenas de fiéis caminharam pelos paralelepípedos da Cidade Velha por ocasião desta Sexta-feira Santa, recordando a crucificação de Cristo
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| Foto AFP |
Num canto da Igreja do Santo Sepulcro,
as lágrimas de Angèle Pernecita revelam uma emoção que esta cristã tem
dificuldade em traduzir em palavras. Confinada no ano passado devido ao
coronavírus, a agora vacinada filipina compartilha o fervor que toma Jerusalém
na Páscoa.
Como ela, centenas de fiéis caminharam
pelos paralelepípedos da Cidade Velha por ocasião desta Sexta-feira Santa,
recordando a crucificação de Cristo.
E no Santo Sepulcro, igreja
considerada o lugar mais sagrado do cristianismo, as orações de uma multidão
ecoaram como não se ouvia em meses.
Em seu interior, alguns não hesitaram
em tocar ou mesmo beijar, com ou sem máscara sanitária, a Pedra da Unção, placa
de calcário avermelhado sobre a qual foi embalsamado o corpo de Cristo antes de
ser sepultado, segundo a tradição. “É muito melhor do que no ano
passado”, diz Pernecita, com o rosto coberto de lágrimas.
A dona de casa de 46 anos, que mora em
Israel há mais de 10 anos, acompanhou as missas da Páscoa de 2020 pela
internet.
Naquele momento, as autoridades
israelenses haviam acabado de ordenar o fechamento dos locais sagrados, além de
escolas e empresas, para limitar a propagação do vírus.
Assim, a Igreja do Santo Sepulcro
ficou fechada para a Páscoa pela primeira vez em pelo menos um século.
Hoje, “é como viver de novo”, afirma
Lina Sleibi, uma palestina de Jerusalém, que também celebrou a Páscoa sem
igreja e sem grande reunião familiar no ano passado.
“Foi difícil, como se a cidade
estivesse morta”, conta a jovem de 28 anos que canta durante as missas em
Belém, outra cidade sagrada a poucos quilômetros de Jerusalém. “Sair do túmulo”
Em
2020, apenas quatro religiosos percorreram a Via Crúcis, o caminho de
sofrimento onde Jesus, segundo os Evangelhos, encontrou sua mãe, caiu, recebeu
ajuda para carregar a cruz e encontrou mulheres que choravam.
Este ano, a procissão de algumas
centenas de fiéis, conduzida por dezenas de religiosos cantando em várias
línguas, deu vida a esta longa artéria que atravessa a Cidade Velha e as suas
ruelas milenares.
“É como se nós mesmos estivéssemos em
um túmulo no ano passado e agora estivéssemos saindo dele”, comemora Angleena
Keizer, uma britânica, para quem a campanha de vacinação de Israel – a mais
rápida do mundo -, permitiu celebrações normais nesta Páscoa.
Ou quase. Normalmente, milhares de
peregrinos de todo o mundo se reúnem neste período do ano na Cidade Velha. E,
embora as restrições contra o coronavírus tenham sido gradualmente levantadas,
os turistas ainda não têm permissão para retornar à Terra Santa.
“Por um lado é bom passear sem a
multidão de turistas, mas, por outro, preferiria que eles estivessem aqui, pela
economia, e para que vivessem a Páscoa na Terra Santa”, diz Keizer.
Em 2019, mais de 25.000 pessoas se
reuniram em Jerusalém para celebrar o Domingo de Ramos, que lança a Semana
Santa, de acordo com o Patriarcado Latino de Jerusalém.
“É bom andar por aí sem tanta gente”,
comenta Mike, um americano que foi com sua família ao Santo Sepulcro.
“Pudemos sentar perto do túmulo (de
Jesus), tivemos tempo para refletir, foi mais tranquilo”.
Mas a ausência de hordas de peregrinos
tira um pouco do espírito pascal, admite.
Bader Rabadi, um cristão palestino de
Jerusalém, também está feliz por ter virado a página do confinamento da Páscoa,
um momento “doloroso”. Mas este guia turístico espera
firmemente seus correligionários do exterior, para compartilhar o espírito
desta festa, a mais importante do cristianismo. Porque “Jerusalém não é nossa,
é de todos”.
(Agence France-Presse) www.jornalaguaslindas.com.br
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