Mourão disse que a situação do ministro no governo é analisada desde a semana passada pelo presidente e que é preciso aguardar a decisão
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| Foto Unasp |
Diante da pressão do Congresso para
que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deixe o governo, o
vice-presidente Hamilton Mourão avaliou nesta segunda-feira, 29, como uma
“briga política” a possibilidade de senadores pedirem o impeachment do
chanceler no Supremo Tribunal Federal (STF). Mourão disse que a situação do
ministro no governo é analisada desde a semana passada pelo presidente Jair
Bolsonaro e que é preciso aguardar a decisão do chefe do Executivo.
“Os ministros são escolhidos pelo
presidente. O presidente toma decisão de acordo com a visão que os assessores
dele lhe passam. Não sei o que vai acontecer”, comentou em conversa com
jornalistas nesta manhã ao chegar à vice-presidência. Questionado, Mourão
minimizou a intenção dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Randolfe
Rodrigues (Rede-AP) de apresentarem ao STF um pedido de impeachment contra
Araújo. “Nunca vi impeachment de ministro. Isso aí tudo é briga política”,
disse.
O vice-presidente diz ter tomado
conhecimento ontem sobre a pressão contra o chanceler brasileiro. Mourão também
acrescentou não ter conversado com Bolsonaro sobre o assunto, mas se dispôs a
opinar sobre a situação de Araújo no governo caso Bolsonaro o questionasse.
“Deixo aí a critério de quem tem o poder de decidir isso. A minha opinião, se o
presidente perguntar, digo para ele, só para ele”, afirmou.
Em janeiro, Mourão afirmou que
mudanças na equipe ministerial eram cogitadas por Bolsonaro e citou como uma
das possibilidades a saída de Ernesto Araújo. Depois, a fala do vice foi negada
por Bolsonaro. Na época, a atuação do ministro era colocada em dúvida após
dificuldades de negociações com a China na aquisição de insumos para a vacina
contra a covid-19. Araújo chegou a ser afastado das articulações com o governo
chinês, em função de já ter protagonizado atritos com o embaixador da China no
Brasil, Yang Wanming.
Desde a semana passada, parlamentares
têm cobrado publicamente a demissão do chefe do Itamaraty. Neste fim de semana,
o ministro protagonizou atrito com a senadora Kátia Abreu (PP-TO), que é
presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Em suas redes sociais,
Araújo divulgou o conteúdo de uma conversa com Kátia Abreu e tentou associar a
pressão para que deixe o ministério a um lobby em relação ao 5G.
“Vamos aguardar para ver o que vai
acontecer. O presidente Bolsonaro está raciocinando sobre isso desde a semana
passada, vamos ver qual decisão ele vai tomar”, concluiu Mourão.
(Estadão) www.jornalaguaslindas.com.br



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