Em 15 cidades da Itália, nasceram 20% menos crianças do um ano atrás. E não é só uma questão de desejo sexual: a covid-19 reforçou a tendência
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| Foto Viagem e Turismo |
Devido à
pandemia, Morena di Paola e Vincenzo Augello tiveram que adiar o matrimônio
programado para julho de 2020: “Nós queríamos festejar com 130 convidados. Por
causa das restrições, foi impossível, claro. Queremos um casamento sem
máscaras, que seja seguro para todos”, explica o bancário de 30 anos.
Quando
perguntados se querem ter filhos e quantos, o casal responde: “Dois!”. A
farmacêutica de 29 anos completa rindo: “Um menino e uma menina”. O que não
sabem é quando será a hora certa de ter as crianças. Para os
dois católicos, o planejamento dos acontecimentos sempre esteve claro: primeiro
o casamento, depois comprar a própria casa e, sem seguida, os filhos. Poucos dias
atrás, se mudaram de Bérgamo para sua nova casa em Seriate, no norte da Itália.
No entanto, sobre os filhos, preferem esperar até a situação econômica
estabilizar e a pandemia ter passado. Segundo
cifras provisórias do Instituto Nacional de Estatísticas (Istat), a taxa de
natalidade nunca foi tão baixa na Itália, onde normalmente as crianças são
muito bem-vindas. No último mês de dezembro,
nove meses após ser decretado o primeiro confinamento, nasceram, em 15 cidades
selecionadas, 21,6% menos bebês do que um ano antes.
De acordo com estas taxas, o
país provavelmente ocupa o último lugar em natalidade na Europa. Além disso, o
diretor do Istat, Gian Carlo Blangiardo, afirma que o número de matrimônios
caiu pela metade.
“Precisamos também examinar
como a vida sexual se altera na pandemia”, aponta a socióloga Giulia Rivellini.
“Encontrei um estudo da fabricante de preservativos Durex segundo o qual o
desejo e a atividade sexual diminuem durante a pandemia.”, diz a pesquisadora
da Universidade Católica de Milão. No norte da
Itália, há décadas as mulheres costumam só entrar na fase de reprodução aos 30
anos – uma tendência que a Covid-19 provavelmente reforçou. “Acho que os casais
estão se concentrando mais no bom senso econômico, e não tanto nas emoções.
Eles se preocupam se vão poder criar um filho e lhe oferecer tudo de que
precisa.”, reforça Rivellini. Se há 20 anos atrás as italianas tinham, em
média, 2,5 filhos, hoje a taxa é de 1,27. (Metrópoles)
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