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Criança que era mantida pela família em barril no interior de SP continua internada

 

Um vizinho afirmou à PM que o Conselho Tutelar acompanhava o caso do garoto, mas que nada impedia as torturas

Foto JB

O pai de um menino de 11 anos, um auxiliar de serviços gerais de 31 anos, sua mulher, uma faxineira, de 39, e a meia-irmã do garoto, uma vendedora de 22 anos, foram presos em flagrante por tortura.

O menino de 11 anos, foi encontrado acorrentado, dentro de um barril de ferro, no corredor do último andar da casa onde vivia com o pai, a madrasta e a meia-irmã, por volta das 16h30 deste sábado (30), em Campinas (93 km de SP). Ao ser resgatada, a criança afirmou que estava sem água e comida há cerca de cinco dias.

Um vizinho afirmou à PM que o Conselho Tutelar acompanhava o caso do garoto, mas que nada impedia as torturas à criança.

Imagens feitas por um PM mostram o garoto, subnutrido nu, dentro de uma lata, amarrado com correntes e cadeados em um dos pulsos, cintura e também em uma das pernas. O barril estava dentro de um cômodo de tijolos, coberto com uma telha de amianto, provocando forte calor, segundo relatado dos PMs.

Dentro do barril, de acordo com registro da Polícia Civil, haviam fezes e urina. “A criança não conseguia se sentar, as correntes em que estava presa a impediam de fazer isso. “O menor aparentava estar subnutrido e disse para a equipe policial que estava consumindo suas próprias fezes porque não estava recebendo alimentos há aproximadamente quatro ou cinco dias, e disse ainda que há anos passa por tal situação”, diz trecho de boletim de ocorrência.

 “O menino ficar amarrado é um tratamento pior do que dado a um animal. A criança não tinha como sentar. A perna dela estava inchada por causa de ter que ficar em pé [o tempo todo]”, acrescentou o delegado.

Em depoimento, o pai da vítima que foi indiciado e preso em flagrante pelo crime de tortura, alegou que o filho “era muito agitado dentro de casa” e que ele decidiu acorrentar a criança “para educar o menino”.

Às duas mulheres, a Polícia Civil estipulou fiança de R$ 5.000, pelo fato de elas terem sido omissas ao crime de tortura. Não foi informado se ambas permaneciam presas até a publicação desta reportagem, assim como o resultado da audiência de custódia do pai do garoto torturado

O MP (Ministério Público) anunciou nesta segunda que irá instaurar um procedimento para acompanhar o caso.

O conselheiro tutelar Moisés Sesion da Costa, que junto com outros quatro conselheiros cuida da região onde o garoto foi encontrado acorrentado, afirmou nesta segunda que a criança permanece internada e que, após ter alta, será encaminhada para um abrigo. “Ele ainda está no hospital mais para o preservar do que por uma questão de saúde”, explicou.

“O Conselho Tutelar requisitou serviços de acompanhamento sócio-assistencial para essa família, que estava sendo feito [acompanhamento], ao menos na teoria. Precisamos ver o que foi feito na prática”, acrescentou.

Neste domingo (31), Costa afirmou que o conselho acompanhava denúncias de maus-tratos contra a criança há ao menos um ano. “A gente tinha conhecimento da vulnerabilidade da família, e por isso havia uma rede de apoio acompanhando [serviço social e saúde]. Em nenhum momento dos relatórios do serviço que o acompanhavam, chegou tamanha violência”, explicou, em coletiva de imprensa.

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