Libertado
no sábado (6/1) depois de pelo menos dez dias de detenção na Venezuela, o
brasileiro Jonatan Moisés Diniz disse no domingo (7) à reportagem que está
“bem”. Ele foi dúbio ao responder se foi torturado no período em que ficou sob
poder do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin). “Tortura depende
muito do ponto de vista de uma situação”, escreveu em mensagem enviada pelo
Facebook.
Em um post publicado no sábado na rede social,
Diniz afirmou que participou de “muitos protestos” contra o presidente Nicolás
Maduro, mas também fez críticas à oposição. “Sim, odiei muito Maduro nesse
tempo por todas as bombas lacrimogêneas que tive que respirar e sim, vi muita
barbaridade tanto de um lado quanto do outro”, escreveu.
“Quando eu não chorava pela notícia de mais um
jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava
por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov no meio da avenida para
se prepararem para os confrontos, enquanto eu via adultos de 20, 30, 40, 50, 60,
70 anos olharem a situação e não fazerem merda nenhuma para afastar aquelas
crianças do perigo.”
Diniz relatou que foi ao país pela primeira vez como
mochileiro, em 2016, e se apaixonou por uma venezuelana. Depois que o
relacionamento acabou, o brasileiro morou por três meses na Venezuela, de maio
a agosto de 2017, período que registrou os protestos mais intensos contra o
regime de Maduro. Ele disse ter gasto a maior parte de suas economias no fim do
ano com o projeto Time to Change the Earth (Tempo de Mudar a Terra), cujo
objetivo era doar roupas, brinquedos e comida a famílias venezuelanas.
“Eu não me envolvo em política, não me envolvo
em nenhum desses teatros criados por pessoas ocultas para fazermos (sic)
acreditar que existe democracia. Eu não sou lado A nem lado B… Eu só não quero
ver crianças morrerem por nossa culpa, por o que nós adultos criamos na Terra”,
escreveu no Facebook.
No texto, Diniz agradeceu o apoio que recebeu,
mas não fez referência direta a sua detenção nem às condições em que foi
mantido na Venezuela. Disse ainda que não revelaria sua localização.
Diniz desembarcou no sábado à noite em Miami.
Segundo fonte do Itamaraty, ele conversou por telefone com um diplomata do
Consulado do Brasil na cidade e afirmou que não precisava de assistência.
Sua detenção foi anunciada no dia 27 pelo número
dois do chavismo, Diosdado Cabello, que acusou o brasileiro de usar uma ONG
como fachada para financiar opositores de Maduro. O Itamaraty só foi comunicado
oficialmente da prisão na sexta-feira por um alto funcionário do Ministério das
Relações Exteriores. No dia seguinte, a mesma pessoa entrou em contato com a
diplomacia brasileira para informar que o Ministério Público havia decidido
puni-lo com a expulsão do país.
Diniz vive na Califórnia há pelo menos quatro
anos e estava com sua carteira de motorista americana quando foi detido, ao
lado de três venezuelanos. Cabello insinuou que as atividades do brasileiro
eram patrocinadas pela CIA.
A família de Diniz, que vive em Camboriú (SC),
negou as acusações. “Os venezuelanos acreditaram que ele era americano e, por
mais que ele insistisse em dizer era brasileiro, não acreditaram. Por isso,
eles disseram que ele era um informante da CIA, alguém patrocinado pelos EUA. O
que é um absurdo”, disse o irmão de Diniz, Juliano, antes de sua expulsão. O
governo venezuelano não se manifestou após a libertação de Diniz.
(Metrópoles/Foto
reprodução/redação JAL)



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