A motivação do crime que chocou moradores do Setor
Leste do Gama na madrugada de ontem é desconhecida. A princípio, a Polícia
Militar considerava que Palloma Lima, 18 anos, teria sido morta durante uma rodada do jogo “roleta
russa”. Nele, os participantes deixam uma bala no tambor do
revólver, giram e disparam o gatilho, sem saber se o projétil sairá da arma —
que pode ser apontada para qualquer um. No entanto, a Polícia Civil não
confirma a versão e investiga o crime. Enquanto o autor considera o crime um acidente fatal, a mãe da vítima, Vanuza Pereira da Silva, 43,
desconfia que o homicídio tenha sido motivado por ciúme. A família se prepara
para o sepultamento, marcado para hoje, às 11h30, no Cemitério do Gama.
Familiares e amigos
presentes na casa da jovem na tarde de ontem descartam a hipótese de que o
crime tenha acontecido durante o jogo “roleta russa”. Pessoas que alegam
conhecer o autor dos disparos, Leonardo Leone de Oliveira, 27, garantem que ele
tinha uma pistola em casa. A arma em questão não tem tambor, parte necessária
para colocar em xeque a posição da bala durante o jogo, antes do disparo do
gatilho. A Polícia Civil, porém, não localizou o armamento.
Além de desconfiarem
da principal hipótese levantada sobre o caso, testemunhas relatam que o autor
demonstrava sentimento de posse em relação à vítima com frequência. A mãe
concorda com os relatos e denuncia que o rapaz estava envolvido com tráfico de
drogas. “Não sei por que ele fez isso com ela. Só Deus sabe o que aconteceu
naquele quarto. Não pode ter sido só ciúme”, lamenta. “Nunca suspeitei que ele
pudesse matar a minha filha, mas, pela vida que ele levava, não me surpreende”,
completa.
Quando foi ao
Hospital Regional do Gama, após receber a notícia de que a filha tinha sido
baleada, a mãe entrou em desespero. “O rostinho dela estava lindo, mas o olho
estava roxo. Pode ter sido uma pancada que ela levou dele antes de morrer”,
cogita a mulher. “Eles a deixaram no hospital como uma indigente e fugiram. Mas
ela tem família, não é sozinha no mundo”, acusa.
Palloma namorava Leonardo há cerca de seis meses,
de acordo com a família da vítima. “Uma menina que não fazia mal para ninguém,
sem vícios, muito educada”, descreve a mãe. Apesar da pouca idade, tinha um
filho de três anos, atualmente sob cuidados da bisavó.
Na noite da última
segunda-feira, Palloma Lima estava com o namorado em um quarto dentro da casa
da avó do rapaz, no Setor Leste do Gama. A senhora relatou ter ouvido o som de
disparo de arma de fogo. No entanto, não se sabe o que houve entre o momento do
tiro e a abordagem dos agentes da PM, feita em Santa Maria, enquanto o autor do
crime fugia.
A PM fazia uma ronda
de rotina quando recebeu a informação de que um Fiat Palio branco havia deixado
uma vítima em estado grave no Hospital do Gama. Em seguida, os policiais
encontraram o veículo, repleto de marcas de sangue.
No carro estavam
Leonardo Leone, autor do homicídio, Fabrício Mateus Costa Pereira, 20, condutor
do Palio, e um casal — uma mulher de 21 anos com o namorado, de 20. Ela alegou
ter presenciado Leonardo atirar na cabeça de Palloma. O namorado da testemunha
não teria relação com o crime. O motorista revelou que deixaria o autor em
Valparaíso (GO) e admitiu a fuga.
Na 20ª DP (Gama),
Leonardo foi preso em flagrante por homicídio. O outro envolvido foi autuado
por tráfico de drogas, posse de munição e favorecimento pessoal. Na residência
dele, os policiais encontraram 30 munições, uma planta de maconha, um tablete,
dois cigarros e fragmentos da droga.
Em entrevista ao
programa DF Alerta, o autor do disparo alegou que a morte foi uma fatalidade. A
vítima teria brincado com a arma. “Quando peguei, na minha mão, ela disparou”,
alegou.
(J.Br/Fotos
reprodução/João Stangherlin/redação JAL)




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