Deputado federal foi condenado a sete anos de prisão por lavagem de dinheiro
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira o início da execução de pena do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). Maluf foi condenado pelo STF, em maio, há sete anos, nove meses e dez dias de prisão, por lavagem de dinheiro. A defesa do deputado recorreu da decisão, mas o recurso foi rejeitado pelo ministro. Fachin determinou que o início da pena seja cumprido em regime fechado.
“A manifesta inadmissibilidade dos embargos infringentes ora opostos, na esteira da jurisprudência desta Suprema Corte, revela seu caráter meramente protelatório, razão por que não impede o imediato cumprimento da decisão condenatória”, escreveu Fachin, que delegou a expedição do mandato de prisão para o Juízo das Execuções Penais do Distrito Federal.
O advogado de Maluf, Antonio Carlos de Almeida
Castro, conhecido como Kakay, afirmou que ainda não teve acesso a decisão, mas criticou
o entendimento do ministro:
— É uma decisão para mim teratológica, porque a
admissão dos embargos é jurisprudência pacificada no Supremo. Não conheço
nenhuma decisão que coloque dúvida a possibilidade de interposição de embargos
quando há votos vencidos. E temos votos vencidos na preliminar e no mérito.
Sequer consigo entender a decisão dele. Nunca vi essa decisão em absolutamente
nenhum lugar — avaliou Kakay.
A assessoria do parlamentar informou que ele está
em São Paulo.
De acordo com a sentença, Maluf desviou recursos
das verbas para a construção da Avenida Águas Espraiadas, em São Paulo, quando
ele foi prefeito da cidade (1993-1996). O prejuízo aos cofres públicos teria
sido de aproximadamente US$ 1 bilhão.
O dinheiro teria sido enviado ao exterior e
circulou em contas bancárias supostamente mantidas pela família do deputado na
Suíça, Inglaterra e na ilha de Jersey, localizada no Canal da Mancha, a partir
de distribuição feita de uma conta nos Estados Unidos.
A obra foi executada na década de 1990 por um
consórcio formado pelas construtoras Mendes Junior e OAS, ao custo de R$ 796
milhões, em valores da época. Segundo as investigações, a Mendes Junior
subcontratou várias empresas para vender serviços fictícios, cobrando propina
de 10% do valor dos contratos.
O dinheiro teria sido enviado para o exterior por
meio de doleiros contratados pelas próprias construtoras. As contas fora do
país teriam sido abertas em nome de parentes de Maluf. Na avaliação do relator,
Edson Fachin, ficou comprovado que o deputado tinha consciência das
irregularidades cometidas.
(O Globo/Foto: Wilson Pedrosa-Estadão/redação JAL)



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