O empresário Pedro Bettim
Jacobi, 40 anos, foi preso nesta terça-feira (5/12)
pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em
cumprimento a mandado expedido pela Justiça por violência doméstica. Ele
estava em uma chácara em Brazlândia. Além da prisão, foi
cumprida ordem judicial de busca, sendo apreendido farto material
como documentos, computadores, HDs externos, celulares e três armas de fogo.
Jacobi já foi indiciado
pela Polícia Civil por furto qualificado, estelionato,
apropriação indébita e extorsão em outro caso. Ele é acusado de transferir
cerca de R$ 600 mil da conta da ex-mulher Renata Gerusa Prado Araújo, uma
advogada de 36 anos, sem autorização dela. Também teria roubado cheques e se
apropriado de bens da vítima, como um Porsche Panamera avaliado em mais de R$
500 mil.
Após o fim do relacionamento, a mulher alega
que o empresário teria roubado dados sigilosos dos clientes de seu
escritório, além de conversas pessoais armazenadas em seu celular.
Supostamente, Pedro a chantageava para que o conteúdo não fosse divulgado.
Todas as acusações constam no inquérito policial.
Segundo o pedido de prisão preventiva assinado pela
juíza Marília Garcia Guedes, do Terceiro Juizado de Violência Doméstica e
Familiar Contra a Mulher, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e
Territórios (TJDFT), o empresário ameaçou a vítima ao se aproximar dela, no
último dia 21, e gritar de dentro de um veículo: “acaba com os processos
ou eu vou acabar com a sua vida”. As ameaças teriam sido feitas mesmo estando à
mulher amparada por medidas protetivas.
A delegada Sandra Gomes Melo, da Deam, contou que
Jacobi tentou fugir quando a polícia foi à casa dele. De acordo com ela, o
acusado chegou a sair de carro em alta velocidade, mas foi perseguido e
preso na BR-080. “Ele era muito difícil de ser localizado. Bem o perfil do
estelionatário”, afirmou a policial.
Em
setembro deste ano, o nome dele
voltou a ser notícia. Em meio à pendenga conjugal, Jacobi
entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um envelope
com documentos e áudios de conversas mantidas entre a ex e o diretor
jurídico do Grupo J&F e delator Francisco Carlos de Assis, além
de outras pessoas.
No diálogo, os dois
mencionam tráfico de influência e supostos “pagamentos em espécie” a ministros
do Superior Tribunal de Justiça (STJ). São citados os nomes de
Napoleão Maia, Mauro Campbell e João Otávio Noronha, além de Gilmar Mendes.
Em nota divulgada na época em
que a revista Veja publicou o conteúdo do material, Renata afirmou,
em nota, que a denúncia “se baseia em material mentiroso, com claros
sinais de edição, elaborado e fornecido por pessoa com quem tive curto
relacionamento – no qual, desde o início, fui vítima de estelionato
– que terminou com uma ação de divórcio litigioso e pedido de nulidade de
casamento”. Jacobi, por sua vez, garantiu que foi a própria advogada quem lhe
entregou as informações.
Embora tenha saído da toca para
entregar o material explosivo contra a ex-mulher à PGR, Jacobi não era
encontrado pela polícia nem pelos oficiais de Justiça para receber intimações.
Mesmo procurado pelos
investigadores para prestar depoimento, sendo julgado em um processo milionário
e tendo um pedido de prisão decretado pela Justiça, Jacobi usava
as redes sociais para mostrar uma vida diferente, regada à ostentação, com
fotos de viagens internacionais e carros de luxo. A reportagem não
localizou o advogado do empresário.
Em outubro, ele foi
condenado a pagar R$ 14,2 milhões ao filho de um
senador da República e à mulher de um ex-presidente do fundo de pensão do Banco
do Brasil, a Previ. Pedro Jacobi os procurou, em 2009, com uma
proposta de investimento que poderia render uma fortuna. O problema é que
os dois precisaram recorrer à Justiça para recuperar o prejuízo.
Foi julgado à revelia. Ou seja,
não compareceu ao julgamento. Nem sequer indicou advogado. Esteve representado
pela Defensoria Pública, como determina a legislação. Na ação, as vítimas,
cujos nomes foram preservados, pediram ressarcimento de R$ 22,3 milhões, mas o
juiz não acatou o pedido de juros e mora.
De acordo com o processo, em 2
de março de 2009, os dois investidores fecharam contrato com Jacobi.
Depositaram R$ 2,3 milhões na conta dele. O negócio envolvia a venda da
mineradora Octa Ferro, de propriedade do “Don Juan”, a terceiros. Os nomes das
vítimas foram resguardados.
Para atrair os
parceiros, mostrou dados e informações, garantindo que a empresa
valia, no mínimo, R$ 297 milhões. Quem aportasse capital receberia de volta o
que foi investido, além de um lucro substancioso. Chegou a levar o filho
do senador a Las Vegas (EUA), para mostrar que tinha dinheiro e influência.
A venda deveria ocorrer em um
prazo de quatro meses, a contar da data de assinatura do contrato de
investimento. Caso a transferência não fosse efetivada, Jacobi tinha
que devolver o valor aplicado. Porém, ele desapareceu com o
dinheiro, o que levou as vítimas à Justiça para receber o valor de
volta, corrigido.
Segundo o advogado que
representa os investidores, o empresário, durante dois anos e sete meses, “os
enrolou, sempre apresentando a vã promessa” de que a venda seria realizada ou
que poderia devolver o capital investido.
Pressionado, Jacobi propôs
um novo acordo em outubro de 2011. Ele pagaria R$ 13 milhões aos
investidores se a venda fosse concretizada em um ano ou caso uma outra
mineradora de sua propriedade, a Golden Tapajós Mineração Ltda., iniciasse a
produção de ouro. Assim, ele teria como arcar com a dívida.
O tempo foi passando, e o
ressarcimento não ocorreu. No processo, os investidores afirmam que, embora as
partes tivessem assinado o acordo, Pedro Jacobi tentou, mais uma vez, se
esquivar da obrigação.
A ousadia foi tamanha que
ele falsificou a assinatura e o reconhecimento de firma no Instrumento de
Confissão de Dívida, no qual ele se comprometia a pagar as taxas. A adulteração
do documento está sendo investigada pela Delegacia de Falsificações e
Defraudações do Distrito Federal.
(Metrópoles/Foto:
Pedro Alves/redação JAL)



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