A Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos, do Senado Federal, vai investigar a denúncia
de favorecimento da prostituição de menores contra Wilmar Lacerda (PT),
suplente do senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Na terça-feira (21/11), o parlamentar
José Medeiros (PSD-MT), membro da CPI, apresentou requerimento pedindo a
íntegra do inquérito policial que indiciou Lacerda pelo crime.
“Considerando o trabalho a ser
desenvolvido para investigar as irregularidades e os crimes relacionados aos
maus-tratos a crianças e adolescentes no país, requeiro que esta comissão
parlamentar de inquérito solicite, à Vara Criminal de Planaltina (DF),
cópia da íntegra do Inquérito Policial n° 1.061/2017”, afirma o requerimento.
À reportagem, o senador José Medeiros afirmou que o objetivo
do pedido é averiguar a veracidade da denúncia. “Ficamos sabendo
do episódio por meio da imprensa. A história se transformou em um
disse me disse e queremos entender o que é verdade e o que é boato”,
explica.
Chefe de gabinete da liderança do Partido dos Trabalhadores
no Senado, Wilmar Lacerda é acusado de manter encontros sexuais com uma jovem
de 17 anos, moradora de Planaltina, em troca de lanches. O petista assumiria o
mandato de senador da República em 1º de dezembro, quando o titular, Cristovam
Buarque, se licenciaria para fazer pré-campanha pelo Brasil. Com a repercussão do caso, no entanto, o senador suspendeu a
cessão do cargo.
Nesta semana, a Polícia Civil indiciou Lacerda por
favorecimento da prostituição de menor. Em depoimento a investigadores da 31ª
Delegacia de Polícia (Planaltina), que investiga o caso, a jovem afirmou que o
primeiro encontro com o petista ocorreu em um bar da Quadra 5 da cidade. Em
outro, os dois teriam almoçado no Torre de Pisa, no Shopping Conjunto Nacional.
O restaurante é especializado em doces e salgados, mas também vende comida a
quilo.
Após a refeição, o petista
teria convidado a jovem para o apartamento dele, ocasião em que aconteceu a
primeira relação sexual entre os dois. A menina teria sido aliciada por uma
mulher de Planaltina conhecida como Rebeca. Apesar das promessas da
cafetina de que seria bem remunerada, segundo relato da adolescente,
Wilmar se recusava a lhe dar dinheiro.
“A declarante manteve relação
sexual com Wilmar Lacerda por cinco vezes, o qual nunca pagou em espécie, pois
dizia que não tinha dinheiro, mas sempre pagava um lanche”, consta em um dos
trechos do boletim policial.
A garota disse ainda que,
apesar de ter pedido, o petista não utilizava preservativos durante as relações
sexuais. “Recorda que Wilmar não gostava de usar preservativo e dizia que não
havia risco de a declarante engravidar, pois havia feito um procedimento de
retirada de sêmen e guardado em uma clínica”, descreve a jovem no boletim de
ocorrência.
A versão foi corroborada pela
mãe da adolescente, que afirmou não ter aprovado o relacionamento dos dois.
“Depois que a apertei, ela confessou que saía com ele [Wilmar Lacerda] porque
podia comer em restaurantes. Aqui em casa, às vezes, não tinha o básico para
almoçar”, disse a mulher, que está desempregada e é mãe de seis filhos.
A ocorrência ainda
cita outros quatro homens que também teriam pago para fazer sexo com a
menina. A pena prevista para o crime de favorecimento da prostituição de
menores varia entre quatro e dez anos de reclusão.
Após a divulgação do caso,
Wilmar Lacerda confirmou o envolvimento com a jovem e disse se tratar de
um “relacionamento normal”. “Não ocorria às escondidas ou
por meio de pagamento de qualquer espécie”, afirmou o político, que é casado.
Para Wilmar Lacerda, “é
estranho” o registro policial ter sido feito somente agora, um ano depois do
caso, quando ele assumiria o cargo público de senador. Ainda segundo o
petista, “os chamados ‘lanches’ eram nada mais do que refeições em locais
públicos, como restaurantes e shopping”.
Wilmar Lacerda não atendeu às
ligações da reportagem nesta quarta-feira (22) para comentar o procedimento na
CPI dos Maus-Tratos.
(Metrópoles/Foto:
Alessandro Dantas/redação JAL)



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