Alta de 2,21%
acumulada no ano, no entanto, é a menor em quase 20 anos
Puxada
por alta de energia elétrica e do botijão de gás, a inflação oficial
brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou
para 0,42% em outubro, informou o IBGE nesta sexta-feira. A expectativa dos
analistas ouvidos pela Bloomberg era de inflação de 0,48% na margem e de 2,76%
em 12 meses. No ano, a inflação acumula alta de 2,21% até outubro, o resultado
é menos da metade dos 5,78% de igual período do ano passado.
No
acumulado em 12 meses, o índice também cresceu, para 2,70%, mas ainda muito
abaixo do centro da meta do governo, que é de 4,5%.
O
resultado do mês foi puxado para cima pelas altas de 3,28% nas tarifas de
energia elétrica e de 4,49% no preço do botijão de gás. Juntas, essas duas
altas corresponderam a 40% do IPCA geral do mês.
Por
causa das altas da energia e do gás, o grupo de preços da habitação (aluguéis)
foi o que teve maior variação em outubro. A inflação desse grupo de preços
cresceu 1,33% ou impacto de 0,21 pontos percentuais na formação do índice
geral. Metade do IPCA de outubro veio das altas nesse grupo.
A
alta na energia ocorreu porque a partir de 1º de outubro entrou em vigor a
bandeira tarifária vermelha patamar 2, representando uma cobrança adicional de
R$ 3,50 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos. Em setembro, a bandeira
tarifária vigente era a amarela, incidindo um adicional de R$ 2,00 a cada 100
Kwh consumidos.
Das
regiões pesquisadas, o item variou de até 18,77% como em Goiânia. Nesta região,
além do reajuste médio de 15,70% no valor das tarifas (a partir de 22 de
outubro), houve aumento na alíquota do PIS/COFINS. Destaca-se também os
reajustes médios de 6,84% em Brasília (em vigor desde 22 de outubro). A alta no
preço do gás de botijão é reflexo do reajuste médio, nas refinarias, de 12,90%
no preço do gás de cozinha vendido em botijões de 13kg, em vigor desde 11 de
outubro.
Pelo
sexto mês consecutivo, o grupo dos alimentos apresentou deflação, desta vez de
0,05%, porém bem menos intensa do que a registrada em setembro (-0,41%). A
última vez que o preço médio desse grupo caiu por seis vezes seguidas foi em
1997, de abril a setembro daquele ano. O acumulado no ano é o menor registrado
para o período desde a implantação do Plano Real em 1994.
A
meta estabelecida pelo o governo para a inflação deste ano é 4,5%, com
tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. De acordo com o mais recente
Boletim Focus do Banco Central, divulgado na última segunda-feira, a previsão
para o resultado fechado do ano é de 3,08% para a inflação. Essa previsão foi
mantida com relação à semana anterior. Se as projeções estiverem corretas,
portanto, o IPCA encerrará o ano abaixo do piso da meta.
(Daiane Costa-O Globo/Foto reprodução/redação JAL)



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