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Novo TAC é assinado pela Administração do Lago Norte contra assédio religioso



A Administração Regional do Lago Norte assinou Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT) se comprometendo a não permitir, não tolerar e não submeter os servidores a situações de assédio moral e religioso. O descumprimento do acordo pode resultar no pagamento de multa de até R$ 50 mil por trabalhador atingido e por conduta lesiva.
O TAC é um dos resultados da investigação que tramita no MPT desde 2014, sobre casos de intolerância religiosa e assédio moral ocorridos na administração, durante a gestão da deputada distrital Sandra Faraj (Solidariedade) e seu ex-chefe de gabinete Ricardo Lustosa Jacobina. Ambos respondem a inquérito civil em andamento. O caso foi divulgado pelo Metrópoles em outubro de 2015.
Pela legislação, o assédio moral é configurado por exposição dos trabalhadores a situações humilhantes, constrangedoras e repetitivas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Segundo consta na denúncia, a equipe da então administradora fazia culto no local de trabalho e quem se recusava a frequentar era excluído do espaço físico, além de ser perseguido.
Em um dos trechos, relatou-se a transferência de servidores para outro setor por causa da religião: “Retiraram os servidores das antigas acomodações no segundo andar do edifício e no térreo. (Os servidores da topografia) foram lotados numa sala sem iluminação e ventilação natural e com a divisão com a sala do servidor de computadores. A situação é desumana e poucos se importam.”
O MPT também enviou à deputada Sandra Faraj proposta de acordo prevendo pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos. A quantia seria revertida a uma instituição com foco na área de proteção à liberdade religiosa. A parlamentar tem 20 dias para se manifestar. A assessoria da distrital informou desconhecer a proposta e que Sandra Faraj não foi notificada.
As denúncias também são alvo de um inquérito por improbidade administrativa contra a distrital no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

O MPT determinou à administração, na medida extrajudicial, o combate a condutas que resultem em discriminação, segregação ou prejuízo dos trabalhadores em razão de sua opção religiosa. Enfatizou também a necessidade de o órgão realizar seminários e workshops, ao menos uma vez por ano, destinados ao esclarecimento sobre o direito à liberdade religiosa e à saúde mental no trabalho.
Campanhas publicitárias com o mesmo tom estão entre as determinações do TAC, assim como a edição de normas internas para apurar possíveis práticas ilegais denunciadas. “Para mim, o tema de direitos humanos é claro, inclusive na minha dissertação de mestrado. Agradeci à procuradora por ter feito o TAC porque me dá uma liberdade de conduta para trabalhar o assunto na administração”, afirmou Marcos Woortmann, atual administrador regional do bairro.
Ele entende que o tema é  “polêmico e suscita paixões muito fortes”. Na opinião de Woortmann, é preciso agregar, e não segregar, os funcionários religiosos do órgão.
A procuradora Renata Coelho acredita ser o assédio moral no trabalho um elemento causador de dano à personalidade, à dignidade, à intimidade ou à integridade física e psíquica. De acordo com ela, “constitui exposição de trabalhador a situação humilhante, intimidatória ou constrangedora, por chefe, superior hierárquico ou por qualquer colega de trabalho, que implique rebaixamento moral, miséria psicológica, abalo emocional, violação de valores íntimos ou bens inatos, afetação da autoestima ou abuso de direito, malferindo o patrimônio moral do trabalhador ou repercutindo negativamente no ambiente de trabalho”.
Evangélica atuante, Sandra Faraj foi acusada por servidores de forçar ex-funcionários da Administração Regional do Lago Norte, chefiada pela parlamentar em 2013 e 2014, a frequentarem cultos da religião dela. Segundo denúncias de ex-subordinados, Sandra teria impedido que eles usassem símbolos de crenças diferentes à dela no trabalho e até exonerado comissionados de outras religiões.
Segundo o MPT, durante o inquérito, a deputada distrital deixou de comparecer pelo menos três vezes para depor. Uma das justificativas era de que estava doente. Como gestora de órgão público, Sandra figura como testemunha na ação. O principal investigado é o Governo do DF, a quem ela representava como administradora regional.
À época, a distrital negou as acusações. “Isso é perseguição religiosa. Eu não interfiro na religião de ninguém porque o que me interessa é o perfil técnico”, afirmou. Ela disse acreditar que as denúncias tenham partido de um grupo “insatisfeito” após a administração dela ter sido “dura com muita coisa que não estava funcionando bem”.
Ricardo Lustosa não foi localizado até a publicação desta reportagem.


(Metrópoles/Foto: /redação JAL)

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