Aos quatro anos de vida, Gheanny Karolyne Sousa
dos Santos foi morta após um carro desgovernado atingir sua casa, enquanto ela
assistia televisão. Além dela, o pai e a mãe estavam na residência, que fica na
Quadra 318 do Itapoã. Os dois sofreram pequenos ferimentos e foram encaminhados
ao Hospital Regional do Paranoá. A pequena foi prensada pelo veículo, por isso
não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
No automóvel havia duas pessoas: Hegon Henrique
Brito Xavier, o condutor, de 24 anos, e a namorada dele, que é menor de idade.
Segundo relatos de moradores da região, o casal brigava minutos antes. A mãe do
motorista, Simone Clara, confirma a versão: “Eles estavam brigando há dois
dias. Não sei por qual motivo”.
A cabeleireira afirma que o filho nunca bebeu,
mas que, antes de sair com o carro, ele teria tomado dez comprimidos de
calmante. A Polícia Militar fez o teste do bafômetro, que não apresentou
nenhuma alteração. Por outro lado, a corporação aponta que o rapaz estava
aparentemente drogado.
Hegon dirigia
em alta velocidade. Em frente à casa, não há nenhuma marca de frenagem. Ele
atingiu uma retenção na entrada da residência, o muro e mais duas paredes
internas. A mãe acredita que o filho passou mal e não viu nada. “Ele tem asma
crônica. Às vezes, por ter tomado esses remédios, ele pode ter passado mal.
Porque ele não freou o carro. É um bom motorista”, argumenta.
Ao lado de
Simone estava Kamila Karolyne Ferreira Barbosa, de 16 anos. Ela chorava
inconsolavelmente enquanto olhava para a marca de sangue da irmã no chão.
Segundo a Polícia Militar, populares retiraram o corpo da criança de dentro de
casa para tentar reanimá-la, mas, quando viram que não seria possível,
retornaram para dentro do imóvel.
Kamila não
estava em casa na hora do acidente. Só ficou sabendo do ocorrido depois que a
alertaram. “O meu cunhado me chamou, disse que tinha um monte de gente na minha
casa”, conta. “Quando eu entrei vi a cena, foi horrível”, lamenta. Kamila
ajudava a mãe a cuidar da criança.
Agora, ela
espera que o rapaz seja preso. “Eu quero justiça, ele tirou minha irmã de mim”,
protesta. Quanto às lembranças de Gheanny, ela garante que serão as melhores.
“Era uma criança tão boa, calma, brincava o dia todo”, relembra.
Os pais de
Kamila se feriram, mas sem gravidade. Paula Maria Ferreira de Souza e
Ildebrando Ferreira dos Santos foram encaminhados ao Hospital do Paranoá. Hegon
e a namorada foram levados à 6ª DP (Paranoá). Ele foi preso em flagrante e
responderá por homicídio.
A família pode perder a residência
Uma equipe Defesa Civil também esteve na casa e anunciou que a
residência corre risco de desabar, pois a batida afetou a estrutura. Um laudo
ainda vai atestar a gravidade do estrago.
A pista que dá acesso à casa de Gheanny não possui quebra-molas. Segundo
o líder comunitário Vander Lopes de Góis, 31, é comum que carros em alta
velocidade passem pelo local. Ele aponta ainda só neste mês já houve um
atropelamento na via, que tem cerca de 3 km. “Carros, ônibus, polícia… Todos
passam rapidamente. Já vi vários acidentes com crianças. Esse mês um carro lá
embaixo atropelou um cara e as pessoas quebraram o carro todo. E no mês passado
um ciclista estava saindo de casa e o carro veio com tudo”, lembra.
Góis conta que desde o governo passado a comunidade do Itapoã reclama da
falta de lombadas. “Na época recapearam a pista, mas retiraram todos os quebra-molas.
Isso tem mais de quatro anos. O outro governo disse que ia colocar, mas não
colocou. Então, estão acontecendo as tragédias aqui”, critica.
Depois dessa fatalidade, o líder comunitário garantiu que vai viabilizar
junto aos moradores, por conta própria, a construção de quebra-molas na pista.
“A gente vai ter que se reunir para fazer, porque não dá para esperar mais
ninguém morrer e o governo ter a iniciativa de vir fazer. É muito perigoso”.
(J.Br/Foto: Kléber Lima/redação JAL)



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