Uma vida de luxo, carros
importados e festas!
Segundo a polícia, esse
era o cotidiano do médico Maikow Araújo, 36 anos, preso pela Coordenação de
Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil, após o cumprimento do mandado de
prisão preventiva por associação para o tráfico de drogas. Ele estava foragido
desde o mês passado. Para prendê-lo, os policiais tiveram que se passar por pacientes e
marcarem uma consulta. Ele atendia como endocrinologista sem obter a
especialização.
O delegado da Cord,
Leonardo de Castro, explica que Maikow tinha um consultório em Brasília e outro
em Goiânia. O preço da consulta chegava a R$ 600. “Os clientes dele eram
pessoas que tinham dinheiro, da alta classe. Até por isso não dá para dizer que
os bens dele eram provenientes do tráfico, já que era bem remunerado”, explica.
O médico dirigia veículos importados, conhecia pessoas da alta sociedade e
frequentava festas badaladas. Não era possível perceber o envolvimento dele com
criminosos.
Por conhecer pessoas das
duas capitais, Maikow acabou intermediando negociações entre os traficantes das
duas cidades. “Ele possuía uma amizade antiga com alguns dos suspeitos. Ele
negociava o preço e o modo de entrega com traficantes de Goiânia e passava as
informações para traficantes da Asa Norte e Águas Claras”, comenta o delegado.
As drogas variavam entre maconha e cocaína.
Por
causa disso, o médico recebia uma comissão. Em duas ocasiões a polícia
identificou que ele recebeu R$ 3 mil e R$ 1 mil por transações de cocaína
concretizadas. As investigações também apuraram que Maikow chegou a receber entorpecentes de uma “mula” e entregou a um
traficante do DF.
O mandado de prisão preventiva foi expedido em meados de julho.
O suspeito teria ficado sabendo por meio do advogado e desapareceu. Por isso,
os policiais decidiram marcar a consulta. Nas primeiras vezes, ele cancelou o
compromisso em cima da hora, mas, na terça-feira passada, compareceu ao
consultório. Maikow recebeu voz de prisão durante um atendimento.
Os policiais encontraram roupas e itens de higiene pessoal no
carro de Maikow, o que indicaria que ele estava dormindo em lugares diferentes.
Apesar de ter ficado nervoso, ele declarou ser apenas usuário. Mas confirmou
que conhecia alguns dos traficantes e justificou que eram amigos de longa data.
O médico se formou em Paracatu (MG), além de possuir formação em
Farmácia no DF. No entanto, Maikow não tem especialização em endocrinologia. O
crime de associação ao tráfico de drogas prevê pena de 3 a 10 anos de prisão.
(J.Br/fotos: reprodução/redação JAL)



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