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| foto divulgação |
Cito, como exemplo, dois testes objetivos para
hospitalizar a força um dependente químico (“dilema” de Dória). Se ele
negativar os dois testes não precisaria hospitalizar.
1) Pergunte para ele, numa conversa de amigo, se
seria bom pra ele ficar livre do vício. Se ele responder, com sinceridade, sem
manipulação ou medo, que “sim”, mas não quiser hospitalizar-se, isso mostra que
seu cérebro está dividido, uma parte sadia quer, uma parte patológica não quer.
2) Faça um SPECT cerebral dele (exame de
medicina nuclear). Se o lobo frontal estiver normal, não interne. Se estiver
patológico, p.ex. área de hipoconsumohipofluxo, precisa hospitalizar, pois
é uma área que, quando anormal, impede o indivíduo de ter um correto
discernimento e controle dos próprios atos.
Na minha experiência, 36 anos atendendo casos
assim, em 100% dos casos de toxicomanos de rua, isso vai dar
positivo.
Abaixo cito depoimentos espontâneos de
dependentes que foram retirados à força das ruas, suas famílias, profissionais
de saúde que os atenderam:
a/ Depoimento de um ex-morador
da cracolândia, que é quem de fato interessa, sobre o que tenho dito:
Bom-dia dr, obrigado por me aceitar no facebook. Sou dependente
químico estou em recuperação, minha história não é diferente de muitas, Vejo
muitos Estudiosos falando muita teoria bosta na verdade, já convivi muito
na cracolândia também, lá é um assunto a parte, achei real a sua
abordagem, gostaria mais uma vez de parabenizá-lo, espero que por nós
o sr continue informando de forma correta a sociedade, obrigado pela
atenção.
b/ Se eu não tivesse feito a internação forçada
de minha mãe hoje ela não estaria viva e está bem agradecida limpa por 4 anos
(E.L.) ( amiga minha no FB)
c/ Meu filho fez três internações compulsórias
do pai e agora ele mora numa casa onde eu pago o aluguel e a comida dele. Ele
está com 60 anos.( R.P. ) depoimento FB.
d/ Marcelo, como prova viva de uma
excelente estrutura familiar, após uma internação de 11 meses em clínica
particular (nada judicial) voltei ao meu berço familiar e me encontro limpa há
8 anos, 10 meses e 2 dias! Ai de mim se não fosse minha família ao retornar para
a sociedade! Ai de mim de não tivesse boa vontade! Ai de mim se não fosse a
medicina! Ai de mim se não fosse Deus! (eu digo: nada vale mais a pena
pra um médico do que poder ouvir isso)
e/ “Olá, a respeito dessa críticas contra o
Marcelo nesse problema de dependentes, nessa cliníca estou fazendo
tratamento e tudo que médico fala faz sentido, estou presenciando tudo
lá.”(L.R.)( Eu digo: o melhor premio de um medico é a melhora do paciente)
f/ “Eu tinha preconceito com a internação devido
a várias informações erradas e negativas que recebemos. Depois que meu marido
foi internado num hospital psiquiatrico adequado passei a entender o
q o Marcelo Caixeta e equipe querem dizer, o trabalho que eles desenvolvem e
que muitas vezes não é valorizado”. (L.R.M.S)
g/ Uma ocasião internei uma paciente de
consultório, pedagoga, começou com drogas aos 12 anos e aos 36, já com HIV +,
eu lhe disse no consultório que ou ela internaria naquele momento ou
o ttto dela encerraria naquele momento e eu estaria fora, não a
trataria mais! Ela argumentou que tinha direito de escolha e eu neguei, naquele
momento eu decidiria e ela acataria, ou, encerraria minha participação! Ela foi
para o hospital, estava com uma agulha quebrada na região inguinal! Foi a
cirurgia, ficou 6 meses hospitalizada! Anos mais tarde, limpa há pelo menos 3
anos, subia uma quadra na área central de PoA e ao surgirem 2 PM em
sentido contrário, um jovem casal que estava a sua frente largou no chão,
disfarçadamente, uma trouxa de cocaína….ela viu, parou e deu-se conta de que
agora, ela podia decidir! Sorriu e seguiu seu caminho, passando por cima do
papelote! Choramos abraçadas qdo ela me relatou! A decisão médica
firme, no momento adequado, como regra, é salvadora!
Nos próximos artigos – terças, sextas,
domingos – continuaremos abordando a temática das drogas, da relação complicada
entre medicina e Justiça, da retirada forçada de toxicômanos das ruas,
sua hospitalização compulsória.
(Marcelo Caixeta, médico, especialista em psiquiatria
pela Universidade de Paris XI (Le Kremlin-Bicêtre), sub-especializado em
psiquiatria criminal (forense) pela Assoc. Bras. de Psiquiatria [marcelofcaixeta@gmail.com]. Escreve às terças , sextas, domingos, no
Diário da Manhã, acesso livre em impresso.dm.com.br)



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