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| foto: divulgação |
No mesmo dia em que
campanhas contra o abuso e a exploração sexual infantil chegaram às casas dos
brasilienses, devido à data nacional de luta contra o crime, um novo caso foi
descoberto pelo Conselho Tutelar da Estrutural. Uma menina de 12 anos estaria grávida
de seis meses após sucessivos estupros cometidos pelo padrasto. A mãe descobriu
o caso ontem e participou da denúncia, levando à prisão do criminoso confesso.
Casos como esse tiveram aumento de 25% no primeiro quadrimestre deste ano e
demonstram a necessidade de mais segurança.
O conselheiro tutelar
Clóvis de Souza Campos explica que recebeu mãe e filha após a denúncia do tio.
Assim, resolveu procurar a Polícia Militar e relatar o caso. Suposto autor do
crime, o catador L.P.G., 34 anos, foi encontrado na rua, perto da casa onde
todos moravam e, no início, negou as acusações, mas cedeu após um tempo.
A
mãe da vítima morava com o suspeito há três anos. A mulher, que também é
catadora no Lixão da Estrutural, tem outra filha de 11 anos, mas não há
informações que ela tenha sofrido abusos. O pai das meninas morreu há alguns
anos.
O outro conselheiro que acompanhou o caso, Djalma Nascimento,
afirma que a vítima se manteve em silêncio durante esse tempo porque era
ameaçada, e também temia que a mãe sentisse desgosto pela situação. “A vítima
se sente culpada. Ela tem medo da reação dos pais, da sociedade, e por isso
permanece calada”, complementa Clóvis de Souza.
Na experiência dos conselheiros, a maioria dos casos ocorre em
casa e, segundo Clóvis, os abusadores não têm cara nem classe social. Por isso
é preciso que os pais fiquem de olho, pois “a inocência e o silêncio da criança
levam o abusador a continuar”. A análise do conselheiro condiz com os dados da
Secretaria de Segurança Pública (SSP): além do aumento de 25% de janeiro a
abril deste ano (243) em relação ao mesmo período do ano passado (195), foi
descoberto que 63% desses crimes ocorreram dentro da casa da vítima ou do
autor.
O subsecretário de Gestão da Informação da SSP, Marcelo Durante,
salienta que em 68% dos casos existe vínculo entre abusador e o menor. “A gente
identifica que em 45% das escolas do DF há crianças com sinais de violência
doméstica. Campanhas são importantes por isso. Esses crimes são um problema
social”, observa. As campanhas estimulam as denúncias: 23% dos casos
registrados em 2017 ocorreram em anos anteriores.
(João Paulo Mariano)



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