Agentes do
Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que fizeram o atendimento do acidente
após o suposto racha ocorrido na L4, no último domingo, alegaram ter recebido
pressão para, de alguma forma, aliviar a situação dos envolvidos. A Polícia
Civil continua com as investigações e ouvindo testemunhas, enquanto a família
convive com a dor da perda e com a indignação das novas notícias. Eles preparam
uma ação para conscientizar e pedir justiça diante da tragédia.
O diretor-geral do
DER, Henrique Luduvice, garante que os agentes da instituição cumpriram tudo o
que é previsto na legislação. “Conversei
com eles (agentes) para que ficassem bem tranquilos. Eles expressaram que
pressões que aconteceram no local e posteriores telefonemas foram rechaçados, e
que cumpriram todo o serviço no limite da legislação”, afirma Luduvice.
Teria havido, por
parte de conhecidos dos suspeitos, uma tentativa de favorecê-los perante ao
ocorrido. Os condutores eram o advogado Eraldo José Cavalcante Pereira, o
bombeiro e enfermeiro Noé Albuquerque Oliveira e sua irmã, a militar do
Exército Fabiana Albuquerque Oliveira.
O diretor-geral do
DER admite que “não houve nenhuma
aferição de excesso de velocidade ou imagem por equipamento eletrônico na
avenida L4” no momento do acidente, nem há registro de multa.
Ontem, as
investigações da 1ª DP (Asa Sul) continuaram com mais testemunhas sendo
ouvidas. O estudante Pedro Henrique de Castro foi o último a dar o seu
depoimento. Ele viu parte do acidente, inclusive o momento em que o carro onde
estavam as quatro pessoas da mesma família capotou e bateu na árvore, levando à
morte de Cleuza Maria Cayres e de seu filho Ricardo Clemente Cayres. Pedro fez
imagens que demonstraram que o bombeiro Noé permaneceu ali em um primeiro
momento, antes de fugir.
O rapaz afirmou ao
delegado que, ao se deparar com o acidente, chegou perto para ver o que
ocorreu. Por um momento, Fabiana e Noé continuaram na L4. Ele ouviu a mulher
dizer que Eraldo havia sido levado por um amigo ao hospital. Para ele, o
bombeiro não estava com hálito etílico.
Passado o impacto
inicial, Renato Cayres, que perdeu mãe e irmão, começa a enxergar o assunto sob
outro aspecto: o da indignação. Para ele, que se diz revoltado, a pressão
sofrida por agentes do DER é absurda, “um deboche”. “Claro que isso tem que ser apurado. Essas notícias se somam a outras
situações que causam indignação”, reclama. Ninguém da família prestou
depoimento à polícia ainda, o que deve ocorrer na semana que vem.
A luta agora é para
não deixar o caso virar uma simples estatística e para que não seja considerado
normal. Para isso, a família vai organizar, até a próxima semana, um ato para
demonstrar a gravidade do acidente e pedir justiça. “Uma tragédia acontece, mas o que ocorreu foi um crime”, completa.
De acordo com a
Divisão de Comunicação da Polícia Civil, a fase de inquérito termina até a
próxima semana e os depoimentos dos familiares foram deixados para depois para
que pudessem recuperar-se do impacto da tragédia. Finalizado o inquérito e
concluída a perícia, o caso seguirá para a Justiça.
A reportagem esteve
no Centro de Saúde 3 do Riacho Fundo, onde o enfermeiro e bombeiro Noé
Albuquerque está lotado, mas ele não foi encontrado. O advogado de defesa dos
condutores informou que ninguém vai se pronunciar.
(Foto: Myke Sena/João Paulo Mariano)



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