O petista classificou de "absurdas" e
"inverossímeis" as acusações feitas pelos delatores da Odebrecht, disse estar tranquilo com a
situação e que terá a oportunidade, no dia 3 de maio, no depoimento que
prestará ao juiz Sérgio Moro, para esclarecer todos os fatos.
O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu-se nesta quinta-feira (13/4),
das acusações feitas em delação pelos ex-executivos do grupo Odebrecht e deixou
claro que, mesmo não sabendo o que vai lhe acontecer, está no páreo para
disputar novamente a presidência da República nas eleições gerais de 2018.
"Não sei o que vai acontecer
comigo, mas estou na disputa e vou provar que este País pode voltar a ser
feliz", disse o
petista à Rádio Metrópole de Salvador. A entrevista foi divulgada nas páginas
de Lula nas redes sociais. O ex-presidente mandou um recado aos adversários: "Podem ficar certos que eu vou brigar
pra voltar, pra fazer muito mais, porque já fiz este País ser quase a quinta
economia do mundo”.
Indagado
como recebeu as delações da Odebrecht, cujos vídeos e transcrições foram
liberados a público nesta quarta-feira (12/4), após o levantamento do sigilo
pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, Lula disse que há
dois anos não consegue passar um dia sem ver uma denúncia, uma leviandade, uma
mentira envolvendo o seu nome. Mas disse estar tranquilo com a situação e que
terá a oportunidade, no dia 3 de maio, no depoimento que prestará ao juiz
responsável pela Operação Lava-Jato, Sérgio Moro, para esclarecer todos os
fatos.
O petista
classificou de "absurdas" e "inverossímeis" as acusações
feitas pelos delatores da Odebrecht, dizendo que tudo precisa ser provado. "Eu desafio qualquer empresário a dizer
que Lula pediu R$ 10. Não posso perder a cabeça com uma coisa dessas, estou
tranquilo, vou me preparar para o meu depoimento no dia 3”. E frisou que
mais grave do que uma eventual prisão sua foi "o golpe" que levou ao
poder "alguém (Michel Temer)" que vem desmontando conquistas
históricas da classe trabalhadora.
"Eu acho que o que está por
detrás de tudo isso é tentar encontrar uma pulga para evitar que Lula seja
candidato em 2018. É isso que está em jogo”. E disse que, ao contrário do que pensam seus
adversários - que isso poderá lhe desanimar -, cada acusação que recebe mexe
mais com sua honra e brio e lhe dá muito mais disposição de brigar. "Pode me bater. Quem nasceu em
Garanhuns, como eu nasci, e não morreu de fome não tem medo de nenhuma
adversidade. Enfrentarei cada uma delas de cabeça erguida. E meu maior legado é
a minha honra, isso ninguém me tira”.
Na
entrevista, Lula rebateu as informações do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, que em delação afirmou
que o seu irmão, Frei Chico, recebia uma mesada por mês da empreiteira, a
pedido do petista. "Eu nunca dei um
real para meu irmão Frei Chico. Ele é mais velho do que eu, ele que me colocou
na política. E agora inventam que a Odebrecht dava R$ 5 mil pra ele por mês?
Ora, isso é problema deles. Acusam uma reforma em um sítio que não é meu... O
mesmo com o apartamento do Guarujá, que não é meu. Mas a Globo passou três anos
dizendo que era meu. Como que agora vai mudar?"
Para o
ex-presidente da República, apesar de todo este cenário em que a classe
política está no foco das delações dos ex-executivos da Odebrecht, não há
caminho fora da política. "Fora da
política é o fascismo. É preciso melhorar a classe política. Em 2018 isso pode
mudar, mas não pode eleger um Congresso como esse”.
Na
entrevista, Lula admitiu que a ex-presidente Dilma Rousseff cometeu erros em
sua gestão, mas destacou que ela própria os admitiu. E disse que nas gestões
petistas, se governava para os mais necessitados, sem o ódio que permeia a
sociedade de hoje. "O País precisa
voltar a encontrar seu caminho, sem ficar brigando, um chutando o outro”.
Sem citar
o nome de Moro, Lula disse que não está correto paralisar o País por conta de
uma investigação. "Estamos sendo
governados lá de Curitiba, não tem sentido isso”. Ele diz que é favorável
que se investigue tudo, mas não concorda com os vazamentos "feitos de
dentro" da sala do juiz, referindo-se ao depoimento de Marcelo Odebrecht,
tampouco com o fato de ser o principal alvo das investigações.
"Não dá para um procurador passar uma 1h30 dando uma entrevista
coletiva acusando o PT de organização criminosa sem nenhuma prova. Mas vou
enfrentar tudo isso. Na hora que julgarem algum crime meu, quero ser julgado. E
se não encontrarem, que peçam desculpas”. E emendou: "Não
podemos ficar subordinados a uma ditadura de um pequeno grupo do Poder
Judiciário. Não é possível ".
(CB)



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