A Câmara Legislativa e o Governo de Brasília podem
estar prestes a declarar uma guerra santa no DF. Pelo menos oito deputados
distritais da Casa, capitaneados pelo Bispo Renato Andrade (PR), acusam a
Secretaria de Cultura de preterir os artistas gospel em eventos públicos desde
o início do mandato. A gota d’água foi a programação do Aniversário de
Brasília, divulgada na última semana, que não contemplou nenhum segmento
religioso.
Ele garantiu, no entanto, que após seu discurso e
de outros parlamentares no plenário, na última quarta-feira, Reis entrou em contato
por telefone. “Achei uma atitude elegante
da parte dele”, reconheceu, mas sem aliviar para o lado da secretaria. “Eu reitero meu pronunciamento de que o
segmento (gospel) tem sido preterido ao longo desses anos (de governo)”,
esbravejou o distrital.
Em regime de contenção de gastos, o Governo de
Brasília anunciou investimento de R$ 265,4 mil para contemplar 29 atrações da
cidade que devem tocar durante os dias de comemoração. Além deles, a cantora de
ritmos nordestinos e de MPB, Elba Ramalho, foi anunciada como atração principal
em 21 de abril, na abertura da festa.
No dia seguinte, o grupo de pagode Raça Negra se apresenta no palco montado na Torre de TV. Em 23 de abril, fechamento das comemorações, o violonista Renato Teixeira será o grande nome da noite.
A Secretaria de Cultura foi procurada, mas não foi encontrada para comentar a situação.
No dia seguinte, o grupo de pagode Raça Negra se apresenta no palco montado na Torre de TV. Em 23 de abril, fechamento das comemorações, o violonista Renato Teixeira será o grande nome da noite.
A Secretaria de Cultura foi procurada, mas não foi encontrada para comentar a situação.
A disputa santa entre Câmara e Buriti se acirrou em
dezembro de 2016, na votação da Lei Orgânica de Cultura. A Frente Parlamentar
Evangélica, formada por nove deputados distritais, obstruiu o andamento do
projeto e também criticou a atuação da pasta de Cultura. À época, o titular
Guilherme Reis foi acusado de excluir os religiosos de “seus objetivos”.
Um dos argumentos dos evangélicos na Câmara é que,
no governo Agnelo, havia um palco dedicado exclusivamente ao gospel em grandes
eventos como o Aniversário de Brasília. Em 2014 foi o último ano que isso
aconteceu. Desde que assumiu, o católico Rodrigo Rollemberg não facilita a vida
dos artistas evangélicos, na avaliação da bancada.
“Quando
falamos de cultura gospel, não falamos apenas de música, mas de teatro e de
dança. Nenhuma manifestação cultural é tão intensa quanto o Morro da Capelinha,
por exemplo, mas existe coisa parecida nos evangélicos que precisa ser
observada”, ponderou Bispo Renato.
Ao que parece, essa disputa ainda vai exigir
algumas cruzadas à Câmara para ser resolvida. A Secretaria de Cultura,
procurada, não definiu posição.
(Eric Zambon)



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