Texto
recebeu 213 votos favoráveis e 188 contrários e vai à sanção de Temer. Proposta
autoriza contratação de terceirizados para atividades-fim
Em mais
uma vitória do governo no Legislativo, a Câmara dos Deputados aprovou, ontem, o
projeto de lei que regulamenta a terceirização da mão de obra nos setores
público e privado. Na sessão, que durou o dia inteiro e só acabou no fim da
noite, os deputados aprovaram a proposta com 213 votos a favor e 188
contrários. O texto, agora, segue para sanção do presidente Michel Temer. O
projeto autoriza a contratação de funcionários terceirizados não só em
atividades-meio, mas também em atividades-fim, aquelas para a qual a empresa
foi criada. A oposição tentou impedir a apreciação da matéria.
Projeto
similar a este já havia sido aprovado na Câmara em 2015, mas a proposta não
teve andamento no Senado Federal. Com isso, o presidente da Casa, deputado
Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu tirar da gaveta um projeto de 1998, elaborado no
governo Fernando Henrique Cardoso, que segue a mesma linha, e tinha sido
aprovado pelos senadores na época. O Senado, por sua vez, decidiu acelerar a
tramitação da matéria de 2015, que, provavelmente, também será aprovada. Com
isso, as duas propostas devem ir para avaliação de Temer, que decidirá quais os
pontos que vai sancionar de cada uma.
O projeto
que foi aprovado ontem é o mais abrangente. Ele não proíbe, por exemplo, a
empresa de contratar como terceirizado um funcionário que tenha trabalhado nela
mesma com carteira assinada nos últimos 12 meses. A responsabilidade do
empregador quanto a obrigações trabalhistas e previdenciárias é diferente nas
duas propostas. A de 2015 estabelece que a empresa contratante e a
terceirizadora de mão de obra respondam de forma solidária. Na que foi aprovada
ontem, a contratante responderá apenas de maneira subsidiária, ou seja, só será
acionada quando a contratada não conseguir arcar com os custos.
A sessão
foi tumultuada. Houve manifestação nas galerias e deputados de oposição levaram
patos infláveis com os dizeres “devorador de direitos”, em alusão à campanha a
favor do impeachment organizada pela Federação das Indústrias de São Paulo
(Fiesp). A pressão até que surtiu efeito, mas não foi suficiente. O Planalto
não esperava a aprovação com um placar tão apertado.
Para a
secretária de Relações do Trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a
proposta precarizará as relações de trabalho e poderá ter efeito potencializado
caso seja aprovada a reforma da Previdência, que também tramita na Câmara. “Quem vai conseguir se aposentar? O mercado
vai desmoronar e substituir trabalhadores. Vão demitir e contratar
terceirizados, porque sairá mais barato”, sustentou. “Com tanta rotatividade, quem vai ter 49 anos de contribuição?”,
indagou.
O
economista Carlos Alberto Ramos, professor de economia da Universidade de
Brasília (UnB), não vê risco de precarização. “No Brasil, 30% da força de trabalho está na informalidade. São
trabalhadores que não têm direitos trabalhistas. A legislação contribuirá com a
ampliação da formalização”, avaliou.
(Correio
Braziliense)



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