As
informações foram anunciadas pelo porta-voz da União Europeia para assuntos de
Saúde, Enrico Brivio, em coletiva de imprensa na Bélgica
A União
Europeia exige que todas as empresas envolvidas no escândalo da fraude da carne
tenham seus produtos impedidos de entrar no mercado do continente e pede que
integrantes do bloco adotem “uma vigilância extra” ao tratar de qualquer
produto brasileiro no setor de carnes. Paralelamente, a Coreia do Sul
anunciou que vai suspender temporariamente a importação de frango brasileiro
do grupo BRF.
As informações foram anunciadas
pelo porta-voz da União Europeia para assuntos de Saúde, Enrico Brivio, em
coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica. “Estamos em um processo para garantir que todos aqueles envolvidos na
fraude não possam exportar para a Europa”, disse, lembrando que Bruxelas
manteve “intensos contatos diplomáticos
com o Brasil” nos últimos dias. “Pedimos
ações e esclarecimentos”, disse.
Ao jornal
O Estado de S. Paulo, Brivio explicou que os europeus pediram no fim de semana
que as autoridades brasileiras retirassem da lista de exportadores todos
aqueles citados no escândalo. “Agora,
cabe ao Brasil seguir nosso pedido. Eles garantiram que fariam isso”, disse
à reportagem. “Depois veremos se isso de
fato ocorreu e vamos continua em contato com as autoridades brasileiras”,
indicou.
Segundo ele, a recomendação aos
28 governos europeus é de que sejam “extra-vigilantes” com todo o
carregamento de carnes do Brasil e que “aumentem os controles nas fronteiras”.
Brivio,
porém, insiste que até agora nenhuma irregularidade foi registrada na entrada
de carnes nacionais. “Mas pedimos vigilância e um aumento de controles”, disse.
Segundo ele, é provável que o setor mais afetado seja o de frangos. “Só uma
pequena parte (do volume fraudado) parece ter sido exportado”, disse.
“Mas estamos avaliando a situação com o Brasil e pedindo esclarecimentos para garantir
que todos os lados envolvidos sejam suspensos de vender para a Europa”, indicou.
Daniel Rosário, porta-voz de
Comércio da Europa, insistiu que, apesar do escândalo, o caso não deve afetar
as negociações que começam nesta segunda-feira com o Mercosul, em Buenos Aires.
Maior concorrente da carne brasileira no mercado europeu, os produtores
irlandeses pedem oficialmente à Comissão Europeia o “embargo imediato de toda a
importação de carne do Brasil “.
Em um comunicado emitido nesta
segunda-feira (20/3), a entidade que representa o setor, indicou que “a UE tem alertado de forma repetida
sobre os riscos da importação de carne da América do Sul “, disse o
presidente da entidade, Patrick Kent. “É
ultrajante que a UE continue dando uma segunda chance ao Brasil, mesmo depois
que o Escritório de Veterinária tenha produzido informes continuamente
mostrando deficiências das práticas no Brasil”, disse.
“O pior de tudo é a tentativa de sacrificar a qualidade da produção de
carne na Europa ao negociar um acordo comercial bilateral com os países da
América do Sul”, atacou.
“O impacto disso seria minar totalmente
os produtores europeus e irlandeses, inundando a Europa com carne brasileira,
barata e abaixo do padrão”, denunciou.
Na
avaliação do produtor, os consumidores europeus não tem nada a temer, enquanto
estiverem sendo abastecidos por produtos de “qualidade europeia”. “Fizemos
grandes saltos e temos um setor altamente regulado e o mínimo que podermos
esperar é que não sejamos sabotados por importações baratas”, disse.
“Carne de qualidade custa dinheiro. A maioria dos consumidores europeus
quer alimentar suas famílias com o melhor e chegou a vez de a UE priorizar
saúde e agricultura viável, e não acordos estranhos”, afirmou Kent.
“Chegou a hora de parar de sacrificar os produtores europeus, em troca
de alguns bilhões a mais para um pequeno número de multinacionais”, denunciou. Nesta semana, o caso
chegará ainda à Organização Mundial do Comércio. A entidade se reúne a partir
de terça-feira (21) para debater temas fitossanitários.
Na agenda do encontro, fechada há
dez dias, não constava nenhuma crítica à carne do Brasil. Mas a reportagem
apurou que, desde a eclosão do novo caso, os principais parceiros comerciais se
mobilizam para levantar o assunto durante a reunião. Diversos governos também
indicaram que querem pedir reuniões bilaterais com o Brasil nesta semana para
obter esclarecimentos sobre a fraude na carne.
O Itamaraty, junto com técnicos
do Ministério da Agricultura, se prepara para dar uma resposta, trazendo os
detalhes da investigação da PF e tentando evitar um embargo. Mas, ao mesmo
tempo, o governo vai insistir que o escândalo não envolveu exportações e que,
portanto, uma suspensão do comércio não seria justificada. O governo também vai
bater na tecla de que foram as autoridades nacionais quem investigaram e
puniram o esquema e que, portanto, não tentam esconder o caso.
Mas parlamentares e produtores
europeus passaram o fim de semana em contato para tentar incrementar o lobby e
pressionar as autoridades europeias a rever seus planos de autorização de
importação da carne nacional. Na sexta-feira (17), a reportagem revelou com
exclusividade que as maiores cooperativas agrícolas da Europa (Copa e Cogeca)
usariam o caso para pressionar os diplomatas europeus a frear novas concessões
ao Mercosul.
A pressão sobre Bruxelas, porém,
passou a ser real no domingo. Na Irlanda, o partido Sinn Féin foi um dos que
apelou publicamente para o fim das importações. O representante do partido para
temas agrícolas, o deputado Martin Kenny, alertou que o caso brasileiro revela “as condições contra as quais os fazendeiros
europeus precisam competir”.
(Metrópoles Com informações da
Reuters)



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