Presidente da Câmara pode ser investigado por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro no esquema de Furnas. Os fatos a serem apurados
contra Eduardo Cunha são conexos aos fatos investigados em
outros inquéritos
Da redação do JAL
O procurador-geral da República pediu, na última
sexta-feira, 29 de abril, a abertura de um novo inquérito contra o presidente
da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha, por corrupção passiva e lavagem
de dinheiro. O pedido tem como base a colaboração premiada do senador Delcídio
do Amaral, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e é relacionado à
Furnas, empresa subsidiária da Eletrobras. O pedido de abertura está na Pet nº
6015, que também pediu abertura de um inquérito contra o senador Aécio Neves,
mas refere-se a caso diverso.
Em seus depoimentos, Delcídio do Amaral falou sobre a
ligação da atual diretoria de Furnas a Cunha e a relação do deputado com o
operador financeiro Lúcio Funaro. O pedido de abertura de inquérito aponta que
Cunha foi o responsável por alterar a legislação do setor energético, em 2007 e
2008, para beneficiar seus interesses e de Funaro, com a relatoria de medidas
provisórias (396/2007 e 450/2008) que favoreceram a empresa Serra da Carioca
II, na época em que um indicado de Cunha, Luiz Paulo Conde, ocupava a
presidência da subsidiária.
A atuação de Cunha, segundo a petição, permitiu que Furnas
comprasse, em 2008, as ações da Serra da Carioca II, que era sócia da estatal,
em um consórcio para construção da Usina Hidrelétrica Serra do Facão, em Goiás.
“Realmente Eduardo Cunha atuou e tinha poder para que Furnas concedesse
privilégios à empresa de Funaro”, sustentou Janot. Em auditoria, a CGU apurou
vantagens para a empresa que não eram usualmente verificadas em negociações do
mercado privado.
Segundo Janot, os fatos a serem apurados contra Eduardo
Cunha são conexos aos fatos investigados nos inquéritos 3983 e 3989, este
último que trata da organização criminosa. “Sabemos que a organização criminosa
é complexa e que, tudo indica, operou mutos anos e por meio de variados
esquemas estabelecidos dentro da Petrobras e da própria Câmara dos Deputados,
entre outros órgãos públicos”, sustenta.
O pedido de abertura de inquérito lembra o pedido de
afastamento de Cunha do seu mandato parlamentar e, como consequência, da
presidência da Câmara, feito em dezembro de 2015 ao STF. Segundo Janot, Cunha
vem utilizando de seu cargo para interesse próprio e fins ilícitos.
Aécio Neves – Embora a petição para abertura de inquérito
tenha o mesmo número da de Aécio Neves, Janot explica que não há indicação de
que as supostas ilegalidades praticadas por Cunha tenham relação direta com as
do senador do PSDB, referidas no mesmo termo das declarações de Delcídio. “Tudo
leva a crer que se tratava de 'esquemas' independentes entre si, inclusive
operados por pessoas distintas”, conclui.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria-Geral
da República



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