Ontem o assassino
foi interrogado pela a acusação da morte do jovem Diego figura
entre os 37 homicídios que Tiago é suspeito de ter cometido. Nesta
quarta-feira (20), o vigilante volta a sentar no banco dos réus
Da redação do
JAL
O vigilante Tiago
Henrique Gomes da Rocha foi convocado para audiência nesta
terça-feira (19), na 1ª Vara Criminal de Goiânia, para falar sobre
o suposto homicídio do adolescente Diego Martins Mendes,
desaparecido no dia 9 de novembro de 2011. Assim que chegou, o réu
pediu para conversar com sua advogada de defesa e, ao voltar à sala
afirmou que ficaria em silêncio e não responderia às perguntas.
“Quero dizer a
verdade, mas sinto que não é a hora”, declarou.
Segundo o juiz
Jesseir Coelho de Alcântara, responsável pelo caso, “de acordo
com a Constituição Federal, o acusado tem direito a permanecer
calado, nas audiências e durante o Tribunal do Júri, como vem
ocorrendo”. Tiago já passou por cinco julgamentos por homicídios
e, apenas no primeiro optou por se pronunciar. Juntas, as penas do
vigilante já somam 117 anos de reclusão, sendo 102 anos por
assassinatos, 12 por assalto e 3 por porte ilegal de arma de fogo.
A defesa e o
Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) têm cinco dias para
apresentações finais. Depois dos memoriais escritos, o juízo
decidirá se Tiago vai ou não à Júri Popular. “Para a pronúncia,
é preciso a presença de dois requisitos: indícios de materialidade
e autoria. Compete ao juiz verificar esses pontos e decidir”,
explicou o magistrado.
O caso do jovem
Diego figura entre os 37 homicídios que Tiago é suspeito de ter
cometido. O garoto, que tinha 15 anos de idade, foi visto pela última
vez no Terminal da Praça da Bíblia, depois de ter se matriculado no
Colégio Militar Hugo de Carvalho Ramos. O processo estava em
tramitação na 7ª Vara Criminal de Goiânia, por tratar-se de
desaparecimento de pessoa, mas foi remetido pela Polícia Civil para
a 1ª Vara Criminal em agosto do ano passado. Até hoje, o corpo do
rapaz não foi encontrado. Segundo Jesseir Coelho de Alcântara, “o
fato não é motivo de empecilho para não dar continuidade a ação
penal”.
Logo depois de
ser preso pela força-tarefa criada pela Polícia Civil, em outubro
de 2014, Tiago Henrique confessou que havia matado o rapaz. Segundo
ele, no dia do crime, se aproximou do adolescente e perguntou as
horas e os dois começaram a conversar, quando combinaram de ir até
um matagal no Setor Negrão de Lima para manterem relações sexuais.
O delegado de
polícia Carlos Douglas Pinto foi chamado para a oitiva por ter sido
um dos primeiros que ouviu Tiago na delegacia. Ele afirmou que a
confissão foi voluntária. “Eu sequer conhecia o caso do
desaparecimento, até então, a força-tarefa investigava a série de
homicídios de mulheres. Perguntei para ele ‘vem cá, fala pra mim,
qual foi a primeira mulher que você matou?'. Ele sorriu e me disse
que a primeira vítima não era uma mulher e então começou a
descrever os demais casos, dentre eles o da morte de Diego”.
Ainda segundo o
delegado, Tiago levou os policiais ao lugar onde teria cometido o
crime contra o adolescente. Eles refizeram o trajeto percorrido pelos
dois, mas não foi achado no terreno o corpo ou vestígios que
indicassem o assassinato. “Perguntamos para os vizinhos, o lote
tinha, antes, um matagal muito alto, com mais de três metros de
altura. Meses antes de prendermos Tiago, houve uma limpeza no local,
com tratores, que movimentaram a terra para a beira de um córrego
próximo”.
Sobre suspeitas
da vizinhança, a respeito dos odores de um corpo em decomposição,
Carlos Douglas falou que não houve suspeitas por parte dos
moradores. “No local, era costume de carroceiros jogarem os corpos
de cavalos mortos, outros animais, como cachorros e gatos mortos
eram, também, despejados ali”.
Durante
varredura, o delegado contou que foram levados cães treinados para
farejar apenas corpos humanos em decomposição. “É sabido que os
cães têm um faro melhor do que o nosso. Mesmo pessoas treinadas
conseguem distinguir os cheios de um corpo humano em decomposição
para o de um animal. Imagine, então a capacidade dos cachorros. Na
ocasião, os cães identificaram pistas, mas não conseguimos
localizar”.
Depoimentos
A mãe e o pai de
Diego foram também chamados para a audiência, para confirmar se o
garoto tinha inimizades, brigas ou envolvimento com drogas. “Diego
era muito dedicado aos estudos. Saía da casa para escola, da escola
para casa. Ele saiu para fazer matrícula com a roupa do corpo, tênis
e a carteira do ônibus no bolso. É muito triste não ter achado o
corpo, eu morro um pouco a cada dia”, falou a mulher, em meio a
lágrimas.
Uma vizinha
também prestou depoimento, já que foi a última pessoa a ver Diego
com vida. “Eu o avistei no Terminal da Praça da Bíblia, por volta
de meio-dia. Eu estava num dos pontos de ônibus, localizados nas
pistas laterais e Diego estava na plataforma do Eixo Anhanguera,
conversando com um homem alto, magro, branco e mais velho. Tenho
certeza que era o Diego, mas ele não me viu ou fingiu não me ver”,
contou a moça.
De acordo com a
testemunha, não foi possível reconhecer a pessoa que estava com o
garoto era Tiago. “Eu não reparei, apenas olhei para Diego. O
homem estava meio de lado, meio de costas. Diego parecia gesticular,
um pouco nervoso. Esperei para ele me olhar e eu cumprimentar. Achei
até que o homem poderia ser o pai de Diego, que não conhecia na
época, e que ele estava levando uma bronca e, por isso, Diego teria
preferido não falar comigo”.
O pai de Diego,
por sua vez, não apresenta o mesmo porte físico de Tiago, sendo
mais baixo que o filho, e estava viajando a Porangatu no dia do
desaparecimento. “Vim assim que soube. No dia seguinte que meu
filho desapareceu, fomos a delegacias, hospitais e ao Instituto
Médico Legal, mas nunca achamos nada”.
Fonte: Centro de
Comunicação Social do TJGO



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