Marconi Perillo: governador tem consciência de que
fundamental mesmo é viabilizar sua gestão; senão, adeus projeto nacional |
Foto: Lailson Damásio
Marconi Perillo: governador tem consciência de que
fundamental
mesmo é viabilizar sua gestão; senão, adeus projeto nacional
| Foto: Lailson Damásio
O objetivo número um do governador Marconi Perillo, do PSDB,
é viabilizar seu governo — no momento, com um déficit mensal de quase 150
milhões de reais. É isto que explica a tentativa de reaproximar-se da
presidente Dilma Rousseff. No governo anterior, contava com a costura política
do então senador Gim Argello — que é íntimo da petista-chefe (faziam caminhadas
juntos quase todos os dias), embora não tenham sido namorados. Com a derrota do
líder do PTB, o tucano-chefe goiano ficou órfão em Brasília. As esperanças
estão depositadas no ministro das Cidades, Gilberto Kassab — presidente
nacional do PSD —, apontado como o novo “delfim” da principal gestora pública
do país.
Porém, ainda que preocupado em viabilizar seu governo, ao
mesmo tempo que termina e inaugura obras — como rodovias —, Marconi Perillo não
deixa de fazer política. Porque, na acepção de Max Weber, se trata de um
político por vocação, quer dizer, um político profissional. Ele pretende sair
do PSDB? Não. Trata-se de um não, diria o ex-ministro Antônio Rogério Magri,
“imexível”? Não. Mas mudar de partido para quê?
Diz-se: para disputar a Presidência da República, em 2018.
Ora, as eleições vão ser disputadas daqui a quase quatro anos e Marconi
Perillo, se quiser sair do PSDB, não precisa se filiar a outro partido até setembro
de 2015. Pode deixá-lo em 2017. Ah, dirão: é preciso fortalecer o nome,
nacionalmente, para se tornar mais conhecido até 2018. Mesmo no PSDB, se fizer
um governo consistente, com obras relevantes (revolução na educação e
implantação do programa de recuperação de dependentes químicos) e contas
ajustadas, pode consagrar-se.
Mas há a outra ponta da questão: vários partidos estão
disputando o passe de Marconi Perillo? Por quê? Porque, com um estrondoso vazio
de líderes em termos nacionais — note-se que Fernando Henrique Cardoso, de
quase 84 anos, ainda é a referência do tucanato nacional —, é um político
emergente, governador de Goiás pela quarta vez, e com apenas 52 anos.
A cúpula do PSB vai perder Marina Silva para a Rede
Sustentabilidade, assim que esta conquistar seu registro partidário, e não há
outro político nacional para substitui-la. O que fazer? Os luas pretas do
partido estão à procura de outro presidenciável. Inicialmente, o “ataque” se
deu noutro flanco — o partido planeja filiar a senadora tucana Lúcia Vânia, de
Goiás, entre abril e maio — mas o olho gordo mira mesmo é Marconi Perillo. Este
seria seu presidenciável em 2018.
O olho gordo ainda é magro o suficiente para não ter chegado
às páginas dos jornais. O olho que está mesmo gordíssimo é o do PSD do ministro
Gilberto Kassab. O ex-prefeito de São Paulo planeja duas tacadas. Primeiro,
levar Marconi para a base da presidente da Dilma Rousseff — com o apoio do secretário
das Cidades do governo de Goiás, Vilmar Rocha, espécie de conselheiro político
do jovem tucano. Segundo, se der, apresentá-lo como candidato a presidente da
República em 2018.
O olho do PPS dos deputados federais Roberto Freire e Marcos
Abrão está quase gordo, percebendo Marconi Perillo como a alternativa para a
disputa da Presidência em 2018.
Uma coisa é certa: é muito difícil, o que não quer dizer
impossível, Marconi Perillo disputar a Presidência do país pelo PSDB. A “fila”
tucana é, a um só tempo, enorme e congestionada por políticos que se consideram
praticamente donos do partido. Aécio Neves, de Minas Gerais, e Geraldo Alckmin,
de São Paulo — a quase eterna política do café com leite —, estão a postos para
a disputa de 2018.
Aécio Neves avalia que, como foi bem votado em 2014, está
cacifado para a disputa de 2018. Porém, como Minas se considera uma espécie de
país — até mais do que São Paulo — e o mineiro se considera um “povo” à parte,
como o gaúcho, há quem, no tucanato da terra de Carlos Drummond de Andrade,
avalie, de maneira racional, que Aécio Neves deve trocar a política nacional
pela regional. Por quê? Acredita-se que deve disputar o governo de Minas,
porque seria o único capaz de arrancar o governador Fernando Pimentel (PT) do
poder. Há outros atrativos: em 2018, duas vagas para o Senado estarão em
disputa. Aécio Neves, na análise de luas azuis, estaria com a faca e o pão
queijo nas mãos, mas em Minas. Se disputar a Presidência pela segunda vez, e
for derrotado, ficará sem mandato executivo e legislativo pelo menos por quatro
anos. Mineiros não apreciam isto.
Se Aécio Neves voltar a pôr seu retrato nas paredes de Minas
— uma Itabira macro —, o PSDB fica relativamente aberto para Marconi Perillo e,
sobretudo, para Geraldo Alckmin. O governador paulista pode disputar mandato de
senador, pois não é, em definitivo, um político de matiz nacional. Se disputar
com um candidato como Lula da Silva, sobretudo por ser um político meio da
estirpe de Gandhi, pode pendurar as chuteiras. Contra o petista-chefe, o que se
precisa é de um político do estilo de Marconi Perillo, mais firme e agressivo.
O tucano paulista terá 66 anos em 2018 e o tucano goiano terá 55 anos — 11 anos
a menos. Isto conta.
O Brasil, ao menos alguns partidos, está de olho em Marconi
Perillo. Extremamente focado, o tucano-chefe está de olho mais em Goiás, porque
sabe que o sucesso eleitoral no país dependerá, em larga medida, do sucesso
administrativo no Estado. Se for mal localmente, adeus presença bem-sucedida no
plano nacional.
Fonte:Jornal Opção



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