DF-GOIÁS: expectativa para viagem sobre trilhos
Estudo do projeto que levará passageiros entre Brasília e
Goiânia (GO) em pouco mais de uma hora deve estar pronto em três meses.
Confira:
Parece que o “Expresso Pequi” está, enfim, entrando nos
trilhos. O estudo do projeto que planeja fazer a viagem de trem entre Brasília
e Goiânia (GO) durar pouco mais de uma hora deve estar pronto em três meses,
impulsionando a implementação da linha férrea. As obras devem iniciar até o
começo de 2017 e, de acordo com a Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF),
o projeto deve custar cerca de R$ 1,2 bilhão. A expectativa é que promova o
desenvolvimento econômico e social das regiões com transporte de passageiros e
cargas.
O trajeto da linha foi definido por órgãos dos governos
Federal, do DF e de Goiás. Serão 240 quilômetros de trilho tendo a
Rodoferroviária como ponto central. “Vai ser um grande entroncamento de
mobilidade entre trilhos e pneus”, explica Marcelo Dourado, presidente do
Metrô-DF e ex-diretor da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste
(Sudeco).
Divisão
O projeto divide a ferrovia em dois tipos de transportes: o
regional, que liga Brasília a Goiânia, e o integração ou semiurbano, que faz as
linhas
“Saindo da Rodoferroviária, a linha vai correr paralela à
via Estrutural e atender o SIA, Estrutural, Taguatinga e Ceilândia”, explica
Dourado. Antes de passar por Santo Antônio do Descoberto e seguir para Goiânia,
“haverá um braço de aproximadamente cinco quilômetros até o centro de Águas
Lindas, uma das maiores cidades da região e serve de dormitório para quem
trabalha no Plano”.
De acordo o presidente do Metrô, o trajeto beneficiará o
chamado eixo oeste, “já que o Plano Piloto recebe um fluxo de mais de 1,3
milhão de pessoas que vêm da Região Metropolitana todos os dias e é um dos
eixos mais congestionados”. O trecho engloba Estrutural, Taguatinga, Ceilândia
e Águas Lindas, “de onde há fluxos enormes de busca de emprego, educação, saúde
etc”.
Aspectos econômicos e sociais
Os estudos de viabilidade técnica, econômica e
socioambiental foram contratados em 2013 e devem ser entregues por uma empresa
de consultoria em maio. Juliano Samôr, gerente da Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), explica que “esse estudo dará totais condições
para futura implantação da linha férrea”.
Depois disso, entram em ação os projetos básico e executivo.
“O início das obras se dará de forma dinâmica”, revelou Samôr, acrescentando
que “isso pode ser em três ou quatro anos, mas vai depender de um planejamento
futuro a partir dos estudos”.
Apesar de o Metrô já prever o valor do projeto, a ANTT e a
Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) afirmam ainda não
ser possível definir custos. “Estamos na elaboração. A fase de agora vai dar um
escopo modal sobre quais serão as obras necessárias”, esclarece Cléber Ávila,
da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste.
Mesmo sem uma data fechada para o início das construções e
previsão para que a linha férrea passe a operar, o gerente da ANTT afirma que
“há um desejo demonstrado pelos governos do DF e GO para a implantação do
projeto”.
Como se trata de um trajeto interestadual, a verba destinada
à execução não foi definida, mas pode ser arrecadada por licitação, obra
pública ou iniciativa público-privada. Isso será avaliado quando os estudos
forem concluídos.
Eixo importante do País
A obra é estratégica para a região. “O eixo já representa
uma grande uma importância econômica e social para o Brasil. Brasília é a
capital federal e polo administrativo-político. Goiânia é referência no
agronegócio. Anápolis é como segundo polo fármaco e tem consolidada industria
automotiva e de processamento de grãos”, entende o presidente do Metrô, Marcelo
Dourado.
O eixo Brasília–Anápolis–Goiânia tem 6,8 milhões de
habitantes e um Produto Interno Bruno de R$ 270 milhões. É o 3º maior mercado
consumidor do País e, segundo Dourado, “a linha de uso misto agrega valor ao
eixo que só perde para Rio – São Paulo”.
Ele acredita que “a ferrovia é importante porque, além de
ser para transporte de passageiros de média velocidade, o estudo provavelmente
vai indicar o transporte de carga”. E destaca que o trem é “ágil, barato,
confortável, com poluição zero e terá preços competitivos”. Poderá ser o início
da implementação da rede de trens regionais, que considera “fundamental para o
País e já existe no mundo todo”.
Gerente da Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT), Juliano Samôr destaca que “é uma mobilidade mais eficiente, de alta
capacidade e há um grande potencial no corredor”.
Por sua vez, Cléber Ávila, da Sudeco, considera que o
projeto é importante considerando diversos aspectos: “Vai fortalecer o turismo
com uma opção segura de transporte, além de diminuir a demanda de veículos na
estrada. Tem, também, economia de combustível, de impactos ambientais e a
criação uma nova rota para interligar as duas unidades federativas”fonte JB



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