Felipe passou mal no início da aula e foi atendido pelo Samu
ainda na escola, mas não resistiu (Selma Candida)
Da redação com informações do Hoje online
Laudo com a causa da morte ficará pronto em 120 dias, mas
suspeita é de parada cardíaca. Jovem não possuía histórico de doenças graves
Um adolescente de 15 anos morreu na manhã de Segunda-feira
(19/5) depois de passar mal dentro da sala de aula. Laudo sobre a causa da
morte será divulgado para a família em 120 dias, mas a suspeita é que ele tenha
sofrido uma parada cardíaca. Familiares de Felipe de Paula informaram que ele
não possuía históricos de mal-estar nem de doenças graves. O sepultamento será
às 10 horas de hoje no Cemitério Parque.
A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informou que o
adolescente começou a passar mal logo no começo da aula. Segundo dados
repassados pela direção do Colégio Estadual Deputado José Luciano, no Setor Rio
Formoso, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi chamado e
chegou em menos de meia hora. Segundo o Samu, duas viaturas com médicos foram
enviadas ao local. Ele passou por duas reanimações, mas acabou morrendo antes
de ser transferido para uma unidade de saúde.
Tio do adolescente, Francisco Santana de Araújo Sobrinho,
disse que a família está bastante abalada com o caso e confirma que o jovem
nunca havia apresentado problemas de saúde antes. Colegas do rapaz disseram que
Felipe já chegou à escola com sintomas de mal-estar, mas em nenhum momento
pediu para ir embora. “Mesmo assim vamos questionar a falta de um atendimento
de primeiros-socorros ainda na escola. Talvez, se alguém fosse capacitado para
realizar massagens cardíacas e estivesse no local, a morte teria sido evitada”,
disse Sobrinho.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) informa que não
é obrigatório um profissional da área em escolas ou outros estabelecimentos que
atenda muitas pessoas. A justificativa é que menos de 1% das mortes por
problemas cardíacos afetam crianças e adolescentes até 14 anos. O último dado
tabulado desse tipo de ocorrência é de 2011 e consta que 335 mil pessoas
morreram por problemas no coração. Desses, apenas 627 foram registrados em
jovens com idades entre 15 e 19 anos.
Cardiopatias em jovens
A falta de dedicação dos profissionais de saúde no sentido
de identificar sintomas que possam indicar uma doença cardíaca em crianças foi
motivador para campanha nacional da SBC no ano passado. A principal causa é a
hipertensão em crianças, que já afeta entre 6 a 8% dos brasileirinhos. Isso
corresponde entre 3,8 e 5,1 milhões. O problema maior é que, na maioria das
vezes, os pais nem sabem que os filhos tem a doença já que não existe uma
cultura de medir a pressão arterial na infância e adolescência.
Diretor de Promoção da Saúde Cardiovascular da SBC, Carlos
Alberto Machado disse que cartilhas sobre o assunto foram distribuídas para dar
visibilidade ao assunto.
A cartilha (que está disponível no site da SBC) esclarece
que a hipertensão não apresenta sintomas na maioria das vezes, mas quem tem
tonturas, falta de ar, palpitações, enjoos e náuseas, dor de cabeça frequente,
cansaço inexplicável ou alterações na visão, deve procurar um atendimento
especializado.
O diretor alerta que o tratamento e acompanhamento da
pressão alta são realizados por toda a vida. “A mudança de hábitos alimentares,
a prática regular de atividade física e a medicação, quando necessária, são
importantes e devem ser contínuas não devendo ser abandonadas mesmo que os
valores da pressão tenham sido normalizados, a não ser por orientação médica”,
orienta Carlos Alberto Machado.



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