postado por valdivino de oliveira
Caso o contrato de compra e venda junto à Eletrobras não seja assinado até a data, a dívida, que será paga por cinco anos, deve começar a ser quitada pela atual gestão
Sarah Teófilo
O impasse quanto às ações da Celg D continua. No momento, as avaliadoras da Celg e Eletrobras (Funape/UFG e Deloitte, respectivamente) estão avaliando a companhia novamente, para estabelecerem um preço. Se houver uma diferença de valor, outra avaliação deverá ser feita, atrasando o contrato de compra e venda. O presidente da Celg Par (holding), José Fernando Navarrete, afirmou nesta quinta-feira (10/4) que espera ter uma definição no mais tardar após o feriado da Semana Santa (21 de abril).Reuniões semanais estão sendo realizadas com o conselho composto por membros da Celg D, Celg Par e Eletrobras. Segundo Navarrete, embora as equipes avaliadoras sejam independentes, há uma tentativa de convergir o preço em um só. Se o preço for estabelecido no prazo dito por Navarrete, até 6 de junho o contrato de compra e venda poderá ser assinado.
A urgência do Estado em passar as ações até junho se explica pelas dívidas adquiridas pela companhia. Segundo Navarrete, em junho devem começar a ser pagos repactuações que a Celg fez com a Eletrobras dos encargos setoriais. “A Celg ficou de 2006 a 2010 sem pagar nenhum encargo setorial e sem pagar a energia de Itaipu que consumia.” A dívida é grande: R$ 3,5 bilhões, assumidos pela Celg Par em 2011. Parte já foi paga, mas restam R$ 2,5 bilhões.
Fernando Navarrete afirma que a dívida deverá ser paga em um prazo de cinco anos. De acordo com ele, caso o contrato de compra e venda entre a Celg e a Eletrobras não seja assinado até o início do pagamento desta dívida, a atual gestão deverá iniciar sua liquidação. “Por isso o Estado tem urgência quanto à assinatura desse contrato.”
No mês passado, Leonardo Lins disse ao Jornal Opção Online que a Celg D precisaria de outro empréstimo a ser feito pela própria companhia de distribuição, no valor de R$ 500 a R$ 800 milhões para liquidar uma dívida a mais da companhia e estender o prazo de pagamento de outra. “Temos uma dívida que negociamos para começar a pagar em julho, por isso a urgência do empréstimo. Temos pressão de caixa.” O presidente da CelgD afirmou que se pretendia renovar uma dívida para o futuro. “Temos que ir liquidando débitos a médio prazo (cerca de cinco anos) e alongando outra dívida. Precisamos ter o fluxo de caixa com capacidade de investimento”, disse o presidente.
Entretanto, Fernando Navarrete afirma que esta dívida não está vencendo agora. De acordo com ele, no contrato de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF) há uma cláusula que estabelece que se não houver transferência da Celg D para a Eletrobras, a CEF pode antecipar o vencimento da dívida. “ Mas não acredito que isso irá acontecer”, disse.
Empréstimo de R$ 1,9 bilhão embargado
O empréstimo de 1,9 bilhão liberado pela Caixa Econômica Federal ainda não pôde ser usado pela Celg. Isso porque a Eletrobras não libera a utilização do dinheiro, sob a justificativa de que o valor só deverá ser usado após a transferência da estatal para a empresa da federação. “O Estado precisa de energia, e esse é um acordo entre Goiás com a Celg Par e a Caixa. A companhia devia estar com esse dinheiro ajudando no crescimento do Estado”, disse Fernando Navarrete.
De acordo com ele, desde abril de 2012 há um acordo de gestão com a Eletrobras, e por isso se a empresa não concordar com o uso do empréstimo, a estatal não pode usar. “Quem comanda a Celg é a Eletrobras.” Segundo Navarrete, a companhia vem tentando sensibilizar o governo federal para que libere a utilização do dinheiro. “ Esse valor não tem nada a ver com a avaliação de crédito. Queremos utilizá-lo para que a Celg atenda à demanda de energia”, disse o presidente.


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