postado por valdivino de oliveira
Marconi voltou a morar no prédio, que passa por reforma orçada em R$ 4,11 milhões
22 de março de 2014 (sábado)
Depois de passar por reforma e receber novos móveis, o Palácio das Esmeraldas voltou a ser residência oficial do governador do Estado. Marconi Perillo (PSDB) entregou a casa alugada no Condomínio Alphaville, residencial em que morava desde 2006, e se mudou com a primeira-dama, Valéria Perillo, para o palácio no mês passado.
A reforma ainda está em andamento e não tem prazo para terminar. Começou em novembro de 2012, com previsão inicial de seis meses e valor orçado em R$ 1,44 milhão. O contrato, com a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), teve um aditivo de R$ 715 mil em abril de 2013, mas ainda assim não houve conclusão. Nova licitação foi realizada em dezembro do ano passado, em total de mais R$ 1,95 milhão, para “complementação da restauração”.
O valor total dos serviços, em execução pela empresa Marsou Engenharia Ltda., já alcança, portanto, R$ 4,11 milhões.
O motivo oficial para a mudança é a perda de tempo com deslocamento do condomínio até o Palácio Pedro Ludovico Teixeira, onde fica o gabinete do governador. De acordo com a assessoria de imprensa do governador, ele perdia de 40 minutos a 1 hora por dia em cada trajeto.
Nos bastidores, há informação de que a decisão também busca afastar possíveis ataques durante a campanha eleitoral. As casas nas quais Marconi morou no Alphaville viraram alvos de investigação no escândalo do caso Cachoeira, em 2012. Inicialmente proprietário de uma casa, ele a vendeu e foi morar de aluguel em outra residência no mesmo condomínio.
A primeira é onde Cachoeira foi preso na Operação Monte Carlo. A segunda pertence a uma empreiteira que é fornecedora do Estado desde 2003, de acordo com reportagem da época do jornal O Estado de S.Paulo. Na ocasião, o governador afirmou que preferiu não morar no palácio “para ter maior privacidade”. Para evitar especulações ou acusações de adversários, ele teria decidido se mudar.
Em 2006, pouco antes de deixar o governo para disputar a cadeira de senador, em seu segundo mandato, Marconi lançou a ideia de transformar o palácio em museu e abri-lo para visitação pública. O sucessor, Alcides Rodrigues, continuou morando no palácio.
REFORMA
Questionado sobre a demora e o valor das obras, o presidente da Agetop, Jayme Rincón, disse que por se tratar de um prédio tombado como patrimônio histórico e que ficou muito tempo sem uma grande reforma, houve necessidade de serviços complementares. A execução tem monitoramento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Sobre o alto valor do segundo contrato, ele afirmou tratar-se de uma restauração “bem feita e definitiva”. “Você não vai ver nada malfeito ou feito pelas metades. É uma oportunidade de fazer uma reforma completa. Estamos consertando tudo que aparece de problema”, afirmou.
Segundo Jayme, o governador não aguardou a conclusão da reforma para se mudar porque já havia avisado ao proprietário que encerraria o contrato de aluguel. O proprietário, ainda de acordo com o presidente da Agetop, já está morando no local.
Um outro contrato, para aquisição de móveis em janeiro do ano passado, custou ao Estado R$ 225 mil. Na justificativa do edital, o governo afirmava que não se realiza compra de novo mobiliário “há um longo período” e aponta “deterioração causada pelo tempo” nos móveis existentes. Entre os 14 ítens, sofás, poltronas, cômodas, mesa de jantar, tapetes, cadeiras e escrivaninha.
De acordo com informações da assessoria de imprensa do governador, ele já vinha dormindo no palácio desde o início de fevereiro, quando voltou das férias. A mudança completa ocorreu no final daquele mês.
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