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Eleições 2014: “Brasília precisa de mudanças”

postado por valdivino de oliveiraEm entrevista exclusiva, Eliana Pedrosa fala de sua pré-campanha ao Buriti e defende ampliação da aliança do PPS com o PSB, em âmbito distritalENTREVISTA/ Eliana Pedrosaimg-description
Pré-candidata pelo PPS ao governo do Distrito Federal, a deputada Eliana Pedrosa está em plena campanha para garantir seu nome como cabeça de uma chapa da esquerda. Mineira, da cidade de Bicas, ela chegou a Brasília em 1968, aos 15 anos. Filha de um bancário, que virou empresário, e de uma dona de casa, estudou no Caseb, no Elefante Branco e na Universidade de Brasília. É, portanto, uma "cria" da cidade, que conhece como a palma da mão.
A carreira de Eliana na política começou em 2002, quando foi eleita deputada distrital pela primeira vez. Desde então, coleciona vitórias nas urnas. Tanto que, nas últimas eleições, entrou para história como a a mulher mais bem votada do DF para o cargo de deputada distrital, com 35.387 votos.
Em entrevista exclusiva à revista Plano Brasília, Eliana falou sobre alguns de seus concorrentes em potencial à disputado ao Buriti, como José Roberto Arruda – de quem foi Secretária de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda – e Agnelo Queiroz. Precavida, não descartou o surgimento de outros nomes de direita e de esquerda para a disputa ao Buriti. "Existem muitos candidatos possíveis e alguns deles ainda não se manifestaram publicamente. O que é certo é que o PPS vai participar de uma chapa majoritária. Isso já está definido ", afirma.
Confira, a seguir, a íntegra da entrevista com a pré-candidata do PPS às eleições 2014.

Plano Brasília: Deputada, quando a senhora vai anunciar oficialmente sua candidatura?

Eliana Pedrosa: Acho que todas as pré-candidaturas que estão postas para o governo do Distrito Federal estão à procura de alianças que permitam que elas se viabilizem de fato. Mas acho que esse cenário deve estar sendo fechado no mês de abril. Ao longo desse tempo, tem ainda muita conversa. Quem está no governo, já tem sua aliança pré-formatada. Quem não está no governo, está procurar aliados e partidos com os quais tenha identidade programática, ou seja, que tenham a mesma visão de futuro para a cidade. A partir dessas convergências, conseguiremos montar as candidaturas alternativas ao atual governo. Mas temos até o mês de abril, com folga, para fazer essas discussões entre os partidos que têm a intenção de fazer uma chapa majoritária. A partir daí, vamos organizar o bloco para as convenções dos partidos, que acontecerão em meados de junho.

PB: Semana passada, o senador Cristovam Buarque conversou com a Plano Brasília e defendeu uma candidatura única dos partidos à esquerda de Agnelo. O que a senhora acha disso?

EP:Eu acho importante existirem candidatos de esquerda. Sempre tivemos muitos candidatos de direita. Então, a esquerda tem de estar representada nas próximas eleições. Até porque, de esquerda, o atual governo só tem o nome.

PB: Com quais partidos o PPS tem conversado para fechar essa chapa?

"Temos conversado com o PDT e com o PSB, com frequência. Já fechamos com o PSB, em âmbito federal"Eliana Pedrosa
EP: Temos conversado com o PDT e com o PSB, com frequência. Já fechamos com o PSB, em âmbito federal, e já começamos a apoiar a candidatura de Eduardo Campos à presidência. Nossa partido tem uma identidade programática com as propostas de governo do PSB, especialmente em relação às propostas de desenvolvimento sustentável e à busca pela equidade. Agora, falta desenhar essa aliança no âmbito distrital. E temos de montar uma chapa com "química", propostas comuns capazes de falar mais alto que quaisquer diferenças. Então, espero que consigamos encontrar uma fórmula para a candidatura do PPS, no DF. Porque vai ser uma campanha difícil, que vai precisar de muito gás. Então, temos de montar uma chapa forte, com muita química, para ter certeza de que todos estarão igualmente envolvidos no sucesso da campanha.

PB: O Arruda está ensaiando candidatura para o GDF, com a Liliane Roriz de vice. Qual sua opinião sobre essa candidatura?

EP: Se ele tiver as condições previstas dentro da nossa legislação eleitoral para concorrer, é legítimo ele se candidatar. Pode-se falar muitas coisas a respeito do Arruda, mas ele foi um grande gestor operacional. Tanto que seus índices de popularidade continuam altos. Ele é um player a ser respeitado.

PB: Quem serão os candidatos ao GDF, nas eleições de 2014, na sua opinião?

EP: Todo mundo trabalha com um cenário de fechar as montagens da chapa até abril, apesar de o prazo final ser junho. Existem muitos candidatos possíveis e alguns deles ainda não se manifestaram publicamente. O que é certo é que o PPS vai participar de uma chapa majoritária. Isso já está definido. Em princípio, a indicação do partido é do meu nome como cabeça da chapa.

PB: Se a senhora for candidata e chegar ao segundo turno, com quem gostaria de estar disputando?

EP: Essa escolha é do povo, não é minha. Eu acho que todo candidato que entra em uma disputa deve de estar preparado para enfrentar todo e qualquer adversário. Nosso time vai entrar no campo para ganhar. O PPS saberá compor uma chapa majoritária, com chances reais de vitória, e vamos ter um programa de governo que mostrará porque merecemos essa vitória.

PB: O governador Agnelo tem chances de chegar no segundo turno?

"Eu não arriscaria um prognóstico de segundo turno, no momento. Nós temos uma percepção muito ruim do governo Agnelo Queiroz. Mas eles têm a máquina pública local e a máquina pública federal nas mãos. Isso tem um peso muito grande"Eliana Pedrosa
EP: Eu não arriscaria um prognóstico de segundo turno, no momento. Nós temos uma percepção muito ruim do governo Agnelo Queiroz. Mas eles têm a máquina pública local e a máquina pública federal nas mãos. Isso tem um peso muito grande. Então, muita coisa pode acontecer...

PB: O Plano Piloto sempre foi muito fiel aos partidos de centro e da esquerda. Nesse momento, no entanto, ele não está nada satisfeito com o governo feito pelos chamados partidos de esquerda. Como reconquistar o voto desse eleitor?

EP: Acho que através de propostas. Temos de apresentar projetos de mudança na área de segurança e mobilidade urbana. Esses são os dois temas mais exigidos dos moradores da nossa cidade. E, nesse atual momento, com essa crise de segurança, é preciso trazer respostas. Outra questão importante é a da saúde. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, recentemente, os resultados de uma pesquisa que revela que 72% da população do DF está insatisfeita com o sistema de saúde. E olha que, no DF, boa parcela da população usa planos de saúde privados. Então, essa pesquisa mostra que essa insatisfação é generalizada, pois envolve tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto os hospitais privados. Faltam médicos, medicamentos e insumos básicos em hospitais. E, para mim, é incompreensível que um governador, que é médico, tenha deixado a Saúde piorar tanto. Especialmente porque, na campanha, ele disse que iria acumular o cargo de governador com o de Secretário da Saúde para resolver o problema.

PB: E em relação à mobilidade urbana? O que é possível fazer por Brasília?

EP: No momento, está sendo desenhada uma licitação para a troca dos ônibus que me parece altamente contaminada, do ponto de vista da legalidade e da impessoalidade. Existem processos em andamento no Judiciário, mostrando que é uma licitação que ainda não nos dá tranquilidade. E tem um ponto importante: os ônibus já estão nas ruas, mas a população continua reclamando. Em 2012, eu dei um alerta à população, mostrando que o GDF está licitando o mesmo número de assentos de transporte urbano de vinte anos atrás. Só que a população, de 2002 para cá, cresceu cerca de 34%, no DF. Só que o número de assentos de ônibus cresceu apenas 1%. Quer dizer que o governo mantém um gargalo para depois colocar ônibus sem licitação? Para que? Para voltar ao mesmo sistema perverso e antigo que perdurou durante muito tempo?

PB: A senhora acha que Brasília mudaria se fosse governada por uma mulher?

EP: Eu acho que sim. A condução feminina é muito mais voltada para o social. As questões relativas à saúde, educação, à segurança e às questões que afetem às famílias ficariam muito mais em voga. Os homens só priorizam obras e questões econômicas. Nós, mulheres, damos mais ênfase ao social. E essa é uma característica minha. Fui secretária de desenvolvimento social e sei o quanto é importante fortalecer os núcleos familiares. E, na minha opinião, um mecanismo essencial para diminuir os índices de criminalidade e violência é fortalecer os laços familiares. A gente não aumenta a segurança apenas aumentando o número de policiais nas ruas. É preciso oferecer condições melhores para nossas crianças. Está comprovado que as crianças e os jovens que não recebem amor, dificilmente terão capacidade de serem amorosos ou de respeitarem os seus semelhantes. Quando uma mãe sai de casa para trabalhar, ela precisa ter uma creche para deixar seu filho. Caso contrário, ela vai deixar o menino na rua ou aos cuidados de uma pessoa despreparada, que nem sempre vai saber cuidar com carinho daquela criança. E essa será a porta de entrada da violência na vida dessa criança que, no futuro, pode virar um adulto desajustado.

PB: Só para terminar, deputada: é verdade que o governador Agnelo convidou a senhora para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Distrito Federal e Territórios?

EP: Eu nunca recebi essa proposta e acho que isso nunca foi aventado. Além disso, não está nos meus planos sair da política local. Brasília precisa de mudanças e quero fazer parte desse processo.

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