Repórter fotográfica Monique Renne fotografou o exato momento em que foi atingida pelo spray de pimenta
Publicação: 07/09/2013 23:13
| Imagens captadas pela repórter Monique Renne no momento em que foi atacada |
Durante a confusão no centro de Brasília neste sábado (07/9), em que um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia, três fotógrafos do Correio Braziliense foram atingidos por jatos de spray de pimenta.
A repórter fotográfica Monique Renne conta que a situação já estava controlada, por volta das 15h, perto da Torre de Tevê, quando sofreu a agressão por parte de um PM. "Não foi em meio ao protesto. Fui fotografar uma colega que tinha levado spray de pimenta no rosto e um outro policial veio e jogou três jatos no meu rosto. Perdi o ar", ressaltou.
De acordo com ela, os colegas Carlos Vieira e Janine Morais também sofreram agressões. O repórter Arthur Paganini diz que foi empurrado por um policial e, em seguida, recebeu um spray de pimenta de outro PM.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou os atos de violência praticados por policiais contra os profissionais de imprensa que cobriram as manifestações de Sete de Setembro na cidade.
O sindicato lamentou o fato de que "vários profissionais da mídia que estão na cobertura dos protestos do Dia da Independência terem sido agredidos pela força policial."
Em nota, a Secretaria de Segurança negou a agressão ao fotógrafo da Reuters Ueslei Marcelino. Ele torceu o pé enquanto realizava a cobertura das manifestações. Durante a coletiva de imprensa, o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, disse que qualquer denúncia de excesso será investigada administrativamente.
AMISTOSO Brasil inicia ciclo para Copa do Mundo
AMISTOSO
BRASIL INICIA CICLO PARA COPA DO MUNDO COM VITÓRIA FÁCIL SOBRE A AUSTRÁLIA, EM BRASÍLIA
Jô (2(), Neymar, Ramires, Alexandre Pato e Luiz Gustavo marcaram os gols
Atacante Neymar, do Barcelona, marcou o terceiro gol do Brasil no Mané Garrincha
No amistoso que o técnico Luiz Felipe Scolari considera o início da trajetória para a Copa do Mundo de 2014, o Brasil exibiu um futebol convincente para golear a Austrália por 6 a 0, sem sofrer qualquer susto, na tarde deste sábado, no estádio Mané Garricha.
Os três primeiros gols da partida foram marcados ainda na etapa inicial, sendo dois com Jô e um com Neymar. Depois do intervalo, Ramires, Alexandre Pato e Luiz Gustavo completaram o placar. O bom desempenho serve para o elenco mostrar que entendeu o recado de Felipão. Na véspera da partida, o treinador explicou que o duelo com a Austrália seria o início do caminho decisivo para o Mundial, ignorando a derrota recente para a Suíça, quando a equipe estava sem ritmo e cansada.
Já a Austrália, que já está classificada para a Copa, sequer ameaçou o goleiro Júlio César. A única má notícia para o Brasil foi a lesão de Marcelo, que, no fim do primeiro tempo, sentiu o problema na coxa esquerda e preocupa o departamento médico canarinho.
Ao contrário da Copa das Confederações, quando a torcida brasileira lotava os estádios, o Mané Garrincha não ficou totalmente cheio neste sábado, com muitos espaços vazios atrás dos gols (o público foi de 40.428 pagantes). O Brasil volta a campo na terça-feira, para amistoso diante de Portugal.
O jogo - O Brasil impôs desde o início sua superioridade contra a Austrália. Logo aos três minutos, Jô desviou de cabeça o cruzamento da direita, e Neymar apareceu atrás para completar, mas o chute saiu fraco, nas mãos do goleiro. Porém, a Seleção não teve de aguardar muito para comemorar. Aos sete, Neymar driblou o marcador pela esquerda e cruzou atrás da zaga, para Bernard esticar a perna e finalizar, acertando a trave. No rebote, Jô bateu de primeira para as redes.
Em seguida, a equipe anfitriã arriscou jogadas que pouco tiveram efeito, inclusive permitindo o melhor momento dos australianos, em uma sequência de cobranças de escanteio. A zaga brasileira teve trabalho para impedir que o centroavante Kennedy levasse vantagem na área de Júlio César.
A série de lances dos visitantes foi interrompida quando o principal jogador da Seleção fez uma excelente jogada individual. Bernard se livrou da marcação e tocou para Neymar, que invadiu a área pela esquerda e driblou facilmente três marcadores, mesmo em um pequeno espaço, antes de finalizar rente à trave do goleiro Schwazer.
Famosa por armar retrancas, a Austrália foi castigada quando se abriu na defesa. Aos 33, Maicon fez ótimo lançamento na direita para Bernard, que correu completamente livre, nas costas da zaga, e cruzou para Jô. Como também estava sem marcação, o atacante atleticano não teve problema de empurrar para as redes.
No minuto seguinte, Neymar recebeu lançamento atrás da defesa, invadiu a área e chutou de bico, no canto, para tirar do alcance do goleiro australiano. A partir daí, o ânimo da Austrália acabou. Neymar chegou a ‘tabelar’ com um adversário para sair de frente para o gol, mas chutou para fora. A única má notícia para o Brasil antes do intervalo foi a lesão de Marcelo, que sentiu um problema muscular na coxa esquerda, abrindo espaço para a entrada de Maxwell no segundo tempo.
A alteração não mudou o panorama do jogo. Sem ser incomodado pela Austrália, que mostrou pouco futebol, Maxwell cruzou na segunda trave para Ramires cabecear para as redes. Assim que sofreu o gol, o técnico Holger Osieck tirou Oar e colocou o atacante Thompson, que nesta semana elogiou Oscar, mas disse que não conhecia Neymar.
A equipe visitante seguiu acuada, e Ramires acertou a trave em chute rasteiro da meia-lua. Com a vitória assegurada, Felipão começou a fazer testes, tirando de uma só vez David Luiz, Paulinho e Bernard, para as entradas de Dantes, Hernanes e Lucas. A Austrália também mudou, com Milligan no lugar de Jedinak.
Aos 20 minutos, o treinador canarinho decidiu observar o desempenho de Alexandre Pato, no lugar de Jô. Apenas seis minutos depois, o corintiano deixou sua marca. Neymar tocou para Hernanes, que devolveu com um belo passe para o camisa 10 cruzar na medida para Pato fazer seu gol.
Os três primeiros gols da partida foram marcados ainda na etapa inicial, sendo dois com Jô e um com Neymar. Depois do intervalo, Ramires, Alexandre Pato e Luiz Gustavo completaram o placar. O bom desempenho serve para o elenco mostrar que entendeu o recado de Felipão. Na véspera da partida, o treinador explicou que o duelo com a Austrália seria o início do caminho decisivo para o Mundial, ignorando a derrota recente para a Suíça, quando a equipe estava sem ritmo e cansada.
Já a Austrália, que já está classificada para a Copa, sequer ameaçou o goleiro Júlio César. A única má notícia para o Brasil foi a lesão de Marcelo, que, no fim do primeiro tempo, sentiu o problema na coxa esquerda e preocupa o departamento médico canarinho.
Ao contrário da Copa das Confederações, quando a torcida brasileira lotava os estádios, o Mané Garrincha não ficou totalmente cheio neste sábado, com muitos espaços vazios atrás dos gols (o público foi de 40.428 pagantes). O Brasil volta a campo na terça-feira, para amistoso diante de Portugal.
O jogo - O Brasil impôs desde o início sua superioridade contra a Austrália. Logo aos três minutos, Jô desviou de cabeça o cruzamento da direita, e Neymar apareceu atrás para completar, mas o chute saiu fraco, nas mãos do goleiro. Porém, a Seleção não teve de aguardar muito para comemorar. Aos sete, Neymar driblou o marcador pela esquerda e cruzou atrás da zaga, para Bernard esticar a perna e finalizar, acertando a trave. No rebote, Jô bateu de primeira para as redes.
Em seguida, a equipe anfitriã arriscou jogadas que pouco tiveram efeito, inclusive permitindo o melhor momento dos australianos, em uma sequência de cobranças de escanteio. A zaga brasileira teve trabalho para impedir que o centroavante Kennedy levasse vantagem na área de Júlio César.
A série de lances dos visitantes foi interrompida quando o principal jogador da Seleção fez uma excelente jogada individual. Bernard se livrou da marcação e tocou para Neymar, que invadiu a área pela esquerda e driblou facilmente três marcadores, mesmo em um pequeno espaço, antes de finalizar rente à trave do goleiro Schwazer.
Famosa por armar retrancas, a Austrália foi castigada quando se abriu na defesa. Aos 33, Maicon fez ótimo lançamento na direita para Bernard, que correu completamente livre, nas costas da zaga, e cruzou para Jô. Como também estava sem marcação, o atacante atleticano não teve problema de empurrar para as redes.
| Jô, do Atlético, voltou a se destacar e marcou duas vezes no Mané Garrincha |
No minuto seguinte, Neymar recebeu lançamento atrás da defesa, invadiu a área e chutou de bico, no canto, para tirar do alcance do goleiro australiano. A partir daí, o ânimo da Austrália acabou. Neymar chegou a ‘tabelar’ com um adversário para sair de frente para o gol, mas chutou para fora. A única má notícia para o Brasil antes do intervalo foi a lesão de Marcelo, que sentiu um problema muscular na coxa esquerda, abrindo espaço para a entrada de Maxwell no segundo tempo.
A alteração não mudou o panorama do jogo. Sem ser incomodado pela Austrália, que mostrou pouco futebol, Maxwell cruzou na segunda trave para Ramires cabecear para as redes. Assim que sofreu o gol, o técnico Holger Osieck tirou Oar e colocou o atacante Thompson, que nesta semana elogiou Oscar, mas disse que não conhecia Neymar.
A equipe visitante seguiu acuada, e Ramires acertou a trave em chute rasteiro da meia-lua. Com a vitória assegurada, Felipão começou a fazer testes, tirando de uma só vez David Luiz, Paulinho e Bernard, para as entradas de Dantes, Hernanes e Lucas. A Austrália também mudou, com Milligan no lugar de Jedinak.
Aos 20 minutos, o treinador canarinho decidiu observar o desempenho de Alexandre Pato, no lugar de Jô. Apenas seis minutos depois, o corintiano deixou sua marca. Neymar tocou para Hernanes, que devolveu com um belo passe para o camisa 10 cruzar na medida para Pato fazer seu gol.
Nova sede da Assembleia será inaugurada em 17 meses e vai custar cerca de 12 milhões de reais
Nova sede da Assembleia será inaugurada em 17 meses e vai custar cerca de 12 milhões de reais
A nova sede da Assembleia Legislativa, no Parques Lozandes, ao lado da sede do Ministério Público Federal, deverá ser concluída em 17 meses. O custo deve ser de 12 milhões de reais. O prédio antigo será repassado para a Prefeitura de Goiânia, que tende a transformá-lo num museu. Trunfo do presidente Helder Valin.
Júnior do Friboi radicaliza prefeitos para antecipar definição de candidato ao governo já em 2013
Convencido por um jornalista ligado a Michel Temer e pelos deputados federais Leandro Vilela e Pedro Chaves e o deputado estadual Paulo Cezar Martins, os três do PMDB, o empresário Júnior do Friboi decidiu radicalizar e, ao propor a definição do nome do candidato do PMDB ao governo de Goiás já em 2013, desafia publicamente o principal líder do partido, Iris Rezende. O ex-governador e ex-prefeito de Goiânia afirma que, em 2013, as alianças políticas devem ser consolidadas, além de definidas as metas partidárias, e só em 2014 devem ser apresentados nomes (ou o nome) para a disputa.
Na semana passada, aliados de Friboi, em confronto direto com a decisão do principal líder do partido, tentaram mobilizar prefeitos para pressionar, de modo maciço, pela antecipação da escolha do nome do candidato. Até prefeitos que apoiam o multimilionário ficaram desconfiados e decidiram não aderir à tática suicida, de matiz quixotesco.
Se não tivesse desafiado Iris, se não tivesse tentando atropelá-lo, se não tivesse se filiado de uma maneira que soou como uma espécie de intervenção no PMDB, o empresário poderia ser o candidato do ex-prefeito. Agora, é uma questão de honra barrar sua candidatura.
FONTE:JORNAL OPÇÃO
Marconi Perillo tem um nome para substitui-lo?
Na base do governador Marconi Perillo há pelo menos duas correntes. Uma, a maior, diz que o tucano-chefe deve ser candidato à reeleição “de qualquer maneira” e o incentiva a percorrer todo o Estado, conversando com líderes municipais e inaugurando obras, numa jornada estafante. Este grupo acredita que, sem Marconi, a chamada base aliada será derrotada. Avalia Giuseppe Vecci, José Eliton e Thiago Peixoto como bons nomes, mas sem densidade eleitoral suficiente para derrotar pesos pesados como Iris Rezende, Antônio Gomide e, mesmo, Vanderlan Cardoso. Apostam, por outro lado, que Júnior do Friboi, que apontam como uma “excrescência política” (termo exagerado para definir o empresário), seria derrotado por um candidato menos cotado do que Marconi.
A corrente dominante, que inclui políticos, empresários e jornalistas, é a que aposta que Marconi deve ser candidato “de qualquer maneira” e “doa a quem doer”. Um deputado é peremptório: “Marconi, ainda que tenha algum desgaste, ganha de qualquer um dos nomes da oposição, inclusive de Antônio Gomide. Porque não ‘dorme’ em serviço, trabalha em tempo integral e é uma raposa política. As pesquisas, principalmente as qualitativas, indicam que ele, apontado como um gestor eficiente, está com a imagem política, se não inteiramente restabelecida, muito melhor do que antes. Os pesquisados sempre dizem que Marconi é o homem que faz, o político que movimenta o Estado. Todos ganham com Marconi — é o que se ouve. Os empresários preferem manter Marconi no poder, porque, com ele, a economia não fica parada. O jovem governador é apontado como criativo”.
Os integrantes da corrente minoritária não gostam de expor seus nomes, alegando que são “discriminados pelos excessivamente otimistas”. Em off, afirmam que a eleição de 2014 “vai ser a mais difícil da história de Marconi”. Porque, sugerem, “pela primeira vez o tucano disputará com desgaste político, sobretudo desgaste pessoal, e também passa a imagem que não quer mais sair do poder. O fato de que, se eleito, vai ficar 16 anos no poder certamente pesará na sucessão”.
O que este grupo aconselha ao governador Marconi? Seus membros apontam pelo menos dois caminhos. Primeiro, sugerem que o tucano não dispute a eleição. Segundo, propõem que ele renove o grupo, apresentando um candidato alternativo e qualitativo, mas não um nome inventado de última hora — como um empresário, tipo Carlos Carneiro, ou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, Henrique Tibúrcio. “Iris Rezende ou Antônio Gomide colocam qualquer um deles no bolso em pouco tempo. Marconi, se quiser apostar em alguém, deve escolher um político de sua base. Deve ser uma pessoa sem desgaste, ou com menos desgaste e seja capaz de dialogar com a nova sociedade goiana”, afirma um tucano.
FONTE:JORNAL OPÇÃO
Ronaldo Caiado compõe com Iris Rezende mas não com o PT
O projeto número 1 do PT é reeleger a presidente Dilma Rousseff. O segundo também. O terceiro, se brincar, é o mesmo. O quarto é eleger uma bancada de deputados federais e, sobretudo, de senadores para ajudar na governabilidade. O ex-presidente Lula da Silva, Zeus do PT — desde a morte política de Zé Dirceu —, decidiu, com base no centralismo democrático, que a prioridade é Dilma Rousseff, no país, e, em São Paulo, eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a governador. Com o controle da Presidência da República e do Estado mais rico e populoso do país, o Lulopetismo avalia que terá o controle do Brasil.
Em Goiás, ninguém deve se surpreender se o PT não participar da chapa majoritária, abrindo espaço para uma composição mais ampla, ou seja, com todos os grupos de oposição. Lula já disse, para mais de um interlocutor, que o PT goiano não vai romper a aliança com o PMDB. Aposta-se, até, que o democrata Ronaldo Caiado será bem-vindo na chapa majoritária — como candidato a senador. Ocorre que o líder do DEM pode até compor com Iris Rezende, se este for candidato a governador, mas não aceita compor com um candidato do PT ao governo ou com o peemedebista Júnior do Friboi (suas bases ruralistas têm um contencioso com o frigorífico JBS, a quem acusam de patrocinar o cartel da carne).
Com Iris candidato ao governo, Caiado iria ao Senado e o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) seria vice. É possível? Talvez seja mais apropriado usar uma palavra parecida: não é impossível. Lula tem dito mais ou menos o seguinte: o importante é ter o Poder Executivo. Se eleito Iris, o mandachuva não será Caiado ou Vanderlan. O problema é que parte do PT rejeita apoiar Caiado e aposta que o partido sairá chamuscado se bancá-lo. “Seria cinismo total”, afirma um deputado petista. “Eleger Caiado a senador para que se torne um ‘calo’ permanente e cáustico contra a presidente Dilma Rousseff durante quatro anos?”, pergunta
FONTE:JORNAL OPÇÃO.
SÁBADO, 7 DE SETEMBRO DE 2013
Entrevista Fernando Gabeira: "O Estado se tornou uma extensão do PT"
AFASTADO DA POLÍTICA, O JORNALISTA E ESCRITOR DIZ QUE AINDA SE CONSIDERA DE ESQUERDA, CRITICA OS GOVERNOS PETISTAS E NÃO VÊ MAIS O SOCIALISMO COMO ALTERNATIVA VIÁVEL
| CORRUPÇÃO O jornalista Fernando Gabeira. “A condenação dos acusados no mensalão foi uma advertência” (Foto: André Arruda/ÉPOCA) |
Ex-guerrilheiro, ex-deputado federal, jornalista e escritor, Fernando Gabeira já se reinventou várias vezes. Aos 72 anos, decidiu deixar a política – embora continue filiado ao PV e ainda dê palestras ocasionais para militantes do partido – e voltar ao jornalismo. Em seus artigos, publicados quinzenalmente no jornal O Estado de S. Paulo, tem batido no PT, no governo e no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Gabeira lançará um programa de reportagens na GloboNews, com estreia prevista para domingo dia 8. Nesta entrevista a ÉPOCA, ele afirma que o socialismo deixou de ser uma opção viável de poder e critica o aparelhamento do Estado pelo PT.
ÉPOCA – Ao longo de sua trajetória política, o senhor passou pela luta armada, pelo PT e pelo PV. Hoje tem sido um crítico do PT, do governo e da esquerda. O que aconteceu?
Fernando Gabeira – O que mais me incomoda é a sensação de que você é detentor de uma verdade importantíssima e de que todos os seus atos devem ser relevados por isso. O que me distingue dessa esquerda é que, para mim, os fins não justificam os meios. É preciso trabalhar dentro dos critérios democráticos. Também me incomoda que, uma vez no poder, eles se sentem os donos do Estado. O Estado brasileiro passou a ser uma extensão do PT. A política externa brasileira é do partido, e não nacional. Isso também me incomoda muito. O Brasil se apresenta ao mundo com as limitações mentais, ideológicas, do PT. Tenho vergonha de um presidente da República, como o Lula, que diz que a oposição no Irã parece uma torcida de futebol. Tenho vergonha de um presidente que diz que os presos políticos em Cuba são semelhantes aos presos comuns no Brasil. Ao se atrelar a alguns países da América do Sul, abandonando a possibilidade de relações com o resto do mundo, eles prestam um desserviço. Não que a integração regional não seja importante, mas o Brasil precisa se abrir também para outros centros, com uma capacidade tecnológica maior. Você não pode associar seu destino a esse grupo de países, como eles fizeram, por causas ideológicas. ...
ÉPOCA – Como o senhor analisa os 12 anos do PT no poder, com Lula e Dilma, do ponto de vista político?
Gabeira – Politicamente, o grande problema do PT foi ter prometido uma renovação ética no Brasil – e, ao chegar ao governo, aliar-se aos políticos que eles criticavam, recorrer aos mesmos métodos usados antes e incorporar outros igualmente condenáveis. Nesse aspecto, o PT significou algo muito negativo para o Brasil, porque, no fundo, dizia que quem propõe mudar ou traz a esperança está apenas enganando a população, e que os artífices da esperança são os mesmos que construirão uma nova armadilha. Isso acaba se transformando em aumento do voto nulo e do voto em branco. Leva a um rebaixamento da legitimidade do poder constituído.
ÉPOCA – Em sua opinião, a condenação dos réus no processo do mensalão poderá levar a uma mudança na forma de fazer política no Brasil?
Gabeira – Considero a condenação dos acusados no mensalão uma grande advertência. Primeiro, porque ataca a corrupção política. Segundo, porque mostra ao homem comum que o acesso à Justiça não é impossível. Eles gastaram mais de R$ 60 milhões com honorários de advogados e perderam. Isso traz uma expectativa de que haja mais cuidado na prática política e de que a Justiça seja feita com mais frequência. Agora, pelo que conheço do Congresso, jamais haverá mudança que não seja imposta. Eles só mudarão forçados pelo instinto de sobrevivência. Existe no Brasil uma tendência de o eleitor esquecer em quem votou. Esquecendo em quem votou, você não tem a quem cobrar. A população precisa ter o nível de vigilância e de cobrança permanente que os americanos têm em relação a seus congressistas.
ÉPOCA – Até que ponto as manifestações de junho devem contribuir para essa mudança?
Gabeira – Essas manifestações foram muito positivas. Elas desfizeram a sensação de que tudo ia bem, de que vivíamos numa prosperidade e estávamos supersatisfeitos. Mostraram que a população está insatisfeita com os serviços que recebe pelos impostos que paga, com a corrupção e com o governo. Essa demonstração alterou muito o quadro, inclusive a psicologia e o comportamento dos próprios políticos. Pelo menos, aquela arrogância, aquela distância em relação à população, desapareceu. Isso tudo constituiu algo novo e bom no Brasil. Como todas as manifestações de massa, há um momento em que elas refluem. As pessoas não podem ficar permanentemente na rua, a não ser que haja um objetivo claro, que você esteja prestes a derrubar um governo. Não era esse o caso, uma vez que, no Brasil, vivemos numa democracia, e os governos se sucedem por eleições.
ÉPOCA – Como o senhor analisa a violência que tomou conta das manifestações?
Gabeira – Desde o princípio, houve atos de violência, contrapostos pela imensa maioria que participava da manifestação de forma pacífica. Uma vez que os grupos que se manifestavam pacificamente refluíram, sobrou o território para a violência. Hoje, você continua vendo as manifestações como se fossem uma continuidade daquelas que aconteceram em junho, mas não há vínculo real entre esse pessoal que está nas ruas e as multidões que, dois meses atrás, saíram às ruas das principais cidades do país.
ÉPOCA – Durante as manifestações de junho, surgiu o fenômeno da Mídia Ninja. Eles afirmam que a imprensa profissional é parcial. Como o senhor vê essa questão?
Gabeira – Se examinar friamente as manifestações, todos os temas levantados ali nasceram do trabalho da grande imprensa. Queiram ou não, as redes sociais metabolizam o material que vem da grande imprensa. Dentro de suas limitações, a grande imprensa tem de estar atenta a tudo. Se houver alguma coisa nas redes sociais para ela metabolizar, ela metaboliza também. Não tem espaço proibido. Então, não é justo dizer que a grande imprensa manipulou as informações sobre o que aconteceu nesse período. A grande imprensa denunciou insistentemente os fatos que indignaram as pessoas.
ÉPOCA – Parte do PT e outros grupos de esquerda têm uma visão semelhante da imprensa profissional e defendem o “controle social da mídia”. O que o senhor pensa disso?
Gabeira – Na Inglaterra, a partir da experiência dos tabloides, que romperam certos limites e invadiram a privacidade de autoridades e de cidadãos comuns para obter informações, caminhou-se no sentido de equacionar a questão. Só que lá quem comandou o processo foi um governo conservador, nitidamente desinteressado em controlar a imprensa. No Brasil, todas as manifestações em defesa do controle social da mídia surgem do PT, num contexto latino-americano em que os controles são, na verdade, tentativas de censura – com o uso de instrumentos clássicos da esquerda, chamados de “sociais”, mas que são aparelhados pela própria esquerda. Quando o PT diz “é preciso o controle social da mídia”, está dizendo “é preciso o controle social da mídia, sobretudo o controle social por parte de entidades que nós controlamos”.
ÉPOCA – Hoje, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o socialismo ainda faz algum sentido? O capitalismo venceu?
Gabeira – Não há dúvida de que o capitalismo predominou e o socialismo deixou de ser uma alternativa desejável. Isso não significa que algumas ideias de esquerda e de direita não continuem presentes no universo político. Certas ideias de que as pessoas são culpadas pela própria pobreza continuam existindo. Certas ideias de que as pessoas precisam ser protegidas na velhice, ter uma aposentadoria digna, também continuam aí. Hoje, não se fala mais tanto em capitalismo versus socialismo. Fala-se mais numa forma de modernizar e democratizar o capitalismo.
ÉPOCA – Vários de seus artigos recentes geraram críticas duras da esquerda. Até de “reacionário” já o chamaram. O senhor ainda se considera alguém de esquerda?
Gabeira – Considero-me uma pessoa de esquerda. Não me importo muito com as críticas, vejo como algo normal na política. Pessoas que admiro muito, como o poeta Octavio Paz, também foram chamadas de reacionárias em vários contextos. Às vezes, também chamo o pessoal do PT de reacionário, porque, no meu entender, tudo o que detém o avanço é um gesto reacionário. Tudo depende do ponto de vista.
ÉPOCA – O senhor ainda acredita na transformação do homem, no surgimento de um “novo homem”?
Gabeira – Não acredito mais nisso. Não acredito em “novo homem”. Aliás, essa coisa de criar o “novo homem” serviu para muita repressão. Os homens que não cabiam nesse modelo costumavam ser fuzilados. Entre os obstáculos para o Brasil atual está uma série de ideias e de comportamentos que seguram o país. Existe uma vontade normal de, pelo menos, sintonizar o país com o que ele tem de mais moderno. Hoje, a província da política não está sintonizada com o que o Brasil tem de mais moderno. Acredito hoje em ajustar esse polos.
ÉPOCA – Ao longo de sua trajetória política, o senhor passou pela luta armada, pelo PT e pelo PV. Hoje tem sido um crítico do PT, do governo e da esquerda. O que aconteceu?
Fernando Gabeira – O que mais me incomoda é a sensação de que você é detentor de uma verdade importantíssima e de que todos os seus atos devem ser relevados por isso. O que me distingue dessa esquerda é que, para mim, os fins não justificam os meios. É preciso trabalhar dentro dos critérios democráticos. Também me incomoda que, uma vez no poder, eles se sentem os donos do Estado. O Estado brasileiro passou a ser uma extensão do PT. A política externa brasileira é do partido, e não nacional. Isso também me incomoda muito. O Brasil se apresenta ao mundo com as limitações mentais, ideológicas, do PT. Tenho vergonha de um presidente da República, como o Lula, que diz que a oposição no Irã parece uma torcida de futebol. Tenho vergonha de um presidente que diz que os presos políticos em Cuba são semelhantes aos presos comuns no Brasil. Ao se atrelar a alguns países da América do Sul, abandonando a possibilidade de relações com o resto do mundo, eles prestam um desserviço. Não que a integração regional não seja importante, mas o Brasil precisa se abrir também para outros centros, com uma capacidade tecnológica maior. Você não pode associar seu destino a esse grupo de países, como eles fizeram, por causas ideológicas. ...
ÉPOCA – Como o senhor analisa os 12 anos do PT no poder, com Lula e Dilma, do ponto de vista político?
Gabeira – Politicamente, o grande problema do PT foi ter prometido uma renovação ética no Brasil – e, ao chegar ao governo, aliar-se aos políticos que eles criticavam, recorrer aos mesmos métodos usados antes e incorporar outros igualmente condenáveis. Nesse aspecto, o PT significou algo muito negativo para o Brasil, porque, no fundo, dizia que quem propõe mudar ou traz a esperança está apenas enganando a população, e que os artífices da esperança são os mesmos que construirão uma nova armadilha. Isso acaba se transformando em aumento do voto nulo e do voto em branco. Leva a um rebaixamento da legitimidade do poder constituído.
ÉPOCA – Em sua opinião, a condenação dos réus no processo do mensalão poderá levar a uma mudança na forma de fazer política no Brasil?
Gabeira – Considero a condenação dos acusados no mensalão uma grande advertência. Primeiro, porque ataca a corrupção política. Segundo, porque mostra ao homem comum que o acesso à Justiça não é impossível. Eles gastaram mais de R$ 60 milhões com honorários de advogados e perderam. Isso traz uma expectativa de que haja mais cuidado na prática política e de que a Justiça seja feita com mais frequência. Agora, pelo que conheço do Congresso, jamais haverá mudança que não seja imposta. Eles só mudarão forçados pelo instinto de sobrevivência. Existe no Brasil uma tendência de o eleitor esquecer em quem votou. Esquecendo em quem votou, você não tem a quem cobrar. A população precisa ter o nível de vigilância e de cobrança permanente que os americanos têm em relação a seus congressistas.
ÉPOCA – Até que ponto as manifestações de junho devem contribuir para essa mudança?
Gabeira – Essas manifestações foram muito positivas. Elas desfizeram a sensação de que tudo ia bem, de que vivíamos numa prosperidade e estávamos supersatisfeitos. Mostraram que a população está insatisfeita com os serviços que recebe pelos impostos que paga, com a corrupção e com o governo. Essa demonstração alterou muito o quadro, inclusive a psicologia e o comportamento dos próprios políticos. Pelo menos, aquela arrogância, aquela distância em relação à população, desapareceu. Isso tudo constituiu algo novo e bom no Brasil. Como todas as manifestações de massa, há um momento em que elas refluem. As pessoas não podem ficar permanentemente na rua, a não ser que haja um objetivo claro, que você esteja prestes a derrubar um governo. Não era esse o caso, uma vez que, no Brasil, vivemos numa democracia, e os governos se sucedem por eleições.
ÉPOCA – Como o senhor analisa a violência que tomou conta das manifestações?
Gabeira – Desde o princípio, houve atos de violência, contrapostos pela imensa maioria que participava da manifestação de forma pacífica. Uma vez que os grupos que se manifestavam pacificamente refluíram, sobrou o território para a violência. Hoje, você continua vendo as manifestações como se fossem uma continuidade daquelas que aconteceram em junho, mas não há vínculo real entre esse pessoal que está nas ruas e as multidões que, dois meses atrás, saíram às ruas das principais cidades do país.
ÉPOCA – Durante as manifestações de junho, surgiu o fenômeno da Mídia Ninja. Eles afirmam que a imprensa profissional é parcial. Como o senhor vê essa questão?
Gabeira – Se examinar friamente as manifestações, todos os temas levantados ali nasceram do trabalho da grande imprensa. Queiram ou não, as redes sociais metabolizam o material que vem da grande imprensa. Dentro de suas limitações, a grande imprensa tem de estar atenta a tudo. Se houver alguma coisa nas redes sociais para ela metabolizar, ela metaboliza também. Não tem espaço proibido. Então, não é justo dizer que a grande imprensa manipulou as informações sobre o que aconteceu nesse período. A grande imprensa denunciou insistentemente os fatos que indignaram as pessoas.
ÉPOCA – Parte do PT e outros grupos de esquerda têm uma visão semelhante da imprensa profissional e defendem o “controle social da mídia”. O que o senhor pensa disso?
Gabeira – Na Inglaterra, a partir da experiência dos tabloides, que romperam certos limites e invadiram a privacidade de autoridades e de cidadãos comuns para obter informações, caminhou-se no sentido de equacionar a questão. Só que lá quem comandou o processo foi um governo conservador, nitidamente desinteressado em controlar a imprensa. No Brasil, todas as manifestações em defesa do controle social da mídia surgem do PT, num contexto latino-americano em que os controles são, na verdade, tentativas de censura – com o uso de instrumentos clássicos da esquerda, chamados de “sociais”, mas que são aparelhados pela própria esquerda. Quando o PT diz “é preciso o controle social da mídia”, está dizendo “é preciso o controle social da mídia, sobretudo o controle social por parte de entidades que nós controlamos”.
ÉPOCA – Hoje, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o socialismo ainda faz algum sentido? O capitalismo venceu?
Gabeira – Não há dúvida de que o capitalismo predominou e o socialismo deixou de ser uma alternativa desejável. Isso não significa que algumas ideias de esquerda e de direita não continuem presentes no universo político. Certas ideias de que as pessoas são culpadas pela própria pobreza continuam existindo. Certas ideias de que as pessoas precisam ser protegidas na velhice, ter uma aposentadoria digna, também continuam aí. Hoje, não se fala mais tanto em capitalismo versus socialismo. Fala-se mais numa forma de modernizar e democratizar o capitalismo.
ÉPOCA – Vários de seus artigos recentes geraram críticas duras da esquerda. Até de “reacionário” já o chamaram. O senhor ainda se considera alguém de esquerda?
Gabeira – Considero-me uma pessoa de esquerda. Não me importo muito com as críticas, vejo como algo normal na política. Pessoas que admiro muito, como o poeta Octavio Paz, também foram chamadas de reacionárias em vários contextos. Às vezes, também chamo o pessoal do PT de reacionário, porque, no meu entender, tudo o que detém o avanço é um gesto reacionário. Tudo depende do ponto de vista.
ÉPOCA – O senhor ainda acredita na transformação do homem, no surgimento de um “novo homem”?
Gabeira – Não acredito mais nisso. Não acredito em “novo homem”. Aliás, essa coisa de criar o “novo homem” serviu para muita repressão. Os homens que não cabiam nesse modelo costumavam ser fuzilados. Entre os obstáculos para o Brasil atual está uma série de ideias e de comportamentos que seguram o país. Existe uma vontade normal de, pelo menos, sintonizar o país com o que ele tem de mais moderno. Hoje, a província da política não está sintonizada com o que o Brasil tem de mais moderno. Acredito hoje em ajustar esse polos.
Por José Fucs


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