A partir do Direito Fraterno
Chega-se ao ponto mais alto da amizade quando é possível
manter ao mesmo tempo “a diferença entre os singulares e o direito a não ser,
por ela, discriminados”, através, especialmente, da igualdade entre irmãos que
é traduzida pela verdadeira igualdade entre amigos. A igualdade fraterna, por
sua vez, é “ao mesmo tempo, pressuposto da forma jurídica da democracia e fim
político último a ser alcançado através dos princípios normativos.”
A amizade se divide em duas espécies, segundo
Aristóteles88: “as pessoas más serão amigas por prazer ou por interesse,
porquanto se assemelham sob este aspecto”, enquanto que as pessoas boas “são
amigas porque são como são, isto é, por causa de sua bondade”. Aqueles são
amigos acidentalmente ao mesmo tempo em que estes são irrestritamente. “A que
se baseia no prazer é mais parecida com a amizade quando ambas as partes obtêm
reciprocamente os mesmos benefícios”, na medida em que “a amizade por interesse
é para as pessoas mercenárias”.
Ainda, é possível a existência de uma amizade perfeita
quando há pessoas boas e semelhantes em termos de excelência moral; neste caso,
cada uma das pessoas quer bem à outra de maneira idêntica, porque a outra
pessoa é boa e elas são boas em si mesmas. Então as pessoas que querem bem aos
seus amigos por causa deles são amigas no sentido mais amplo, pois querem bem
por causa da própria natureza dos amigos e não por acidente; logo, sua amizade
durará enquanto essas pessoas forem boas e ser bom é uma coisa duradoura. Cada
uma dessas pessoas neste caso é boa irrestritamente e boa em relação ao seu
amigo, pois as pessoas boas são boas irrestritamente e são reciprocamente
úteis.



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